Nenhum político de Goiás é tão próximo do presidente Michel Temer quanto Sandro Mabel. O ex-deputado federal tem uma sala no terceiro andar do Palácio do Planalto e mantém contatos frequentes com o peemedebista-chefe.

“O governo do Michel está indo muito bem. Mas o que não se pode é exigir que resolva os problemas de 13 anos deixados pelo governo do PT em um mês. O importante a ressaltar é que a equipe econômica sabe o que fazer para retirar o país da crise e já deu os primeiros passos. Os resultados não aparecem de imediato, mas a sociedade percebe que alguma coisa, bem de concreto, está sendo feita”, afirma Mabel. “Além de Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, os quadros que foram para o Banco Central, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Ipea e BNDES são de excelente nível. Um Pedro Parente na Petrobrás, com nomeações exclusivamente técnicas, é um sinal evidente de que se quer consertar as coisas.”    A pedido do presidente, afiança Mabel, “nós estamos articulando um Pacto Nacional Contra o Desemprego. Nosso objetivo é contribuir, ainda que com realismo, para reduzir o clima de pessimismo. Queremos acabar o círculo vicioso — demissões gerando demissões e, com isso, paralisando a economia como um todo —, com o objetivo de evitar que, da recessão, se chegue à depressão. O governo vai lançar uma campanha para estancar o clima de pessimismo”.

A oposição petista está no ataque e, por isso, a imprensa precisa distinguir o que é crítica consistente e o que é manipulação. “Falaram que o governo vai criar mais 14 mil cargos. Não é nada disso. O governo vai remanejar algumas pessoas de suas funções.”

Diferentemente de Dilma Rousseff, que propagandeava que tinha alergia de políticos, Michel Temer recebe políticos de vários partidos e não discrimina ninguém. “Michel é um democrata autêntico, um legalista em tempo integral. Ao saber que a turma que deixou o governo ‘zerou’ os computadores, não deixando nem mesmo o sistema operacional, numa ação de vandalismo explícito, o presidente, com sua calma e tolerância habituais, disse que iriam ‘arrumar a casa’. O objetivo dos ‘vândalos’ era dificultar o acesso às informações, mas rapidamente o governo colocou casa em ordem. É certo que a cada dia se descobre uma bomba nova, como dívidas em todos os lugares. Mas o governo de Michel já reuniu os dados básicos para decidir.”

Mabel conta que, dado o caos do governo de Dilma Rousseff, algumas embaixadas não pagavam aluguel e nem mesmo água e energia elétrica. O que o governo vai fazer com os empréstimos a Cuba e Venezuela, para citar apenas dois países? “O governo vai estudar o assunto com atenção. Os governos dos países que devem ao Brasil terão de pagar as dívidas. Mas sabe-se, de antemão, que não será fácil recuperar o que foi investido.”