De Goiás para o mundo: 15 pesquisadores goianos estão entre os cientistas mais influentes do mundo
15 outubro 2026 às 16h06

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Quinze pesquisadores vinculados a instituições de Goiás aparecem entre os 2% de cientistas mais influentes do mundo, segundo o ranking World’s Top 2% Scientists, elaborado pela a editora Elsevier. A lista considera indicadores de impacto científico e citações de trabalhos acadêmicos e reúne pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do Instituto Federal Goiano (IF Goiano).
O levantamento utiliza dados da plataforma Scopus para avaliar a influência da produção científica em diferentes áreas do conhecimento. Entre os critérios estão o número de citações, o índice H, que relaciona produtividade e impacto das publicações, e a participação dos pesquisadores em artigos científicos. A metodologia também considera indicadores ajustados para reduzir a influência das autocitações.
Quatro pesquisadores ouvidos pelo Jornal Opção destacam que o reconhecimento internacional evidencia a capacidade de produzir ciência de relevância global fora dos principais centros acadêmicos do país. Eles também apontam desafios relacionados ao financiamento e à necessidade de ampliar a participação de instituições e cientistas brasileiros na pesquisa internacional.

Professor do IF Goiano, Guilherme Malafaia desenvolve pesquisas na área de toxicologia ambiental, com trabalhos sobre os efeitos da poluição e dos microplásticos. Para ele, figurar na lista demonstra que a produção científica de municípios do interior pode alcançar projeção internacional.
“É claro que é muito gratificante perceber que pesquisas desenvolvidas aqui no interior de Goiás alcançam reconhecimento internacional”, afirmou ao Jornal Opção.
Malafaia também ressalta o efeito do reconhecimento sobre a formação de novos pesquisadores. “É possível fazer ciência no interior do interior. Isso serve de motivação para os estudantes pensarem que um estudante do interior pode participar de pesquisas que vão ser reconhecidas internacionalmente”, diz.
Na UFG, o pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Wendell Karlos Tomazelli Coltro, aparece no levantamento pelo impacto de sua produção científica. Com atuação em química analítica, ele pesquisa dispositivos portáteis e sensores, tecnologias que podem ser aplicadas a diferentes tipos de análise.
“Receber a notícia foi mais do que gratificante, porque o nosso empenho aqui junto com o grupo de pesquisa tem dado não apenas visibilidade, mas o reconhecimento internacional”, afirma.
Coltro também destaca o papel do financiamento estadual para a continuidade dos estudos e para a formação de parcerias com pesquisadores de outros países. “A FAPEG é uma fundação que está sendo elogiada no Brasil inteiro pelo modelo de gestão e pelo cuidado especial com ciência e tecnologia. Acho que o aporte do Estado tem permitido que pesquisadores busquem parcerias internacionais”, diz, em referência à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás.

A pesquisadora Carolina Horta Andrade, da UFG, aparece no ranking pelo quarto ano consecutivo. Sua atuação envolve ciências farmacêuticas, medicina tropical e saúde pública. Para ela, a presença de pesquisadores goianos na lista mostra que a distância dos principais centros econômicos e acadêmicos do país não impede a realização de trabalhos com repercussão internacional.
“É uma alegria, uma satisfação, uma honra muito grande. É a quarta vez consecutiva que apareço nessa lista, sabendo que, mesmo estando fora do eixo Rio-São Paulo, a gente consegue desenvolver pesquisas de qualidade internacional no interior do Brasil, em Goiás”, disse ao Jornal Opção.

Carolina também chama a atenção para a participação feminina. Segundo ela, o aumento do número de mulheres entre os pesquisadores goianos reconhecidos representa um avanço na composição da comunidade científica local.
“Este ano fiquei bem feliz por ter visto que tem mais uma mulher na lista da UFG. Até então eu era a única mulher a compor essa lista; agora somos duas, estamos ganhando mais espaço”, diz.

Com mais de 30 anos de atuação na UFG, o pesquisador José Alexandre Felizola Diniz-Filho, da área de ecologia, evolução e biodiversidade, acompanha a ampliação da presença brasileira na produção científica internacional. Para ele, o país passou por uma transformação gradual, deixando de ocupar uma posição concentrada no fornecimento de matéria-prima e ampliando a participação de pesquisadores nacionais na liderança de investigações científicas.
“Eu vi essa transformação ao longo desses 30 anos. O Brasil foi gradualmente melhorando em termos de inserção internacional, deixando de ser apenas um fornecedor de matéria-prima para ter pesquisadores liderando linhas de pesquisa”, afirma.
Felizola também ressalta a importância do financiamento estadual para a manutenção de projetos, sobretudo em períodos de dificuldades no orçamento federal. “Proporcionalmente falando, a gente está numa situação privilegiada em Goiás com a FAPEG. Nos momentos em que houve problema de financiamento federal, a FAPEG serviu como um colchão de segurança para manter funcionando várias coisas”, diz.
Quem são os 15 pesquisadores de Goiás
A relação reúne 11 pesquisadores vinculados à UFG e quatro ligados ao IF Goiano no período considerado pelo levantamento. Mariana Egea, que aparece na lista associada ao IF Goiano, foi transferida para o Instituto Federal do Paraná (IFPR).
Confira os nomes e as colocações globais informadas:
- Guilherme Malafaia — 23.649º — IF Goiano — Toxicologia ambiental e poluição por microplásticos.
- José Alexandre Felizola Diniz-Filho — 39.219º — UFG — Ecologia, evolução, genética e biodiversidade.
- Edgardo Manuel Latrubesse — 46.148º — UFG — (Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais.
- Paulo de Marco Júnior — 64.063º — UFG — Ecologia, biodiversidade e biologia da conservação.
- Carlos Estrela — 92.775º — UFG — Ciências da saúde, odontologia e endodontia.
- Mariana Egea — 123.300º — IF Goiano, atualmente no IFPR – Biologia
- Wendell Karlos Tomazelli Coltro — 133.170º — UFG — Química analítica, sensores e dispositivos portáteis.
- Erika Aparecida Silveira — 141.714º — UFG — Ciências da saúde.
- Salmon Landi Júnior — 153.280º — IF Goiano — Física, ciência dos materiais, nanotecnologia e ensino de ciências.
- Adolfo Franco Júnior — 204.127º — UFG — Programa de Pós-Graduação em Química e Programa de Pós-Graduação em Física
- Matias Noll — 212.066º — IF Goiano — Saúde pública, epidemiologia e educação física.
- Carolina Horta Andrade — 214.294º — UFG — Ciências farmacêuticas.
- Jadson Diogo Pereira Bezerra — 230.110º — UFG — Programa de Pós-Graduação em Biologia da Relação Parasito Hospedeiro.
- Cláudio Rodrigues Leles — 237.072º — UFG — (Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde e Programa de Pós-Graduação em Odontologia.
- Dalton de Souza Amorim — 245.385º — UFG*
*Dalton não consta na lista própria da UFG apesar estar no ranking divulgado. Por isso, não encontramos sua área de atuação.
A presença dos pesquisadores no levantamento evidencia a diversidade de áreas contempladas pela ciência produzida em Goiás, que vai das ciências ambientais à química, passando pela biodiversidade, saúde, odontologia, física e tecnologia de alimentos.
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