A direita em Anápolis tem duas apostas hoje: Márcio Cândido, do PSD, e Márcio Corrêa, do MDB. Observe-se uma coisa: os dois compartilham o prenome idêntico e seus sobrenomes começam com a letra “C” e terminam com vogais — “O” e “A”.

Márcio Cândido e Márcio Corrêa têm apoios consistentes. O primeiro é o pré-candidato que será bancado pelo prefeito Roberto Naves, presidente estadual do Republicanos e um político articulado (fala-se que tem desgaste, e tem, pois está no poder há mais de sete anos consecutivos. Porém, mesmo com desgaste, um gestor municipal sempre influencia no pleito municipal). O segundo conta com o apoio do vice-governador Daniel Vilela, presidente estadual do MDB.

Márcio Corrêa, na recente pesquisa do instituto Paraná, aparece em segundo lugar, com 20% das intenções de voto. Ainda está distante do pré-candidato do PT, deputado estadual Antônio Gomide. Mas conseguiu descolar dos outros postulantes — o que sinaliza um quadro de polarização. Há outra questão: se o petista já está praticamente definido como candidato, tanto Márcio Corrêa quanto Márcio Cândido ainda não são vistos como candidatos. Isto talvez tenha permitido o descolamento do postulante red.

Márcio Cândido, vice-prefeito de Anápolis | Foto: Ascom

Quando houver uma definição, com a exposição direta dos nomes, há a possibilidade de Antônio Gomide cair para índices mais realistas, como já ocorreu em eleições anteriores.

Os eleitores estão de olho em Márcio Corrêa e Márcio Cândido: qual deles vai ser o candidato do governador Ronaldo Caiado e do ex-presidente Jair Bolsonaro (vale notar que os dois nomes têm 13 letras… o número do PT)?

A parceria com Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro tende a ser decisiva na disputa pela Prefeitura de Anápolis. Aquele que conquistar o apoio dos dois, pode sair na frente e, até mesmo, superar Antônio Gomide. A tendência é que aquele candidato que não conquistar o apoio do líder goiano (nascido em Anápolis) e do ex-presidente, se disputar, será um candidato enfraquecido, porque irá para a batalha isolado.

Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro: principais “generais” eleitorais em Anápolis | Foto: Divulgação

Entretanto, dada a força da direita em Anápolis (e é possível que os eleitores do município consideram que Antônio Gomide integra a direita do PT, por ser moderado), a possibilidade é de que, surpreendendo o coro dos contentes, um dos Márcios — ambos evangélicos — seja eleito prefeito de Anápolis.

É bem provável que o próximo prefeito de Anápolis tenha carimbado na “testa” a palavra, em letras garrafais simbólicas, direita. Posto isto, é preciso ressalvar que, no momento, Antônio Gomide está muito bem, de acordo com as pesquisas de intenção de voto. Tanto que, se brincarem, o petista poderá ser eleito no primeiro turno. O candidato da direita, qualquer que seja, será mais forte se entender que, contra um candidato da estatura do deputado petista, não poderá dispensar apoio de ninguém. Política não é espaço de “escolhidos” e “santos”. Política é lugar de todo mundo. Luta-se com os bons, os médios e até com os soldados ruins. Política é uma escola de realismo, não de bom-mocismo. (E.F.B.)