A Petrobras pretende investir US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial entre 2026 e 2030, como parte da estratégia para ampliar a exploração de petróleo e gás e buscar novas reservas para o país. O plano prevê a perfuração de 15 novos poços na região, considerada uma das principais fronteiras exploratórias da companhia.

O valor representa uma parcela dos US$ 7,1 bilhões destinados pela Petrobras à exploração no Plano de Negócios 2026-2030. A companhia afirma que os investimentos são necessários diante do desafio de reposição das reservas e têm como destaque, além da Margem Equatorial, bacias localizadas no Sul e Sudeste e ativos exploratórios no exterior.

A Margem Equatorial ganhou ainda mais importância para a Petrobras após a identificação de hidrocarbonetos em águas ultraprofundas na costa do Amapá. A companhia anunciou a descoberta em 14 de agosto e vem ampliando as atividades exploratórias na região.

Três poços aguardam licença

Parte dos projetos ainda depende de autorização ambiental. A Petrobras protocolou no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pedidos para a perfuração de três novos poços na costa do Amapá.

O processo de licenciamento está em análise. A Petrobras apresentou informações complementares ao órgão ambiental em 14 de agosto, incluindo documentos relacionados à proteção da fauna marinha, resposta a possíveis emergências e avaliação dos impactos das atividades.

A liberação dos poços depende da conclusão da análise técnica do Ibama e do cumprimento das exigências ambientais estabelecidas pelo órgão.

Enquanto o licenciamento não é concluído, as atividades de perfuração nos pontos que dependem da autorização não podem começar.

Amapá ganha importância na estratégia da Petrobras

A costa do Amapá passou a ocupar posição de destaque nos planos da estatal. Em agosto, a Petrobras anunciou a descoberta de hidrocarbonetos em águas ultraprofundas na região, resultado da perfuração de um poço exploratório.

A companhia considera que os resultados obtidos podem ajudar a avaliar o potencial petrolífero da área e orientar novas atividades de exploração.

A Petrobras já mantém uma sonda em operação na Margem Equatorial. A unidade NS-42 realiza a perfuração do poço Morpho na região. A presidente da estatal, Magda Chambriard, visitou a sonda em 17 de agosto.

A estratégia faz parte do esforço da companhia para ampliar o conhecimento geológico de uma área que ainda possui elevado grau de incerteza sobre o tamanho e a qualidade das reservas.

Por que a Margem Equatorial é importante?

A Margem Equatorial é considerada pela Petrobras uma das principais novas fronteiras de exploração de petróleo no país. A área se estende por aproximadamente 2,2 mil quilômetros, do Rio Grande do Norte ao Amapá, passando pelos litorais do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará.

A região reúne cinco bacias sedimentares: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.

O interesse da Petrobras aumentou principalmente após descobertas de grandes reservas em países próximos, como Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Segundo a própria companhia, as características geológicas e o potencial estimado de hidrocarbonetos fazem da região uma área de interesse para a indústria de petróleo e gás.

A empresa considera a exploração estratégica para a reposição de reservas à medida que campos atualmente em produção avancem em seu ciclo de vida.

Investimento faz parte de plano de US$ 109 bilhões

Os recursos destinados à Margem Equatorial estão inseridos no Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras, que prevê US$ 109 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos.

Do total, US$ 69,2 bilhões serão destinados à área de Exploração e Produção (E&P), considerando a carteira de projetos em implantação alvo. Dentro desse montante, 10% correspondem à exploração.

A Petrobras prevê ainda a implantação de oito novos sistemas de produção até 2030, sendo sete já contratados. A expectativa da companhia é alcançar um pico de produção de petróleo de 2,7 milhões de barris por dia em 2028 e de 3,4 milhões de barris equivalentes de óleo e gás por dia entre 2028 e 2029.

Pressão ambiental

A expansão da exploração na Margem Equatorial também é acompanhada de questionamentos de organizações ambientais e comunidades tradicionais.

Entre as preocupações estão os possíveis impactos sobre ecossistemas marinhos, manguezais, áreas de pesca e comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais.

Um dos pontos de atenção é o chamado Grande Sistema de Recifes da Amazônia, conjunto de ambientes marinhos localizado na região e que reúne corais, esponjas e outras espécies.

Ambientalistas também apontam riscos relacionados a eventuais vazamentos de petróleo, além dos impactos provocados pela movimentação de embarcações e pelas atividades de exploração.

No Amapá, representantes de comunidades tradicionais e povos indígenas também defendem que os possíveis impactos sejam avaliados antes da expansão das atividades.

Petrobras diz que segurança ambiental é prioridade

A Petrobras afirma que a exploração na Margem Equatorial segue padrões técnicos e ambientais e que a companhia mantém protocolos de segurança para as operações offshore.

A estatal informa que já perfurou mais de 700 poços na Margem Equatorial ao longo de sua história e sustenta que as novas atividades são realizadas com padrões de segurança operacional e responsabilidade ambiental.

A empresa também afirma que o Plano de Negócios 2026-2030 mantém compromissos relacionados à sustentabilidade e à redução das emissões, ao mesmo tempo em que prioriza a produção de petróleo e gás.

O avanço da exploração, portanto, depende de dois fatores: a confirmação do potencial econômico das reservas e a obtenção das autorizações ambientais necessárias para a continuidade das perfurações.

Números da exploração

  • US$ 2,5 bilhões: investimento previsto na Margem Equatorial até 2030;
  • 15: novos poços previstos na região;
  • US$ 7,1 bilhões: investimento total previsto pela Petrobras em atividades exploratórias no quinquênio;
  • US$ 109 bilhões: investimentos totais previstos no Plano de Negócios 2026-2030;
  • 2,2 mil km: extensão aproximada da Margem Equatorial;
  • 5: bacias sedimentares que compõem a região;
  • 3: novos poços na costa do Amapá que dependem de licenciamento ambiental.