Há quem aposte que o prefeito define sua candidatura já nesta semana. O ex-prefeito de Aparecida também está de “plantão”

Primeira versão/Iris Rezende

Adverte-se o leitor: o prefeito de Goiânia, Iris Rezende Machado, é uma incógnita. Mais: uma incógnita que tentam mas não conseguem explicar há 62 anos (tempo que o emedebista milita na política de Goiás) não será resolvida com uma reportagem ou nota de jornal. O presidente do PSD, Vilmar Rocha, tem uma tese sobre o gestor municipal: “Só é candidato quando diz que não é candidato”. Pode ser. O fato, porém, é que, em geral, não diz que não é e nem que é candidato.

Na semana passada, Iris Rezende conversou com o governador Ronaldo Caiado, do Democratas. Os dois se tornaram amigos e aliados políticos. São combatentes irmanados do marconismo. Falaram de política. Falaram de sucessão em Goiânia. Falaram de sucessão no Estado em 2022. Falaram de tudo. Mas, definição mesmo, com anúncio público, não se tem.

O prefeito estaria indeciso sobre a reeleição? O que tem dito é que a prefeitura está ajustada, há obras concluídas e a concluir, e há dinheiro em caixa para obras estruturais. Mas o ajuste não foi fácil. Os dois primeiros anos foram difíceis. Agora, com a casa em ordem, vai entregá-la de bandeja… para “qualquer um”? Pode-se sugerir, até, que Iris Rezende gostaria de continuar como prefeito, mas não se anima muito é com a disputa eleitoral. Não por receio de perder, pois não há uma pesquisa séria que não o aponte em primeiro lugar — disparado, em ser ameaçado por nenhum outro postulante. Os motivos são outros. A pandemia do novo coronavírus o assusta e também assusta sua família. A campanha eleitoral, com críticas pesadas e às vezes injustas, também não o agrada. Porque se trata de um político com uma história consolidada e, na média, positiva. Mas, na era do xingamento, não se respeita nada.

Comenta-se que, na terça-feira, 25, Iris Rezende anuncia que será candidato. Se o fizer, começará a guerra pela vice. A lista é imensa; se brincar, é quase tão grande quanto a de pré-candidatos a prefeito. Uma lista reduzida: Maguito Vilela (MDB), Daniel Vilela (MDB), Romário Policarpo (Patriota), Célia Valadão (MDB — há quem postule que se deve seguir o exemplo do presidenciável Joe Biden, nos Estados Unidos, que pôs uma mulher, a senadora Kamala Harris, na vice), Wilder Morais (PSC), Wellington Peixoto (DEM), Sandes Júnior (PP) e Rafael Gouveia (PP).

Para a vice há três nomes mais “encorpados”, por assim dizer: Maguito Vilela, Daniel Vilela e Romário Policarpo (que disse ao Jornal Opção que prefere disputar a reeleição para vereador).

Maguito Vilela e Iris Rezende: aliados há mais de 30 anos | Fotos: Edilson Pelikano

Segunda versão/Maguito Vilela

Há outra versão a respeito do que está ocorrendo no MDB e nos bastidores do governo de Ronaldo Caiado.

Comenta-se que o candidato do MDB será Maguito Vilela e que o vice será o empresário Wilder Morais, hoje pré-candidato pelo PSC. Seria uma composição do agrado do governador Ronaldo Caiado, há quem sugira, porque estaria conectada à sua sucessão em 2022, quando espera contar com o apoio de todo o emedebismo, e não de grupos isolados. (Ressalva: o candidato de Ronaldo Caiado é mesmo Iris Rezende.)

O ex-governador Maguito Vilela e o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, estiveram com Ronaldo Caiado, no Palácio das Esmeraldas. Falaram só de questões administrativas? Não. Também falaram sobre política, tanto de 2020 quanto de 2022. A conversa teria sido positiva, respeitosa e republicana.

Mas, afinal, Maguito Vilela pode ser candidato a prefeito de Goiânia? Ele disse para um interlocutor, com todas as letras: só disputa se tiver o apoio de Iris Rezende. Mas procede que, se Iris Rezende for candidato, o grupo dos Vilelas não abre mão da vice?

Maguito Vilela não fala do assunto. Porque planeja mesmo, se Iris Rezende não anunciar sua candidatura, é disputar a prefeitura. “Maguito Vilela está de plantão, à espera do chamado de Iris Rezende, para assumir o comando da partida”, afirma um veterano emedebista. Integrantes do Podemos — como Felipe Cortês, presidente metropolitano — apostam em sua candidatura. Já membros do Patriota apostavam na sua postulação, mas agora admitem que as chances de Iris Rezende são maiores. Entre os que acreditam que Iris Rezende será candidato está o presidente da Câmara Municipal, Romário Policarpo. Mas ele já esteve entre os que apostavam em Maguito Vilela.

As relações pessoais e políticas entre Iris Rezende Maguito Vilela são positivas. Os dois se consideram amigos e estão juntos, em termos políticos, há mais de 30 anos. Se Iris Rezende disser que será candidato, Maguito Vilela vai assumir sua campanha, talvez como coordenador. Fica a ressalva de que há dois tipos de comentários: que Iris Rezende será candidato e que Maguito Vilela será candidato. É o óbvio ululante. Mas, como disse o antropólogo e escritor Darcy Ribeiro, até o óbvio precisa ser dito e lembrado.