Se Iris Rezende bancar Maguito em Goiânia prova que quer fortalecer o MDB para 2022

Se for candidato, com o apoio de Ronaldo Caiado, o prefeito de Goiânia estará sinalizando que vai ficar contra os Vilela e o emedebismo

A realidade não está dada, quer dizer, está em construção. Assim, não se sabe o que que ocorrerá amanhã, o que não significa que não se pode especular a respeito, até porque o futuro é uma construção do presente. As relações entre o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, e Maguito Vilela, ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, são positivas. Eles se gostam como amigos e, mesmo, como aliados. Neste momento, há duas vertentes a respeito dos dois. A primeira sugere que Iris Rezende planeja ser candidato e que vai “trair” Maguito Vilela. A segunda postula que o alcaide quer terminar bem sua gestão, para concluir sua carreira política de maneira positiva, e que vai apoiar o aliado para prefeito, em 2020. Examinemos as duas versões.

Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Iris Rezende, prefeito de Goiânia: unidos contribuem para enfraquecer o MDB | Foto: Leandro Vieira/Divulgação

Primeira

Não dá para dizer que quais caminhos realmente tomarão Iris Rezende e Maguito Vilela (este é mais lógico e transparente: se Iris Rezende for candidato, vai apoiá-lo) daqui para frente.

A primeira hipótese — observe-se que não se trata, a rigor, de uma tese — adota como pressuposto que Iris Rezende vai cozinhar Maguito Vilela, sugerindo que pode apoiá-lo para prefeito, mas, na hora agá, vai deixá-lo na chapada (o senador Vanderlan Cardoso, do PP, é um dos adeptos da “teoria”, se teoria é).

Por que Iris Rezende se comportaria assim — abandonando um companheiro de longa data? Se acontecer o que se está dizendo, a resposta não será simples. Mas há uma hipótese. No momento, o prefeito da capital mantém uma forte ligação com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do DEM. Eleger Maguito Vilela em Goiânia significa colaborar para criar uma força política que pode ser decisiva para derrotar — ou pelo menos tentar — Ronaldo Caiado na disputa de 2022. Se jogar com Maguito Vilela, optando pelo emedebismo, o chefe do Paço Municipal estará jogando contra Caiado. Se jogar com Caiado, o alcaide estará jogando contra Maguito Vilela e Daniel Vilela, quer dizer, contra o projeto do MDB em 2022. A verdade tem de ser extraída da lógica exposta.

Segunda

Não se pode dizer que Iris Rezende é um político romântico. Porque não é. Político com sentimentos pode ser tudo, menos político. O prefeito é um realista absoluto, e sempre desconfiado. Ele sabe, como poucos, que sua imagem estava muito ruim e melhorou um pouco, porque, com as obras em vários pontos da cidade — sobretudo em lugares visíveis para a classe média, que mais o rejeita —, está passando a imagem de que está “trabalhando”.

Iris Rezende, prefeito de Goiânia, e Maguito Vilela, ex-governador de Goiás: unidos, fortalecem o MDB na capital e no Estado | Foto: Jornal Opçãol

O que quer Iris Rezende? Não se sabe exatamente e é provável que ele não diria nem ao seu (psic)analista, se tivesse um. Porque sabe apenas mais ou menos o que quer e certamente usará os próximos meses para auscultar o pulso dos eleitores da capital — que são tremendamente exigentes.

Depois de ouvir aliados do prefeito, os iristas de carteirinha, é possível concluir que Iris Rezende gostaria de continuar no comando do Paço Municipal por mais quatro anos — terminaria o mandato com 91 anos, a nove anos de completar 100 anos, um século. Porém, há os que admitem que o prefeito quer terminar bem seu mandato — com o objetivo de “fechar” sua história política. Não gostaria de conclui-la com uma derrota.

Se não quer terminar mal sua história, Iris Rezende vai fazer o quê? Há os que postulam que, ao cabo de quatro anos, se conseguir melhorar sua gestão, será um excelente cabo eleitoral. Possivelmente para Maguito Vilela. Por que o ex-prefeito de Aparecida?

Porque Maguito Vilela lhe é leal e, se eleito, não representará uma ruptura. No grupo de Iris Rezende não há nenhum político com cacife para disputar e ganhar uma eleição na capital. Maguito Vilela, que tem luz própria e não é seu adversário — apesar de divergências pontuais, sobretudo por causa do filho, o ex-deputado Daniel Vilela, presidente do MDB —, pode representar a salvação do emedebismo e, até, do irismo na capital.

Como não se trata de nenhum néscio, Iris Rezende sabe que, se fortalecer Ronaldo Caiado para a disputa de 2022, estará contribuindo para prejudicar o MDB. Por isso, para usar uma linguagem antiga, ele está na “espera”, aguardando o desenrolar dos fatos, mas contribuindo, direta e indiretamente, para formatá-los. A tentativa de atrair Adib Elias e Paulo do Vale, prefeitos de Catalão e Rio Verde, de volta para o MDB sinaliza que o prefeito da capital não está apostando no fortalecimento do grupo dos Vilelas? É o que parece…

Na política, ninguém engana ninguém (político que se diz enganado não é político). Portanto, Iris Rezende não está enganando Maguito Vilela e Ronaldo Caiado e não está sendo enganado. Na verdade, o prefeito está “jogando” com as possibilidades que a realidade lhe oferece. Em 2020, decidirá se caminha com o MDB — com Maguito Vilela — ou se caminha com Ronaldo Caiado, o político cujo projeto é subordinar o emedebismo para continuar no poder por mais quatro anos. A rigor, 2022 chegou antes mesmo de 2020 e os dois pleitos estão profundamente vinculados.

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Lia Kafé

Ótima reflexão…

Nilton César

Brilhante análise. Os caminhos ( opcoes) estão postos. Falta somente combinar com os russos!