Os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, estão prestes a assumir o controle da Avibras, uma das principais empresas brasileiras do setor de defesa. A compra de 100% da companhia pelo Grupo J&F foi apurada pela Coluna Capital, de O Globo. O valor total da negociação não foi informado.

A operação será feita pela Globe Investimentos, empresa ligada à J&F. O grupo já havia participado de investimentos na Avibras e, agora, deve ficar com o controle integral da companhia.

A chegada dos Batista acontece depois de anos de dificuldades financeiras e de uma longa paralisação das atividades. A Avibras entrou em recuperação judicial em 2022, com uma dívida de cerca de R$ 600 milhões, e passou por uma série de tentativas de reestruturação até conseguir retomar a produção.

Avibras passou anos entre dívidas e paralisação

Criada em 1961 por engenheiros formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Avibras construiu sua história principalmente no desenvolvimento de equipamentos para as Forças Armadas. Um de seus produtos mais conhecidos é o sistema Astros, usado para lançamento de foguetes e vendido também para outros países.

A fase mais difícil da empresa começou em 2022, quando a Avibras pediu recuperação judicial. O processo tramita na 2ª Vara Cível de Jacareí, em São Paulo.

O plano apresentado pela empresa foi aprovado pelos credores em julho daquele ano, mas a situação financeira continuou complicada. Em 2025, depois de novas negociações, os credores aprovaram um plano alternativo apresentado pelo fundo Brasil Crédito, um dos principais credores da companhia. A Justiça homologou o plano em junho daquele ano.

A recuperação judicial, porém, ainda passou por uma disputa nos tribunais. Recursos apresentados pelo Banco Fibra e pela União suspenderam temporariamente os efeitos da decisão. Em março de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou os recursos, e o plano voltou a valer.

Enquanto isso, os trabalhadores enfrentavam uma das greves mais longas da história da empresa. A paralisação começou em setembro de 2022 e durou mais de três anos. O movimento terminou somente em 2026, depois de um acordo para o pagamento de cerca de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas.

A produção também ficou parada por esse período e só foi retomada neste ano, depois da entrada de novos recursos. A empresa passou a operar como Avibras Aeroco, estrutura que agora deverá ficar sob o comando do grupo dos Batista.

Defesa ganha espaço e indústria espera crescer

A mudança de controle ocorre em um momento em que o governo federal voltou a colocar a indústria de defesa entre as áreas estratégicas para o país.

Em discurso realizado em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado, 22, que pretende aumentar os investimentos em Defesa. O petista disse que não quer guerra com outros países, mas defendeu que o Brasil esteja preparado e tenha capacidade própria na área.

A aposta do governo acompanha um movimento de crescimento da indústria brasileira de defesa no exterior. Em 2025, o setor atingiu um recorde de US$ 3,1 bilhões em autorizações para exportações de produtos e serviços, 74% a mais que no ano anterior. Em relação a 2023, o crescimento chegou a cerca de 114%.

Empresas brasileiras do setor já vendem para cerca de 140 países. Entre os principais compradores estão Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal.

Leia mais: Wesley Batista rompe silêncio sobre delação da JBS e relembra origem da família em Goiás