PSD vai lançar Juraci Martins para prefeito de Rio Verde e MDB bancará o vice

O MDB tem dois pré-candidatos a prefeito. Mas um deles deve ser o vice do ex-prefeito. Haverá um frentão contra Paulo do Vale

Juraci Martins, possível candidato a prefeito de Rio Verde, como o deputado Paulo Cezar Martins e o ex-deputado federal Daniel Vilela | Foto: Divulgação

Comenta-se que o prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale, já se considera reeleito — a dez meses e alguns dias das eleições, que serão realizadas em outubro de 2020. Ancorado em pesquisas, o prefeito só estaria hesitando numa questão: não sabe se comparece à segunda posse com terno Armani ou Ermenegildo Zegna.

Mas uma coisa é certa em política: comemorar vitória antes da hora — ou seja, antes das eleições — é sempre um risco. Porque o favoritismo em determinado momento pode significar apenas que os eleitores ainda não consideram que há outro candidato competitivo. Não há dúvida de que, no momento, Paulo do Vale navega em céu de brigadeiro.

Noutras palavras, Paulo do Vale parece acreditar que controla a voz e a opinião dos eleitores. Mas, no mundo moderno, isto é uma ilusão. Os eleitores estão cada vez mais independentes e de olho nas novidades políticas. No momento, o prefeito lidera as pesquisas, porque está correndo sozinho na raia, quer dizer, é o único que está sendo visto. Procede também que sua gestão é bem avaliada — o que seus opositores não devem deixar de reconhecer, porque se trata de uma verdade.

Daniel Vilela, presidente do MDB, defende a união das oposições para enfrentar o prefeito Paulo do Vale | Foto: Divulgação

Chegou-se a falar num acordão na política de Rio Verde. Paulo do Vale seria candidato à reeleição com o apoio do presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira (PSB). Em seguida, em 2022, Paulo do Vale apoiaria Lissauer Vieira para deputado federal. Mas a “aliança” não chegou a cristalizar-se. Parece, até, que “gorou”. Mas o futuro, como se sabe, nem a Deus pertence.

Como Paulo do Vale não havia combinado com os “russos”, a oposição, depois do flerte — que, certamente, só beneficiaria o prefeito, que terá uma eleição pela frente daqui a alguns meses, enquanto 2022 está muito longe (e quem firmar alianças para 2022 agora talvez não consiga mantê-las) —, parece ter deixado a zona de conforto e começa a reagir. Pesquisas qualitativas sugerem que os eleitores — a despeito de não rejeitarem a gestão de Paulo do Vale — avaliam que a ideia de mudança é sempre salutar à democracia e à administração pública. Teme-se, por exemplo, que, num segundo mandato, Paulo do Vale se acomode e comece a se preparar — e a usar a máquina — para disputar mandato de deputado federal em 2022. Esquecendo os moradores e os problemas do município.

Paulo do Vale, prefeito de Rio Verde, subestima as oposições (e os eleitores) e já se considera “reeleito” | Foto: Reprodução

Osvaldo Fonseca Júnior

Recentemente, o MDB conseguiu uma filiação política importante — a do médico Osvaldo Fonseca Júnior, num evento que com a presença do presidente do MDB, Daniel Vilela, e do ex-governador Maguito Vilela. O pai de Fonseca Júnior foi prefeito de São Antônio da Barra e presidente da Câmara Municipal de Rio Verde. O irmão do médico, Leonardo Fonseca, é vereador em Rio Verde. Não se trata, portanto, de um neófito, porque conta com a experiência familiar. Seu DNA é político. O MDB está se preparando para acolher novos filiados.

Osvaldo Fonseca Júnior e o médico Eduardo Guimarães Abreu são pré-candidatos do MDB em Rio Verde. São fatos novos incontestes. Resta saber se terão musculatura para levar uma candidatura adiante. Quando se enfrenta um candidato “forte”, como Paulo do Vale, que tem o controle da máquina e montou uma poderosa armada eleitoral — inclusive com o apoio de parte da imprensa, que o considera uma espécie de deus —, é preciso criar uma alternativa “encorpada”, com apoio amplo e coeso.

Osório Santa Cruz, Paulo Cezar Martins, Manuel Cearense, Maguito Vilela, Eduardo Guimarães Abreu e Chequinho: MDB está coeso em Rio Verde | Foto: Divulgação

Na reunião com Daniel Vilela e Maguito Vilela, a dupla que realmente comanda, direta e indiretamente, o MDB em Goiás, o vice-presidente do MDB local, Manuel Cearense, enfatizou, falando em nome da executiva do partido, que “o MDB só abre mão da cabeça de chapa se Juraci Martins for candidato a prefeito”. Como fica? “Aí, o MDB indicará o seu vice. É a única maneira de abrir mão.” Um dos médicos, Osvaldo Fonseca Júnior ou Eduardo Guimarães Abreu, seria o vice.

Por que o nome de Juraci Martins voltou à tona? Sabe-se que o médico e ex-prefeito se tratou de problemas cardíacos e não parecia muito disposto a retornar à política. Mas, convencido por vários aliados, decidiu voltar.

Primeiro, Juraci Martins gosta de política e seus dois mandatos foram bem avaliados pelos rio-verdenses. Algumas obras inauguradas por Paulo do Vale, por exemplo, foram iniciadas pelo ex-prefeito. A rigor, ao menos uma dela, praticamente já estava concluída. Mas Paulo do Vale passou um “batom” aqui e outro ali e inaugurou como sua. Talvez tenha tão-somente plantado a grama.

Manuel Cearense e Chequinho: líderes do MDB em Verde | Foto: Divulgação

Segundo, o frentão que está se armando para enfrentar Paulo do Vale parece tê-lo entusiasmado. O deputado Lissauer Vieira, um dos políticos hoje de maior prestígio no Estado de Goiás, o apoiará. A frente ampla terá a participação de vários partidos — como MDB, PSB, PSDB e PSD. Outros líderes partidários estão chegando para conversar. Da reunião do MDB, ecumênica em termos políticos, participaram, por exemplo, Manuel Pereira, presidente do PSDB de Rio Verde e vereador, e Maria José, do PSDB, que foi vice do ex-deputado Heuler Cruvinel na disputa de 2016. Frise-se que Eduardo Guimarães Abreu é primo de Heuler Cruvinel. Sublinhe-se também que Nayara Barcellos, representante do senador Vanderlan Cardoso, do PP, esteve na reunião (Nayara deve ser candidata a vereadora pelo MDB). Osório Santa Cruz, político histórico e respeitado do município, pediu apoio para Juraci Martins. O deputado estadual Karlos Cabral, do PDT, também mandou representante.

Paulo Cezar Martins, Daniel Vilela e Eduardo Guimarães Abreu | Foto: Divulgação

Juraci Martins está trocando o Cidadania (ex-PPS) pelo PSD do ex-deputado federal Vilmar Rocha (a tendência é que seu tempo no programa de televisão seja o dobro do de Paulo do Vale — o que será um diferencial). O ex-prefeito vai assumir a presidência do PSD em Rio Verde nos próximos dias. A comissão provisória está sendo articulada. No encontro com o MDB, Juraci Martins foi tão aplaudido que um presente chegou a brincar: “Só se aplaude assim prefeito ou governador”. Daniel Vilela e Maguito Vilela praticamente o “aclamaram”.

A rearticulação das oposições prova alguma coisa? Ao menos três. Primeiro, o futuro é mais incerto do que se imagina. Segundo, quem decide o futuro não é Paulo do Vale, e sim, em termos de prefeitura, os eleitores — o que os oposicionistas finalmente perceberam. Terceiro, ganha eleição aquele que tem coragem de desafiar as chamadas “cobras criadas”, como Paulo do Vale.

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