Um alerta da lógica àqueles que lutam pra ser vice de Gustavo Mendanha

No lugar de pleitearem a vice — de um prefeito —, políticos deveriam pleitear uma vaga na Câmara e construírem um mandato politicamente efetivo

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB), é uma revelação dupla — como gestor, considerado altamente eficiente até pelos (poucos) adversários, e como político. Por isso, na próxima eleição, tende a ser reeleito com facilidade — no primeiro turno. Não há nenhum postulante com 30% da musculatura político-eleitoral do emedebista.

Dado o favoritismo de Gustavo Mendanha, há praticamente um “campeonato” para ser seu vice na disputa de 2020. Fica-se com a impressão de que a disputa no município é mais para vice do que para prefeito. Vereadores e até deputados estariam postulando a vice… para si ou para aliados.

Gustavo Mendanha: o prefeito de Aparecida é uma revelação como administrador e político | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Mas, se Gustavo Mendanha já tem um vice — Veter Martins, do MDB — e o time está ganhando, como se fosse o Flamengo da política, por que trocá-lo? Qual a lógica de mexer numa aliança sedimentada e vitoriosa? Veter Martins, por sinal, é extremamente alinhado tanto com o prefeito quanto com o presidente do MDB, Daniel Vilela.

Veja-se outra lógica: uma nova composição política visaria reforçar a musculatura de Gustavo Mendanha. Entretanto, se a musculatura do prefeito é das melhores, em que uma nova composição a reforçaria? Em nada, possivelmente.

Uma revisada do histórico político de Aparecida talvez contribua para “acalmar” o exército de “vices”. De 1990 para 2016, três vereadores se tornaram prefeitos — Ademir Menezes (vereador em 1992 e prefeito em 1996), José Macedo e Gustavo Mendanha (que foi vereador duas vezes e presidente da Câmara Municipal). Mas nenhum vice-prefeito, no mesmo período, conseguiu ser prefeito.

Noutras palavras, no lugar de pleitearem a vice — e de um prefeito altamente atuante, quase onipresente —, os políticos deveriam pleitear uma vaga na Câmara e construírem um mandato politicamente efetivo. Vale frisar que alguns vices da cidade não se deram muito bem em termos políticos — casos de Rogério Arantes (vice de Ademir Menezes), Ozair José (vice de Ademir Menezes e de Maguito Vilela) e Tanner de Melo (vice do ex-prefeito Maguito Vilela, que, na eleição de 2012, disputou contra o emedebista — e perdeu). Portanto, não há garantia nenhuma de que, sendo vice de Gustavo Mendanha, determinado político será candidato a prefeito em 2024. Foi a partir da Câmara Municipal, na qual construiu um mandato popular, que Gustavo Mendanha se tornou um político conhecido e de ampla capacidade de articulação.

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