Esmagado pela derrota eleitoral e prisão de seus líderes, o PSDB perdeu o rumo

Foto: Nathan Sampaio

O PSDB está destroçado em Goiás. As prisões de Jayme Rincon e de Marconi Perillo, mais do que meramente as derrotas eleitorais, deixaram o partido na lona. O partido tem seis deputados na Assembleia Legislativa, mas é como se não tivesse nenhum, ou apenas um (Gustavo Sebba) ou dois (Gustavo Sebba e Talles Barreto). A maioria quer aderir e apoiar o governador eleito Ronaldo Caiado. Por dois motivos. Primeiro, temem não conseguir eleger prefeitos em 2020 e receiam não conquistar a reeleição em 2022. Hoje, ao menos em Goiás, ser integrante do PSDB é como trabalhar num cemitério e, na falta de parentes, ter de carregar os caixões dos mortos. No caso, o partido é o caixão e é o morto. Políticos não gostam de ser enterrados junto com partidos que morrem.

Para a Câmara Federal, o PSDB só elegeu Célio Silveira. Ou melhor, o político do Entorno de Brasília se elegeu, apesar do PSDB. A tendência é que saia do partido e migre para a base do governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado. Ele já foi inclusive do DEM.

Silencioso, com sua discrição habitual, que intriga inclusive seus aliados, Ronaldo Caiado está articulando para neutralizar as oposições — exceto o PT, que é infenso à sua influência — e construir uma base sólida na Assembleia Legislativa. A tendência é que governe sem traumas no Legislativo e, em termos gerais, possivelmente poucos setores partidários farão críticas à sua gestão.

Parte do PSDB já abriu diálogo com Ronaldo Caiado. Os deputados Diego Sorgatto e Célio Silveira não vão lhe fazer oposição. Sebastião Caroço não tem problemas com Caiado — seus problemas são com o prefeito de Formosa, Ernesto Roller, que é primo do governador eleito. O MDB está praticamente sob seu controle — via Adib Elias, prefeito de Catalão, e outros líderes, como Paulo Vale, de Rio Verde, Renato de Castro, de Goianésia, e Ernesto Roller, de Formosa.

Ante o novo realinhamento político que está se formando em Goiás, quem fará oposição, então? Talvez o PT e alguns aliados isolados de Ronaldo Caiado, como o senador eleito Jorge Kajuru, o deputado Major Araújo e Amaury Ribeiro, deputado eleito este ano, que se comportam como outsiders incontroláveis. A tendência é que a oposição se dê fora do Parlamento. Setores corporativos dos servidores do Estado, se não forem atendidos em suas reivindicações salariais, ou se tiverem alguns de seus penduricalhos cortados, tendem a fazer críticas e manifestações públicas.