Se João Campos disputar o Senado, Republicanos pode não eleger nenhum deputado federal

Jefferson Rodrigues precisa de João Campos e este precisa daquele. Se um não disputar, o outro pode não se eleger para a Câmara dos Deputados

O Republicanos está forte e não está prosa. O prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, pertence ao partido.

Como a capital é um mini-Estado, e a estrutura (e não só financeira) da prefeitura é gigante, o fato de Rogério Cruz chefiar o Executivo significa que o Republicanos se fortaleceu e passou a participar da política regional com mais energia.

Há quem, no partido, avalie que chegou a hora de o deputado federal João Campos disputar mandato de senador. O parlamentar quer, pois é um político popular, com amplo apoio nos meios policial e, sobretudo, evangélico (sobretudo na Igreja Assembleia de Deus, mas também na Igreja Universal). Na eleição de 2018, foi o quinto mais votado, com 106.014 votos (3,50% do eleitorado). Trata-se de uma votação extraordinária, mas ele só foi eleito graças ao quociente eleitoral (ao contrário do Delegado Waldir, de Flávia Morais e Zacharias Calil, que foram eleitos com seus votos).

João Campos: mais forte para deputado do que para senador | Foto: Divulgação

A pedra no caminho de João Campos é que o meio-campo na disputa por uma vaga no Senado — estará em jogo apenas uma vaga, a do senador Luiz Carlos do Carmo — está congestionado. O Republicanos pode pressionar, dada sua força recente — leia-se Rogério Cruz —, mas terá dificuldade para remover, por exemplo, um postulante com o peso de Henrique Meirelles, do PSD.

Então, com o quadro se “fechando”, sobretudo devido a “chegada” de Henrique Meirelles e a possibilidade de o ex-deputado Daniel Vilela, do MDB, aceitar a vice do governador Ronaldo Caiado, em 2022, a tendência — insista-se: tendência — é que João Campos dispute mandato de deputado federal. A possibilidade de ser reeleito é alta.

Mas há um problema, de alguma gravidade. Sem as coligações partidárias — que foram decisivas para a vitória de João Campos em 2018 —, o Republicanos, que irá para a disputa proporcional sozinho, terá dificuldade para eleger um único deputado.

A saída é montar um chapa com candidatos consistentes — como João Campos, Jefferson Rodrigues e pelo menos mais uns quatro postulantes.

Jefferson Rodrigues: deputado estadual do Republicanos| Foto: Divulgação

Há uma tendência a colocar João Campos em oposição a Jefferson Rodrigues. Há quem acredite que, se o deputado estadual for a deputado federal, poderá prejudicar a reeleição de João Campos. Talvez seja uma interpretação equivocada. Se articularem uma chapa azeitada — inclusive com a inclusão de outros parlamentares, que poderiam ser atraídos para o partido, como Lucas Vergílio, hoje pertencendo ao partido Solidariedade —, tanto João Campos quanto Jefferson Rodrigues poderão ser eleitos.

Portanto, na verdade, João Campos vai precisar de Jefferson Rodrigues e este vai precisar daquele em 2022 — se ambos disputarem mandato de deputado federal. Há quem aposte que um deles não será eleito. Pode ser. Mas há a possibilidade de os dois serem eleitos.

Porém, se João Campos disputar sozinho, sem a ancoragem de outros candidatos consistentes, poderá não ser reeleito. O mesmo pode ocorrer com Jefferson Rodrigues — o preferido da Igreja Universal, porque é pastor da igreja. Se for candidato solitariamente, ou ao lado de candidatos sem força eleitoral, também poderá ser derrotado.

Com mais presença em Goiânia, dado ter o prefeito Rogério Cruz, que pertence à Igreja Universal, o Republicanos está muito mais forte política e eleitoralmente. Ganhou estrutura, mas uma estrutura que precisa ser transformada (consolidada), em um ano e sete meses, em capilaridade eleitoral. A cúpula nacional do partido quer mais deputados federais e senadores para ter mais expressão na política nacional.

De resto, se disputar mandato de senador, João Campos pode perder (a possibilidade tem de ser considerada). Mais grave: se não disputar para deputado federal, persistindo o fim das coligações proporcionais, João Campos pode contribuir, sem ter a pretensão, para que o Republicanos não eleja nenhum deputado federal em Goiás. Como se disse, sem o atual parlamentar, Jefferson Rodrigues dificilmente terá como trocar a Assembleia Legislativa de Goiás pela Câmara dos Deputados, em Brasília. É uma questão de lógica, de realismo.

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