União Brasil pode bancar o vice de Jair Bolsonaro?

Lançamento de Luciano Bivar, que certamente não será candidato, é um recado de “abertura” para o presidente

O jogo real da política é, em geral, descrito minuciosamente pela imprensa. Às vezes, dadas as sutilezas das mexidas no xadrez, até experimentados jornalistas e políticos deixam escapar a essência dos fatos, dos quase-fatos e dos não-fatos (que, adiante, podem se tornar fatos).

Veja-se o caso da discussão de quem será o vice do presidente Jair Bolsonaro. Os jornais “transcrevem”, com acerto, que o vice poderá ser o general Walter Braga Neto — da linha dura bolsonarista — ou um integrante do Centrão. O nome da ex-ministra Tereza Cristina Corrêa é um dos cotados. E há outros.

Como os políticos de primeira linha são altamente perspicazes, há mesmo algum deles que acredite que Braga Neto será o vice de Bolsonaro? É provável que não. Se Bolsonaro estivesse em primeiro lugar, com uma frente folgada em relação a Lula da Silva, não há mínima dúvida de que o presidente colocaria o general como vice. Porém, precisando crescer, reforçando sua musculatura nos Estados, o mais provável é que o chefe do Executivo escolha um político para vice.

Jair Bolsonaro com Luciano Bivar e ACM Neto: a direita pode se unir para bancar o presidente da República contra Lula da Silva, da esquerda | Fotos: Reproduções

Neste momento, qual é o papel real de Braga Neto? O mais provável é que esteja “segurando” a vaga de vice para uma negociação política maior. Postando-o como vice, Bolsonaro segura, ao menos em parte, a luta pela vice. Ninguém gosta de “enfrentar” um general, ainda mais tão influente junto ao presidente e ao Exército, com o jogo sujo que se faz entre políticos.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, bem nos bastidores, o que se ouve, cada vez com mais frequência, é que Bolsonaro costura uma aliança para indicar um integrante do União Brasil na sua vice. O partido, que resultou da fusão do Democratas com o PSL, se tornou incontornável, com capilaridade eleitoral em todo o país. Se o presidente firmar uma aliança com o partido, dada sua musculatura, pode ser o que falta para aproximar-se ainda mais de Lula da Silva, notadamente no Nordeste do país.

Mas o União Brasil quer se aliar com Bolsonaro no primeiro turno? Se quer, por que está bancando Luciano Bivar para presidente da República? Parece difícil de entender, mas talvez não seja.

Os líderes do União Brasil estão, aparentemente, mais interessados nos pleitos estaduais e nas montagens de chapas competitivas para deputado estadual e federal e senador. Mas também estão de olho na polarização nacional. Uma coisa é certa: o partido não vai apoiar Lula da Silva no primeiro e, se houver, no segundo turno. Então, significa que pode apoiar Bolsonaro, ao menos no segundo turno. A articulação do presidente é outra: quer o apoio no primeiro turno. Porque, com a desistência de Sergio Moro, cresceu um pouco mais nas pesquisas de intenção de voto, mas agora precisa de um empurrão um pouco maior. Uma aliança com o União Brasil pode ser um grande empurrão — dada a força eleitoral do partido em praticamente todos os Estados.

Luciano Bivar poderia ser vice de Bolsonaro? Até pode. Mas há denúncias pessoais, tidas como graves, contra o presidente do União Brasil. Com ampla exposição, a tendência é que não seja candidato nem a presidente nem a vice. Mas não será impossível uma composição com o União Brasil já no primeiro turno. Entretanto, isto não será definido agora. Tanto Bolsonaro quanto a cúpula do União Brasil vão esperar um pouco mais. Se o presidente se tornar um bom aliado eleitoral nos Estados, voltando a ser o general eleitoral de 2018, a possibilidade de composição se tornará factível.

Um recado o União Brasil já enviou para o presidente Bolsonaro: Sergio Moro, seu arqui-inimigos na direita, não será seu candidato a presidente. Se o ex-magistrado fosse apresentado como candidato agora, a cinco meses e alguns dias das eleições, como se poderia retirá-lo depois? Não daria pé. Mas Luciano Bivar, pelo contrário, é um postulante a presidente, não para ser candidato, mas sim para ampliar a possibilidade de aliança política.

Uma resposta para “União Brasil pode bancar o vice de Jair Bolsonaro?”

  1. Avatar Jair Moreira de Souza disse:

    Falar verdade viu, eu entrei aqui pra ler essa reportagem, mais me deparei com uma matéria totalmente esquerdista, é só cogitação, principalmente quando dizem que o Bolsonaro precisa crescer nas pesquisas. Essa matéria é uma palhaçada é um lixo. Porque até mesmo uma criança sabe que o Bolsonaro está muito na frente de todos os seus concorrentes, porque todo mundo sabe que a pesquisa que vale é essa das manifestações nas visitas do Bolsonaro em todas as cidades onde ele vai

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