O diálogo entre Paris e Nova York sempre rende grandes momentos na moda
22 maio 2026 às 17h14

COMPARTILHAR
Por: Herbert Moraes e Luiz Cláudio Faleiro
A coleção Cruise 2027 da Louis Vuitton (@louisvuitton) marcou o início de um patrocínio cultural de três anos entre a maison francesa e a histórica The Frick Collection. A partir de 2026, a grife será a principal apoiadora institucional do museu até 2028, financiando exposições, iniciativas educacionais e programas voltados à ampliação do aceesso do público — e honestamente, Nova York entregou exatamente tudo ontem à noite.
Em pleno Upper East Side de Manhattan, dentro da antiga mansão de Henry Clay Frick e hoje um dos museus de arte mais prestigiados de Nova York, a Louis Vuitton transformou um dos endereços mais tradicionais da cidade num cenário absolutamente cinematográfico, onde moda, arte, arquitetura e cultura pop se encontraram da forma mais elegante possível. Aquela Nova York clássica, sofisticada e quase nostálgica, mas ao mesmo tempo pulsando criatividade, desejo e irreverência.
Sob direção criativa de Nicolas Ghesquière, que desde 2013 vem construindo uma das fases mais interessantes da Louis Vuitton feminina, o desfile aconteceu entre galerias históricas, obras de arte e salões impecáveis, criando uma atmosfera íntima e grandiosa ao mesmo tempo — bem aquele luxo silencioso, mas cheio de personalidade.
Na passarela, alfaiataria poderosa, volumes dramáticos, referências ao streetwear e muitos códigos visuais inspirados em Keith Haring, artista que transformou a energia underground e queer da Nova York dos anos 1980 em uma linguagem visual reconhecida no mundo inteiro.
E dava para sentir isso na coleção: uma mistura de sofisticação francesa com a vibração artística, urbana e caótica que só Nova York consegue ter. A trilha sonora também teve um papel central nessa narrativa. A curadoria musical assinada pela musicista de electroclash, Peaches, trouxe batidas urbanas, experimentais e quase hipnóticas, que se encontravam com a composição orquestral “Box in a Box”, de Daniel Pemberton, criada para o filme Project Hail Mary. A transição sonora acompanhava perfeitamente a evolução dos looks na passarela.
A (@louisvuitton) criou uma experiência sobre identidade, arte, música, comportamento e expressão contemporânea. Daquelas noites em que a moda deixa de ser apenas tendência e volta a ser fantasia, performance e emoção. E talvez seja exatamente por isso que Nova York continua sendo esse lugar tão magnético para a indústria da moda: porque ali tudo parece acontecer de forma intensa, artística e absolutamente inesquecível.
Pop Art Vestível
A nova coleção transformou os traços vibrantes e personagens icônicos de Keith Haring em roupas, bolsas e acessórios. O diálogo entre moda e arte que há décadas marca a trajetória da maison francesa.
As obras de Haring aparecem reinterpretadas em diferentes peças, levando para as passarelas a linguagem visual que ajudou a definir a cultura urbana e artística dos anos de 1980.
Reconhecido como um dos maiores nomes da Pop Art, Keith Haring construiu sua obra marcada por figuras dinâmicas, cores intensas e mensagens claras e acessíveis ao público.
A mala de 1930
Foi depois de descobrir, nos arquivos da LV, uma mala de couro dos anos de 1930 radicalmente transformada por Keith Haring que Nicolas Ghesquiere decidiu prestar sua homenagem ao artista norte-americano.

No desfile de Cruise 2027, o diretor criativo da grife retomou as conexões da maison francesa com o pop arte ao selecionar algumas das obras mais emblemáticas de Haring e transformá-las em peças de roupa.
Keith Haring era um street artist e ficou conhecido por seus traços vibrantes, figuras cartunescas de forte atuação na cena artística e ativista do universo gay, abordando temas como liberdade sexual e desigualdade social.

Em 1988, em uma entrevista para a revista Rolling Stone, Haring declarou que era portador do vírus HIV. Em seguida, criou a “Keith Haring Foundation”, em favor das criança vítimas da AIDS. Haring faleceu em Nova Iorque, no dia 16 de fevereiro de 1990, vítima de complicações relacionadas à AIDS.
Arte e moda: as novas bolsas da Louis Vuitton
No Cruise 2027, a LV partiu da mala de couro da maison dos anos 1930, ilustrada à mão por Keith Haring em 1984 para criar a coleção. A peça de arquivo virou a chave mestra, sobretudo, nos acessórios que Ghesquière uniu humor e técnica, imprimindo códigos nova-iorquinos na coleção. Veja os detalhes.































