Suspeita de ligação com JBS leva Cade a vetar aquisição do Mataboi por Júnior do Friboi

Cade revela que José Batista Sobrinho foi sócio de Júnior Friboi na JBJ e suspeita de que esta empresa seja um pedaço da JBS

Joesley Batista, Júnior Friboi e Wesley Batista: suspeita de que os três irmãos, e não apenas o do meio, estejam operando o negócio do frigorífico Mataboi

Quando deixou a JBS, há 10 anos, Júnior Friboi suspeitava que, um dia, a empresa entraria em decadência? A JBJ teria sido uma jogada da ou de parte da família? Não se sabe. Conta-se, ao deixar o grupo que era administrado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, teria recebido cerca de 10 bilhões de reais.

A JBJ, empresa criada por Júnior Friboi — a sigla remete ao seu nome, José Batista Júnior —, adquiriu o frigorífico Mataboi em 2014. Porém, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetou o negócio na quarta-feira, 18. A reportagem “Relações carnais”, de Bianca Alvarenga, da “Veja”, afirma que, “apesar de não haver um elo oficial entre a JBS e a JBJ, existe a possibilidade de a relação entre os irmãos Batista prejudicar a competição. A JBS já é grande demais. O Cade deu trinta dias para que a operação seja desfeita”. A empresa de Júnior Friboi decidiu recorrer.

Segundo a “Veja”, Júnior Friboi, ao fundar a JBJ, teria dito que iria criar uma nova JBS. Chegou-se a especular que sua saída do grupo teria sido traumática — quase um expurgo. “O Mataboi é o quarto maior abatedor de bois e o quarto maior exportador de carnes — perde para JBS, Marfrig e Minerva”, registra a revista. Como a JBS não podia comprar o Mataboi, para não configurar monopólio, o primogênito dos Batista decidiu adquiri-lo. “A JBS não pode fazer aquisições por causa do Cade. Mas eu posso”, teria dito Júnior Friboi.

Júnior Friboi comprou o Mataboi por 200 milhões de reais e colocou “260 milhões de reais para equalizar dívidas. As atividades de pecuária do empresário faturavam anualmente 75 milhões de reais. No ano passado, o faturamento do Mataboi atingiu mais de 2 bilhões de reais”, anota a “Veja”. “Entre os pecuaristas, sempre pairou a desconfiança de que Júnior contou desde o início com o respaldo dos irmãos.” Estranhamente, segundo a “Veja”, Wesley e Joesley Batista “foram vistos em encontros com os antigos donos do Mataboi”. “Velada, mas firme como nó de vaqueiro, a proximidade entre os irmãos foi a razão para o Cade vetar a compra. O parecer do relator apontou eventos que reforçam o elo. José Batista Sobrinho, o patriarca, chegou a ser acionista da JBJ”.

Até a revelação do Cade, não se tinha informação, no mercado, de que José Sobrinho Batista, o Zé Mineiro, havia sido acionista da JBJ, empresa de seu filho Júnior Friboi. José Sobrinho Batista reassumiu o comando da JBS, depois da prisão dos filhos Joesley e Wesley Batista.

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