O que as companhias aéreas sabem, mas nunca te contaram sobre radiação a bordo
23 abril 2026 às 19h22

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Já ouvimos ou muitas vezes até assistimos discussões inúteis entre passageiros por um mísero assento na janela de uma aeronave. Chega ao patético. Agora, o que as companhias aéreas nunca contaram para os inoportunos insólitos que lutam por uma escotilha, e para qualquer um que entra num avião e viaja no assento da janela, é que, ao sentar-se ali durante voos mais longos equivale à realizar duas radiografias de tórax sem intervalo.
A exposição à radiação ionizante em voos comerciais é um fenômeno comentado à exaustão pela ciência. Nos voos em altitude de cruzeiro ( equivalente à 12 km), a atmosfera torna-se menos densa e permite a penetração de partículas de radiação cósmica que vem do espaço. Os voos transatlânticos são os mais afetados pela alta energia cósmica, porque os aviões permanecem mais tempo nas rotas de alta latitude expondo diretamente a tripulação e todos os passageiros a bordo, até mesmo quem não se senta próximo às janelas, já que a radiação passa pela cabine em níveis 100 vezes superior aos do solo.
Num voo de Nova York à São Paulo, por exemplo, que dura quase dez horas, qualquer passageiro recebe o equivalente à 55MSV de radiação, suficiente para realizar duas chapas de pulmão na sequência. Pra quem está sentado junto à janela é ainda pior: o passageiro recebe mais de 80MS. É como se fizesse três radiografias, uma atrás da outra.
Quem prefere sentar-se nos assentos do corredor também não está livre da radiação espacial que invade o avião sem pedir licença, mas é claro que os níveis são menores daqueles sentados próximo à janela. Um estudo realizado em 2023, instalou sensores de radiação num Boeing 777. Havia medidores espalhados por toda aeronave que faria um voo de cruzeiro com duração de 8 horas, de Miami à São Paulo. Os assentos da janela receberam 4,2MSV por hora enquanto os assentos localizados no corredor receberam 2,9MSV de radiação por hora.
A diferença entre os assentos está na física: a fuselagem dos aviões são de alumínio que bloqueia parcialmente a radiação, já as janelas são feitas de policarbonato que não consegue absorver nêutrons e prótons.
As tripulações aéreas são classificadas como trabalhadores em ocupação de risco, devido a exposição cumulativa à radiação e estão na mesma categoria dos radiologistas. Passageiros que realizam com frequência voos com duração acima de sete horas também correm o risco de serem afetados, já os esporádicos a exposição é considerada mínima.
Precauções
Compreender esses mecanismos permite que o passageiro tome decisões acertadas ao comprar um bilhete, especialmente aqueles que estão sempre no ar. Sim, eles existem e alguns tem até mais horas de voo que muito piloto por aí. Por isso, aqui vão algumas dicas:
1- reserve os assentos do corredor em voos mais longos, principalmente os que realizam rotas polares onde os níveis de radiação são bem mais elevados.
2 – leve com você um protetor solar FPS 50e aplique nas mãos e no rosto antes de levantar voo e durante a viagem.
3- observe o clima espacial antes de voos longos e fique atento às tempestades solares.
Às vezes o assento com a melhor visão é aquele, no corredor…. e, caso um dia desses, uma mãe desesperada pedir a você para trocar de lugar com o filho dela, que quer a experiência da “vista”, encare o pedido não como um capricho de uma criança birrenta ou uma mãe sem noção, porque pode ser que seja um “livramento cósmico”.

