Eduardo Marques e Elder Dias

Os governos dos Estados Unidos, França, Argentina, México, Colômbia e Chile condenaram, separadamente, o ataque de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro às sedes dos Três Poderes em Brasília. Os apoiadores do ex-presidente que não aceitam o resultado da eleição e pedem uma intervenção militar ilegal invadiram o Supremo Tribunal Federal (STF), o prédio do Congresso Nacional e o Palácio do Planalto e depredaram o interior dos prédios.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, condenou os ataques contra as sedes da Presidência da República, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). “Usar violência para atacar as instituições democráticas é sempre inaceitável. Juntamo-nos a Lula ao pedir o fim imediato dessas ações”, escreveu o chefe da diplomacia americana no Twitter.

Quase simultaneamente, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, afirmou que Washington “condena qualquer tentativa de minar a democracia brasileira”. “O presidente [Joe] Biden está acompanhando de perto a situação e nosso apoio às instituições democráticas do Brasil é inabalável”, disse ele, que esteve no país nos dias após a vitória de Lula. “A democracia do Brasil não será abalada pela violência”, completou Sullivan, que em 2021 se encontrou com o então presidente Jair Bolsonaro e ressaltou a confiança americana na lisura do processo eleitoral brasileiro.

O deputado democrata Joaquin Castro, do estado americano do Texas, defendeu que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja extraditado ao Brasil, após milhares de manifestantes bolsonaristas invadirem e atacarem na tarde deste domingo, 8, os prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.

“Rejeitamos qualquer tentativa contra as instituições democráticas que esta nação irmã estabeleceu”, disse o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, em sua conta no Twitter.

Na mesma linha, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, condenou em sua conta no Twitter os acontecimentos e convocou uma “reunião urgente da OEA se ela quiser seguir viva como instituição e aplicar a carta democrática”.

Enquanto isso, o presidente chileno, Gabriel Boric, disse na mesma rede social que “o governo do Brasil conta com todo o nosso apoio diante desse covarde e vil ataque à democracia”.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, ofereceu apoio incondicional a Lula “diante da tentativa de golpe de estado que ele enfrenta”.

Em francês e português, o presidente da França, Emmanuel Macron, que planeja uma viagem ao Brasil, disse que “a vontade do povo brasileiro e as instituições democrática devem ser respeitadas”. O chefe do Palácio do Eliseu completa dizendo que o “presidente Lula pode contar com o apoio incondicional da França”.

Em nota, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, reiterou o apoio do bloco a Lula e afirmou que a “democracia brasileira prevalecerá sobre a violência e o extremismo”: “A União Europeia condena nos termos mais fortes os atos antidemocráticos de violência que ocorreram no domingo, 8 de janeiro, no coração do governo em Brasília”, disse ele. “Os líderes políticos brasileiros, e especialmente o ex-presidente Bolsonaro, precisam agir de forma responsável e pedir que seus apoiadores vão para casa. O lugar para resolver diferenças políticas é dentro das instituições democráticas do Brasil, e não pela violência nas ruas.”