Vanderlan Cardoso pode disputar o governo de Goiás pelo PSD em 2022

O senador não descarta apoiar Francisco Júnior para prefeito de Goiânia e o PSD admite bancá-lo para governador

O senador Vanderlan Cardoso foi eleito, em 2018, pelo PP. Por isso, está satisfeito no partido. Mas um político de proa só fica totalmente contente com seu partido quando o controla. No caso do Progressistas, apesar da força de ser senador, que pesa muito, o comando partidário não pertence a Vanderlan Cardoso, e sim a Alexandre Baldy, ex-ministro, secretário do governo de João Doria e aliado político do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

Vanderlan Cardoso: uma aposta para o governo de Goiás | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Não que Vanderlan Cardoso e Alexandre Baldy andem às turras pelo comando do PP (frise-se que os dois são diplomáticos, moderados e respeitosos). Não há nada disso. Mas sabe-se que o mandachuva é o segundo e não o primeiro. Tanto que, no momento, o senador articula politicamente, de maneira mais ativa, tão-somente em dois municípios relevantes em termos eleitorais — Senador Canedo e Goiânia. Nas duas cidades, a articulação de candidatos a prefeito e vereador passam pelas mãos de Vanderlan Cardoso. Está combinado assim e o ex-ministro está cumprindo a sua parte — quer dizer, não está interferindo.

Há quem aposte que, no fundo, Vanderlan Cardoso quer disputar a Prefeitura de Goiânia. Na verdade, o senador gostaria de ser prefeito da capital, mas não a partir do próximo pleito. Ele avalia que está fazendo um trabalho de valor no Senado e que a Casa é muito importante tanto para o país quanto para Goiás. E também para os empresários — dos quais se coloca como representante. Não que a capital não tenha importância, mas, por ser senador, ele acredita que o cargo que deve ambicionar é deve ser mais alto — ou seja, o governo do Estado, em 2022.

Francisco Júnior pode ser bancado por Vanderlan Cardoso em Goiânia | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Por isso, para cacifar-se, Vanderlan Cardoso está jogando para montar uma base política que o leve a ter mais força em 2022. Em Goiânia, num primeiro momento, o senador articulou para Maguito Vilela disputar a prefeitura, e pelo PP. Mas o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia planeja disputar pelo MDB, e com o apoio do alcaide Iris Rezende. Como este também quer ser candidato, o quadro está complicado e, portanto, Maguito Vilela pode ficar fora do páreo.

Como sabe que não pode articular apenas num front, pois senão ficará sem alternativa, Vanderlan Cardoso mantém conversações em dois campos — com o PSD do deputado federal Francisco Júnior e do ex-deputado federal Vilmar Rocha e o PSB do deputado federal Elias Vaz e do deputado estadual Lissauer Vieira.

Vilmar Rocha alertou Vanderlan Cardoso de que não tem compromisso para o governo em 2022 e pode apoiá-lo | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Durante um bom tempo, Vanderlan Cardoso e Elias Vaz estiveram muito próximos, inclusive filiados ao PSB, e se tornaram amigos. Porém, com a aproximação entre o deputado e o senador Jorge Kajuru, houve um afastamento, não em termos afetivos, e sim políticos. Porque, se Elias Vaz for eleito prefeito de Goiânia, quem pode ficar forte, para a disputa do governo em 2022, será não Vanderlan Cardoso, e sim Kajuru. A tendência, portanto, é que Vanderlan Cardoso se afaste, em termos políticos, de Elias Vaz.

Resta-lhe uma alternativa: bancar Francisco Júnior para prefeito de Goiânia. Numa reunião, Vilmar Rocha e Francisco Júnior disseram a Vanderlan Cardoso que não têm compromisso para governador em 2022 e, por isso, podem apoiá-lo. O senador gostou da conversa e o diálogo, estabelecido, não cessou mais.

No caso de deixar o PP, se avaliar que seu espaço está sendo cerceado — o que ainda não é evidente —, Vanderlan Cardoso poderá ir para o PSD? Não há nada certo. Mas as portas do PSD estão permanentemente franqueadas para o senador. A questão é que o hoje líder do Progressistas — por sinal, respeitado pelo partido no Congresso Nacional, sempre sendo chamado para os grandes debates pelos líderes — sabe que, numa disputa para o governo do Estado, é preciso construir uma frente política ampla. Não basta ter o PP, não basta ter o PSD. É preciso articular com outros partidos. Sair do PP, para aderir ao PSD, significa fechar uma porta — a do PP. Por isso, Vanderlan Cardoso, antes de tomar qualquer decisão, vai esperar o quadro ficar mais nítido, sobretudo depois das eleições municipais de 2020. Será preciso verificar com quais forças se poderá contar a partir do próximo pleito municipal.

Detalhe: não há nenhuma articulação neste sentido, mas o PSDB também está de olho grande no passe de Vanderlan Cardoso. O senador Tasso Jereissati, do PSDB do Ceará, já chegou a mencionar seu nome para pelo menos um político de Goiás.

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