TNG, Le Postiche, Cavalera, Dudalina pedem recuperação judicial. Há outras empresas da moda em crise

O advogado Julio Mandel prevê “uma segunda onda de crise com pequenas e grandes redes entrando em processos de renegociação de dívidas”

Na sexta-feira, 21, a grife TNG pediu recuperação judicial. A empresa tem dívidas no valor de 250 milhões de reais. Segundo reportagem de “O Globo”, assinada por Bruno Rosa, a intenção do grupo “é buscar uma proteção para restabelecer o fluxo de caixa e evitar ações de execução. Com 600 funcionários, cerca de 90% da receita da empresa vêm das lojas físicas”.

A rede TNG, que tem lojas em shoppings, “fichou fechada por 200 dias desde o início da pandemia”, revela Tito Bessa Junior, fundador da empresa. O empresário informou ao Globo que 70 lojas da TNG foram fechadas. 100 lojas permanecem abertas.

A grife Cavalera pediu recuperação judicial no início de maio, em São Paulo. Suas dívidas são de 60 milhões de reais.

A Restoque, que dirige as grifes Le Lis Blanc, Dudalina e Rosa Chá, “entrou em recuperação extrajudicial no ano passado e negociou com os credores a emissão de debêntures” em fevereiro “no valor de 1,4 bilhão de reais”, assinala “O Globo”.

A Le Postiche e a Via Uno também pediram recuperação judicial. “Levantamento da consultoria Alvarez & Marsal mostra que ao menos 13 marcas foram obrigadas a pedir proteção contra credores com dívidas que ultrapassam os 5 bilhões de reais”, registra “O Globo”.

O setor de modas vive a “tempestade perfeita”, afirma José Antônio Ferraiuolo, sócio da X-Infinity, empresa especializada em reestruturação de empresas. “Os programas do governo de apoio do ano passado já foram usados e serviram como forma de amortecimento. Mas os problemas de 2020 foram empurrados para 2021. O volume de consultas no escritório de empresas do setor aumentou 25% neste ano”. A X-Infinity, “nos próximos dias, vai entrar com pedido de recuperação judicial de uma rede varejista com mais de 30 lojas espalhadas pelo país e dívidas superiores a 300 milhões de reais”, anota “O Globo”.

Sócio da Mandel Advocacia, o advogado Julio Mandel acredita na possibilidade de “uma segunda onda de crise com pequenas e grandes redes entrando em processos de renegociação de dívidas. Isso porque começam a vencer os empréstimos feitos nos primeiros meses de 2020, no início da pandemia”.

Julio Mandel sublinha que “as empresas cortaram custos e agora sofrem com aumento de commodities por causa da recuperação dos Estados Unidos e da China. As consultas de empresas buscando ajuda quase dobraram em relação ao segundo semestre de 2020. A Le Postiche fechou 40 lojas e investiu no comércio eletrônico. Está hoje com 147 endereços e tem dívidas de quase 65 milhões”.

“O Globo” relata que a dona da Salinas, da Ellus e da Richard — a InBrands — teria chegado “a fazer consultas com escritórios, mas nega que fará recuperação judicial”.

Os empresários torcem para que uma terceira onda da pandemia não leve ao fechamento do comércio, o que agravará a crise. Por isso defendem que é preciso vacinar os brasileiros o mais rápido possível. João Paulo Carvalho, sócio-diretor da A&M, postula que a retomada depende de se “acelerar a vacinação para evitar a terceira onda de Covid, o que afetaria ainda mais a recuperação do setor”.

João Paulo Carvalho sublinha que “a dificuldade hoje envolve empresas médias do setor, que têm pouco caixa para enfrentar a crise”.

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