Quadro de 2020 sugere que grandes vitoriosos são políticos que também são gestores

Roberto Naves, Paulo do Vale, Vanderlan Cardoso, Maguito Vilela, Gustavo Mendanha e Humberto Machado: os seis são políticos articulados e gestores eficientes

Cada eleição tem sua história específica e, claro, traz embutida um pouco da história de outros pleitos. Na disputa de 2020, para prefeito, os eleitores optaram, se as urnas confirmarem o que se dirá adiante, pela figura do político que tem experiência como gestor.

Vejamos pelo menos seis casos.

Vanderlan Cardoso, do PSD

Vanderlan Cardoso, senador:  candidato do PSD | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Em Goiânia, cidade que tem quase 1 milhão de eleitores — portanto, a mais decisiva, eleitoralmente, de Goiás —, aqueles que votam optaram por Vanderlan Cardoso, do PSD, e Maguito Vilela, do MDB, possivelmente porque são considerados como administradores eficientes.

Vanderlan Cardoso venceu em dois campos: o privado e o público. No Brasil, é mais difícil ser empresário do que ir à Lua. Pois o senador se tornou um empresário de sucesso, enfrentando planos econômicos desastrosos de vários governos, muito antes de se tornar político. Quer dizer, venceu na iniciativa privada, como um gestor altamente eficiente. Mais tarde, se tornou prefeito de Senador Canedo e promoveu uma espécie de resgate da cidade. O município mais parecia um bairro abandonado de Goiânia.

Depois de alguns anos de Vanderlan Cardoso no comando da prefeitura, Senador Canedo ganhou finalmente feições de cidade independente, não apenas na teoria, mas também na prática. A cidade adquiriu uma identidade, com empresas modernas se instalando em seu território e gerando empregos e dividendos para o Erário.

Em seguida, como senador, destacou-se em Brasília. Nas discussões econômico-tributárias, teve participação decisiva, tanto por seu grau de conhecimento como por seu posicionamento firme em defesa da sociedade.

Maguito Vilela, do MDB

Maguito Vilela, candidato do MDB | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Maguito Vilela, embora não tenha experiência na iniciativa privada, é um administrador eficiente no setor público. Entre 1995 e 1998, foi governador de Goiás, o mais bem avaliado do país, segundo pesquisas do insuspeito instituto Datafolha, que pertence ao grupo que dirige o jornal “Folha de S. Paulo”. Em seguida, ficou oito anos no Senado e, mais tarde, se tornou vice-presidente do Banco do Brasil. Recentemente, administrou Aparecida de Goiânia por oito anos e contribuiu para modernizar o município. Antes, Aparecida era vista como uma cidade-dormitório de Goiânia. Não é mais. Hoje, há moradores de Goiânia que já trabalham no amplo distrito industrial da cidade.

Gustavo Mendanha, do MDB

Gustavo Mendanha, prefeito de Aparecida de Goiânia | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Dada a gestão eficiente e moderna, Maguito Vilela fez o sucessor, Gustavo Mendanha, do MDB. Na disputa eleitoral deste ano, parecia até brincadeira. Candidatos surgiam sugerindo que iriam enfrentar o gestor de 38 anos, mas logo desapareciam. Dois deputados, um federal e outro estadual, chegaram a colocar seus nomes na ribalta, mas, ao perceber que davam “traço” nas pesquisas, desistiram rapidamente. O PSD chegou a bancar Veter Martins, mas o vice-prefeito recuou e continuou apoiando Gustavo Mendanha.

Qual é o segredo de Gustavo Mendanha? Mesmo não deixando de ser político — é tão diplomático e polido quanto Maguito Vilela —, ele demonstrou que é gestor. Mas não o administrador tradicional, que se contenta em pagar servidores públicos e fornecedores. Ele foi além de Maguito Vilela, promovendo, inclusive, uma revolução tecnológica em Aparecida, hoje considerada uma “cidade-inteligente”.

Humberto Machado, do MDB

Humberto Machado, candidato em Jataí| Fernando Leite/Jornal Opção

Em Jataí, segundo as pesquisas, o favorito é Humberto Machado, do MDB — várias vezes prefeito. O motivo de seu favoritismo é o mesmo: é considerado um gestor eficiente. Ele deu consistência à gestão pública no município. A gestão do prefeito Vinicius Luz, do partido Progressistas, é tida como competente (teria perdido a guerra da comunicação; as redes sociais, na cidade, são implacáveis). Mas a imagem de Humberto Machado como gestor — “o” gestor — ainda não foi apagada por nenhum outro nome.

Paulo do Vale, do Democratas

Paulo do Vale, prefeito de Rio Verde | Foto: Reprodução

Em Rio Verde, a cidade mais próspera do Sudoeste goiano, o prefeito Paulo do Vale, do partido Democratas, é até criticado, por ser considerado “ríspido” e “secão”, mas é bem avaliado como gestor. Daí seu favoritismo. Osvaldo Fonseca Júnior, do MDB, apresenta-se como “renovação” e “símbolo da mudança”, mas falta-lhe experiência com gestão pública.

Roberto Naves, do Progressistas

Roberto Naves: prefeito de Anápolis | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Em Anápolis, fala-se em vários fatores que “derrubaram” Antônio Gomide, do PT, e contribuíram para a ascensão do prefeito Roberto Naves, do Progressistas. Entre os fatores estão: rejeição ao PT, briga com religiosos e falta de apoio do governador Ronaldo Caiado e do presidente Jair Bolsonaro (que disse, com todas as palavras, que, se votasse em Anápolis, não votaria no candidato do PT).

Certo, tudo isto contribuiu para fortalecer Roberto Naves e enfraquecer Antônio Gomide. Mas há um fator decisivo, mostrado pelas pesquisas: os eleitores de Anápolis consideram que o prefeito é um gestor altamente eficiente.

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