Imprensa
Comenta-se que a Rádio Terra está à venda. Um grupo teria tentado comprá-la por 20 milhões, mas o proprietário, Iberê Monteiro (que faz tratamento de câncer em São Paulo, nos Hospital Sírio-Libanês), teria pedido 25 milhões. No momento, a família não planeja vender a rádio — até porque, com a crise econômica, poucos grupos têm numerário suficiente para adquiri-la à vista. Durante anos, a Terra, uma rádio consolidada e respeitada no mercado, foi líder de audiência, mas perdeu espaço para a Rádio 99,5 (Serra Dourada FM). O deputado e radialista Sandes Júnior é um dos principais responsáveis pela alta audiência da 99,5. A Terra permanece num honroso segundo lugar. Segundo Sandes Júnior, cerca de 90% das pessoas que ouvem rádio preferem FMs.
[caption id="attachment_35017" align="alignright" width="620"]
Marty Baron: “Várias reportagens longas, bem-feitas, investimentos para nós, estão entre as mais lidas”[/caption]
Entrevistado pelo repórter Raul Juste Lores, da “Folha de S. Paulo” (sábado, 2), o editor-chefe do jornal “Washington Post” — cuja maior glória foi ter contribuído para a renúncia do presidente Richard Nixon em 1974 —, Marty Baron, de 60 anos, deu declarações instigantes sobre o presente e o futuro da imprensa (ou mídia).
Marty Baron afirma que lê atentamente as informações que recebe sobre o comportamento do leitor. Por exemplo: “A porcentagem de quem lê um texto até o final é muito menor do que a gente pensa. Uma típica reportagem é lida até o final por 1%, 2% dos leitores”. E acrescenta aquilo que editores e repórteres do Jornal Opção têm observado, ao examinarem dados do Google Analyticz semanalmente: “Várias reportagens longas, bem-feitas, investimentos para nós, estão entre as mais lidas. Há um enorme numero de gente que gasta muito tempo em narrativas aprofundadas. Não é verdade que texto longo afaste o leitor”.
Apesar da pressão pelo acesso, pois agora todos medem audiência, via Google Analyticz ou outros sistemas, o “Washington Post” não quer aderir ao esquema do “Buzzfeed” (site que publica listas). De fato, há sites, portais e blogs que estão trocando reportagens sérias e equilibradas pela publicação intensiva de listas ou reportagens sensacionalistas sobre políticos e, sobretudo, atores de novela e cinema e modelos. “Não queremos só histórias frívolas. Seria destrutivo com nossa marca, com nossa identidade. (...) Há um enorme mercado para assuntos sérios. Mas não é porque sejam sérios que precisam ser chatos. Contar uma história séria de forma envolvente e entretida é um enorme desafio. Essas são as mais lidas”, afirma Marty Baron.
A tecnologia pode ser um poderoso instrumento para aumentar a leitura dos jornais, avalia Marty Baron. “A narrativa mudou muito com a interatividade. O mais interessante é a integração das ferramentas em um único texto, nos lugares apropriados, dar o contexto. Se você está no meio de uma reportagem e se fala da gafe de um político ou da violência policial, e você tem o vídeo que alguém fez na hora, você pode mostrar ali, na hora. Coloque o gráfico ali, a cópia do documento para quem quiser se aprofundar. (...) Tem que estar tudo bem trançado. É para isso que investimos tanto em tecnologia.”
Não adianta ter grandes assuntos se as pessoas dos jornais não investem na sua divulgação. Por isso o “Washington Post” mantém 47 engenheiros na redação, trabalhando ao lado dos jornalistas. “Estão na editoria de Política, no time de infográficos, por todas as partes. Contar uma história hoje acontece em uma ambiente digital. Se você quer tirar o máximo de proveito, eles [engenheiros] precisam estar por perto, você precisa de engenheiros que saibam programar, fazer apresentações complicadas, interativas. O repórter sabe apurar, escrever, mas não programar. A relação simbiótica de jornalistas e engenheiros é fundamental.”
Nos Estados Unidos, como no Brasil, a publicidade na internet ainda é um problema. Está crescendo, mas ainda é inferior à do produto impresso. Marty Baron é sincero: “Não tenho a resposta de como fazer dinheiro agora, sinto muito”. Ele disse isto e riu. “A receita do impresso é dominante ainda, mas é declinante, o número de leitores declina, não será uma queda gradual, será uma queda acelerada, até cair de vez. Fazer o impresso e o digital ao mesmo tempo é um desafio. (...) Se fôssemos apenas digital, as receitas e os cursos seriam menores”. O problema é que quem migrou em definitivo para a internet — abandonando o formato impresso, caso do “Jornal do Brasil” e da “Newsweek” — fracassou editorial e financeiramente.
Depois de falar de negócios, e frisar que sua área é mesma a jornalística — um toque sutil no entrevistador —, Marty Baron contou que o “Post” faturou um Pulitzer este ano com uma reportagem, por sinal longa, “sobre as falhas do Serviço Secreto” americano. “O que eu gosto é do jornalismo que explica o mundo, que explica assuntos com nuances, mais profundos. Tudo que puder para fugir de slogans de políticos, de comentaristas com frases feitas.”
Ao final da entrevista, Marty Baron sublinha que o “Post” jamais deixa de publicar uma reportagem “porque o governo pediu”. É assim que se ganha o respeito da sociedade, sugere.
O Farmacêutico de Auschwitz” (Bertrand Brasil, 335 páginas, tradução de Miriam Bettina Paulina Bergel Oelsner), do historiador Dieter Schlesak, é um livro doloroso sobre a Segunda Guerra Mundial, especialmente sobre o campo de extermínio mais letal e mais emblemático dos nazistas. O livro, muito bem escrito, é apresentado como um romance documentário.
Condenado a nove anos de prisão, por cumplicidade no genocídio de judeus, ciganos, homossexuais e opositores políticos do nazismo, Victor Capesius morreu em 1985, na Alemanha Ocidental (a capitalista).
O britânico Ian Kershaw é um dos maiores historiadores da Segunda Guerra Mundial. Sua biografia de Hitler, publicada no Brasil pela Companhia das Letras (trata-se de uma versão condensada pelo próprio autor), é um clássico, pela pesquisa exaustiva e, sobretudo, pela interpretação perspicaz, e não meramente condenatória, do líder friamente racional, apesar da aparente loucura. Agora, a mesma editora publica “O Fim do Terceiro Reich — A Destruição da Alemanha de Hitler, 1944-1945” (tradução de Jairo Arco e Flexa, 616 páginas), de sua autoria.
Ainda não li este livro, mas, a julgar pelas avaliações de dois historiadores gabaritados, Antony Beevor — autor do excelente “A Segunda Guerra Mundial”, que merece, urgente, edição brasileira (a portuguesa é muito boa); Beevor sugere que a batalha começou antes de 1939, e na Ásia — e Mark Mazower, vale figurar na pole position da lista dos leitores que se interessam pelo assunto. Ian Kershaw [foto acima] ainda tem a vantagem típica dos intelectuais ingleses: escreve muito bem, com o máximo de clareza. Não há esse negócio de “no bojo de” e “em última instância”.
Alguns comentários sobre o livro
“O Fim do Terceiro Reich se tornará certamente a grande referência sobre a derrocada terrível do nazismo.” — “The Financial Times”
“A melhor tentativa de entender por que a Alemanha nazista continuou a lutar até a destruição total.” — Antony Beevor, “The Telegraph”
“O Fim do Terceiro Reich tem por assunto um dos maiores enigmas históricos do século XX. Como se pode explicar a extraordinária coesão da sociedade alemã até o último minuto? Como entender a ausência de revolta, a pusilanimidade, as relativamente baixas taxas de deserção entre as Forças Armadas e o controle tenaz e renitente do Estado pelo Partido Nazista à custa da vida de pessoas comuns?” — Mark Mazower, “The Guardian”
Dada a omissão do secretário de Saúde de Goiás, Leonardo Vilela — um diplomata —, o superintendente-executivo da pasta, a eminência parda Halim Antonio Girade, seria o responsável pelo afastamento do chefe setorial de Comunicação, Alexandre Bittencourt [foto, do Facebook].
Halim Girade, segundo um deputado estadual tucano, vai substitui-lo por Iara Lourenço.
Alexandre Bittencourt, que fazia um trabalho competente, deve trabalhar na assessoria de imprensa direta do governador Marconi Perillo.
Parece que Henry James mudou-se para Goiás: tal a ambiguidade da política do Estado. O escritor americano se queria inglês, mas quem diria: acabou no Irajá, quer dizer, no Cerrado.
A oposição é ligeiramente cautelosa com a secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão Costa, porque entende que o responsável pela gestão da economia do Estado é o governador Marconi Perillo. Não há o que discutir: Ana Carla formula, mas não executa nada sem a autorização do tucano-chefe.
Porém, se a oposição percebe Marconi Perillo como o responsável pela política econômica e fiscal do governo de Goiás, a situação, para não criar arestas com o símbolo de fato do poder, prefere transformar Ana Carla em alvo.
Digamos que Ana Carla saia do governo. O que acontece? Nada. A política rigorosa de contenção de gastos será mantida. O que vai mudar? Os políticos da situação — os mais “corajosos” ou “ousados” — vão atacar o novo secretário da Fazenda. Mas deveriam enfrentar, de cara, o governador Marconi Perillo. Será mais eficaz, quem sabe.
Talvez seja mais conveniente — política é interesse e conveniência — reler "Retrato de uma Senhora", "As Asas da Pomba" ou "A Taça de Ouro", romances obras-primas de Henry James [foto acima]. No caso, a ambiguidade é mais bem delineada.
A discussão proposta pela reportagem de O Popular sobre a forma de efetuar os descontos de impostos e afins dos salários dos servidores em tempos de parcelamento é legítima, mas é possível fazer algumas ressalvas:
1 — A jornalista Fabiana Pulcineli retoma assunto cinco dias após o depósito dos salários. Fato coincide com sua volta das férias e sua linha de atuação;
2 — O jornal assume, em chamada de capa, informação apresentada pelo Sindicato de que “teve servidor público que recebeu 50 reais”. Cadê o contracheque? Informação de Sindicato é imparcial e corresponde necessariamente à verdade? Da mesma forma, o jornal não comprova que “teve servidor que chegou ao sindicato chorando”;
3 — O Estado não pode ser responsabilizado pelo endividamento dos servidores. O consignado é um benefício, mas a responsabilidade sobre o peso dele na renda é do servidor e não do Estado. Neste caso, é válida a discussão sobre efetuar a cobrança na segunda parcela;
4 — Reportagem reconhece que parcelamento mantém salários em dia — apesar de levantar a questão do legado da gestão e que isto foi compromisso reafirmado em campanha –, mas não retoma as razões apontadas pela Fazenda e pelo governo para que isso esteja sendo feito;
5 — A reprodução da frase da servidora de que “comissionado ganha o dobro” é completamente improcedente e a jornalista certamente sabe disso. Diferente de comparar os salários de efetivos com cargos de chefia, para os quais, inclusive, há gratificações para servidores efetivos que os exerçam.
A ideologização da cobertura continua evidente e volta às manchetes com uso da palavra "vice" para falar dos casos de dengue. Jornais nacionais falam em "epidemia" (“Globo” e “Valor”), “São Paulo lidera” (“Folha”), “dengue é mais grave e mortal em SP (outros)”.
O consultor Eduardo Tessler e o vice-presidente do Grupo Jaime Câmara, Maurício Duarte, cobram a redação para fazer jornalismo “mais quente” e “participante”, mas não ideologizado.
Programa imperdível para os aficionados da música popular brasileira. Caetano Veloso, ao lado de Chico Buarque, o mais importante artista vivo da MPB, canta no Centro Cultural Oscar Niemeyer na segunda-feira, 11. O show é o Abraçaço, que pode não ser dos melhores, mas não é ruim. Caetano, mesmo quando mediano, é muito melhor do que a maioria dos artistas patropis.
Caetano vai abrir a programação do Festival Bananada 2015. Também se apresentar Criolo, Pato Fu, Tropkillaz, Omulu e Boogarins. O festival será realizado em sete dias, de 11 a 17 de maio, em cinco palcos alternativos: Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON), El Club, Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (UFG), Diablo Pub e Suqueria.
O Real Madri derrota o Barcelona e gigantes como Manchester United e Bayern
[Scarlet Johansson]
As publicitárias australianas Nadia Ahmad e Josephine Burns, de Sydney, com uma ideia na cachola e as mãos no Photoshop decidiram colorir de ruivo o cabelo de celebridades — como Barack Obama, Charlize Theron, Manny Pacquiao, Beyoncé, Taylor Swift, Scarlet Johansson e muitos outros (confira em http://putarangonit.tumblr.com/).
[Barack Obama]
“Ranga” (derivado de orange, laranja) é gíria australiana para ruivo. Segundo “O Globo”, “o título do blog une a expressão à famosa frase ‘put a ring on it’, da música de Beyoncé”. Uma criadora do blog dos ruivos contou que sua pretensão era “aproveitar” o trocadilho que considera “infame”. “O nome era bom demais para não ser usado, então eu resolvi focar em rostos famosos, e as reações têm sido ótimas com apenas alguns dias do site no ar”, diz Nadia Ahmad. O site está no ar desde 28 de abril.
[Manny Pacquiao]
Os xiitas vão dizer: “Mas que falta do que fazer!”. Há os que vão patrulhar: “Mas que mau gosto!” Tudo verdade? Sim. Mas às vezes é divertido e relaxante ver coisas que não tem tanta importância assim... Eu confesso que olhei todas as fotos, com a curiosidade das crianças.
[Charlize Theron]
É impressão minha ou Charlize Theron ficou mais bonita ruiva? Não sei, não. Parece que ficou. Bem, ela é bonita de qualquer maneira, não é, leitor?
O líder bolchevique, tido como o “homem de gelo”, teria chorado ao receber a notícia sobre a morte da bela revolucionária "anarquista"
O livro “Otávio Lage: Empreendedor, Político, Inovador”, do jornalista Jales Naves, que resgata a trajetória do governador que mais construiu obras essenciais para o Estado de Goiás, será lançado na quinta-feira, 7, às 17h, no Salão Nobre dr. Henrique Santillo, na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. A iniciativa é do presidente da AL, Helio de Sousa.
Com a presença de familiares, parlamentares e convidados, será prestada homenagem ao político que, eleito pelo voto popular (não foi indicado pela ditadura), governou Goiás de 1966 a 1971.
O foco da gestão de Otávio Lage eram três áreas: educação, energia e rodovia. Governador, mantinha relacionamento respeitoso com o Legislativo.
Na sexta-feira, 8, às 19h, o livro será lançado na Câmara Municipal de Goianésia.
Entrevistado do programa Roda Viva da TV Cultura, articulista da Veja afirma que se cansou do Brasil e que o jornalismo brasileiro está decadente por não acompanhar com rapidez as novas mídias digitais
Escolha é do Colegiado do Departamento de História da UnB. A tese vai representar o programa de pós-graduação no Prêmio Capes, que escolhe as melhores teses do Brasil
[caption id="attachment_34604" align="alignright" width="620"]
Racismo: jornalista Cristiane Damacena é negra, jovem e linda | Foto: Reprodução/Facebook[/caption]
A jornalista Cristiane Damacena é negra, jovem e linda. Cabelos curtos, dentes bonitos, bela expressão facial, elegância tipicamente natural, ar de inteligência visceral e, ao mesmo tempo, doce. Enfim, muito mais bonita do que várias modelos internacionais. É dessas mulheres que todos param para olhar. Depois, quando passam, as pessoas (homens e mulheres) dão uma olhadinha por cima dos ombros, para ver mais uma vez. Porque deixam saudade nos olhos. A repórter, talvez para homenagear sua beleza — o que é belo é para ser visto e mostrado —, postou sua fotografia no Facebook. De repente, começaram a atacá-la. A linguagem dos que a agrediram é chula — configurando racismo, mas sobretudo brutalidade, às vezes mais gratuita do que sistemática e sistêmica. “Macaca feia da porra”, “escrava”, “sorriso de merda” e “modelo de senzala só se for”.
Apesar da bestialidade dos que atacaram Cristiane Damacena, os elogios foram rápidos e em maior número e, sobretudo, os textos foram em geral mais consistentes. Disseram: “Que linda”, “Cristiane, minha flor, você é linda; comentários racistas devem ter sumido no meio de tantos elogios. Mas não baixe a cabeça”, “Que linda”, “Belíssima”, “Linda, muito mais do que muitos ‘brancos’. Tanto que são tão ignorantes que nem percebem que, por serem latinos, também sofrem preconceito. Você é linda por dentro e por fora”, “Olha, não permita que esses indivíduos (nem vou usar o termo pessoa) tirem sua alegria ou a afetem, seja qual for a forma. Você sabe que é linda, é talentosa, tenho certeza que é boa gente também. Essas coisas aí devem morar com os pais, são um bando de desempregado e mal amado, que procuram forças em outras pessoas, mas de maneira negativa. Quero ver procurar força no xadrez!”
Se há racismo, sistêmico ou não, há também forças contrárias rápidas e duras contra o preconceito racial. A sociedade brasileira reage ao racismo — é o que se depreende.
Ainda sobre a beleza. Na verdade, não é a beleza que está em questão. Pois, se fosse feia, Cristiane Damacena continuaria merecendo o respeito de todos.

