Petrobras prevê investir US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial e perfurar 15 poços até 2030
24 agosto 2026 às 08h27

COMPARTILHAR
A Petrobras pretende investir US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial entre 2026 e 2030, como parte da estratégia para ampliar a exploração de petróleo e gás e buscar novas reservas para o país. O plano prevê a perfuração de 15 novos poços na região, considerada uma das principais fronteiras exploratórias da companhia.
O valor representa uma parcela dos US$ 7,1 bilhões destinados pela Petrobras à exploração no Plano de Negócios 2026-2030. A companhia afirma que os investimentos são necessários diante do desafio de reposição das reservas e têm como destaque, além da Margem Equatorial, bacias localizadas no Sul e Sudeste e ativos exploratórios no exterior.
A Margem Equatorial ganhou ainda mais importância para a Petrobras após a identificação de hidrocarbonetos em águas ultraprofundas na costa do Amapá. A companhia anunciou a descoberta em 14 de agosto e vem ampliando as atividades exploratórias na região.
Três poços aguardam licença
Parte dos projetos ainda depende de autorização ambiental. A Petrobras protocolou no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pedidos para a perfuração de três novos poços na costa do Amapá.
O processo de licenciamento está em análise. A Petrobras apresentou informações complementares ao órgão ambiental em 14 de agosto, incluindo documentos relacionados à proteção da fauna marinha, resposta a possíveis emergências e avaliação dos impactos das atividades.
A liberação dos poços depende da conclusão da análise técnica do Ibama e do cumprimento das exigências ambientais estabelecidas pelo órgão.
Enquanto o licenciamento não é concluído, as atividades de perfuração nos pontos que dependem da autorização não podem começar.
Amapá ganha importância na estratégia da Petrobras
A costa do Amapá passou a ocupar posição de destaque nos planos da estatal. Em agosto, a Petrobras anunciou a descoberta de hidrocarbonetos em águas ultraprofundas na região, resultado da perfuração de um poço exploratório.
A companhia considera que os resultados obtidos podem ajudar a avaliar o potencial petrolífero da área e orientar novas atividades de exploração.
A Petrobras já mantém uma sonda em operação na Margem Equatorial. A unidade NS-42 realiza a perfuração do poço Morpho na região. A presidente da estatal, Magda Chambriard, visitou a sonda em 17 de agosto.
A estratégia faz parte do esforço da companhia para ampliar o conhecimento geológico de uma área que ainda possui elevado grau de incerteza sobre o tamanho e a qualidade das reservas.
Por que a Margem Equatorial é importante?
A Margem Equatorial é considerada pela Petrobras uma das principais novas fronteiras de exploração de petróleo no país. A área se estende por aproximadamente 2,2 mil quilômetros, do Rio Grande do Norte ao Amapá, passando pelos litorais do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará.
A região reúne cinco bacias sedimentares: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
O interesse da Petrobras aumentou principalmente após descobertas de grandes reservas em países próximos, como Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Segundo a própria companhia, as características geológicas e o potencial estimado de hidrocarbonetos fazem da região uma área de interesse para a indústria de petróleo e gás.
A empresa considera a exploração estratégica para a reposição de reservas à medida que campos atualmente em produção avancem em seu ciclo de vida.
Investimento faz parte de plano de US$ 109 bilhões
Os recursos destinados à Margem Equatorial estão inseridos no Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras, que prevê US$ 109 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos.
Do total, US$ 69,2 bilhões serão destinados à área de Exploração e Produção (E&P), considerando a carteira de projetos em implantação alvo. Dentro desse montante, 10% correspondem à exploração.
A Petrobras prevê ainda a implantação de oito novos sistemas de produção até 2030, sendo sete já contratados. A expectativa da companhia é alcançar um pico de produção de petróleo de 2,7 milhões de barris por dia em 2028 e de 3,4 milhões de barris equivalentes de óleo e gás por dia entre 2028 e 2029.
Pressão ambiental
A expansão da exploração na Margem Equatorial também é acompanhada de questionamentos de organizações ambientais e comunidades tradicionais.
Entre as preocupações estão os possíveis impactos sobre ecossistemas marinhos, manguezais, áreas de pesca e comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais.
Um dos pontos de atenção é o chamado Grande Sistema de Recifes da Amazônia, conjunto de ambientes marinhos localizado na região e que reúne corais, esponjas e outras espécies.
Ambientalistas também apontam riscos relacionados a eventuais vazamentos de petróleo, além dos impactos provocados pela movimentação de embarcações e pelas atividades de exploração.
No Amapá, representantes de comunidades tradicionais e povos indígenas também defendem que os possíveis impactos sejam avaliados antes da expansão das atividades.
Petrobras diz que segurança ambiental é prioridade
A Petrobras afirma que a exploração na Margem Equatorial segue padrões técnicos e ambientais e que a companhia mantém protocolos de segurança para as operações offshore.
A estatal informa que já perfurou mais de 700 poços na Margem Equatorial ao longo de sua história e sustenta que as novas atividades são realizadas com padrões de segurança operacional e responsabilidade ambiental.
A empresa também afirma que o Plano de Negócios 2026-2030 mantém compromissos relacionados à sustentabilidade e à redução das emissões, ao mesmo tempo em que prioriza a produção de petróleo e gás.
O avanço da exploração, portanto, depende de dois fatores: a confirmação do potencial econômico das reservas e a obtenção das autorizações ambientais necessárias para a continuidade das perfurações.
Números da exploração
- US$ 2,5 bilhões: investimento previsto na Margem Equatorial até 2030;
- 15: novos poços previstos na região;
- US$ 7,1 bilhões: investimento total previsto pela Petrobras em atividades exploratórias no quinquênio;
- US$ 109 bilhões: investimentos totais previstos no Plano de Negócios 2026-2030;
- 2,2 mil km: extensão aproximada da Margem Equatorial;
- 5: bacias sedimentares que compõem a região;
- 3: novos poços na costa do Amapá que dependem de licenciamento ambiental.


