Procurador da República é preso por repassar informações privilegiadas a Joesley Batista, da JBS

Ângelo Goulart Villela teria recebido dinheiro do sócio da JBS-Friboi para repassar informações sigilosas da Operação Greenfield

Ângelo Goulart Villela: procurador da República que foi preso pela Polícia Federal

A teia da Lava Jato está ficando cada vez mais espraiada, para além do mundo político e empresarial (a Operação Mãos Limpas começou assim — até ser estendida para outras áreas). Na quinta-feira, 18, seguindo determinação do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal prendeu o procurador da República Ângelo Goulart Villela. Ele teria recebido dinheiro do sócio da JBS-Friboi Joesley Batista para repassar informações privilegiadas. O advogado Willer Tomaz também foi preso pela PF.

Joesley Batista relatou à Procuradoria da República, em delação premiada, que Ângelo Goulart Villela recebeu recursos financeiros ao repassar informações sigilosas da Operação Greenfield, que apura informações sobre lavagem de dinheiro e fraudes em fundos de pensão das estatais.

Ângelo Goulart Villela estava lotado na Procuradoria-Geral Eleitoral, onde a PF fez buscas e apreensões. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que a prisão de Ângelo Goulart Villela, por suposta corrupção, “tem um gosto amargo”. O Ministério Público Federal começa a cortar na própria carne para manter sua imagem de correção. O trabalho do MPF é um dos mais decisivos na história do país no combate à corrupção e a prisão de Ângelo Goulart Villela, longe de macular, fortalece a instituição — pois seus colegas não quiseram nem tentaram protegê-lo.

Em nota, reproduzida abaixo, Rodrigo Janot disse a respeito das relações do Grupo JBS-Friboi, dirigido pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, com o procurador que foi preso: “A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação de hoje será demonstrada no curso do processo perante os juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais”. Rodrigo Janot pediu a prisão do colega de Ministério Público ao Supremo.

Rodrigo Janot: cortando na carne do MPF | Foto Lula Marques/Agência PT

O comunicado de Rodrigo Janot aos membros do Ministério Público Federal

Prezados colegas,

Foi deflagrada nesta quinta-feira, 18 de maio, mais uma fase do caso Lava Jato, especificamente a partir de investigações que correm perante o Supremo Tribunal Federal. O sucesso desta etapa, contudo, tem um gosto amargo para a nossa Instituição.

Há três anos, revelou-se um esquema criminoso que estarrece os brasileiros. As investigações realizadas pelo Ministério Público Federal e outros órgãos públicos atingiram diversos níveis dos Poderes da República em vários Estados da Federação e, aquilo que, até então, estava restrito aos círculos da política e da economia, acabou chegando à nossa Instituição.

Exercer o cargo de Procurador-Geral da República impõe, não poucas vezes, a tomada de decisões difíceis. Nesses momentos, o único caminho seguro a seguir é o cumprimento irrestrito da Constituição, das leis e dos deveres institucionais. Não há outra forma legítima de ser Ministério Público.

A meu pedido, o ministro Edson Fachin determinou a prisão preventiva do procurador da República Ângelo Goulart Villela e do advogado Willer Tomaz. A medida está embasada em robusta documentação, coletada por meio de ação controlada. As prisões preventivas de ambos foram por mim pedidas com o objetivo de interromper suas atividades ilícitas. No que diz respeito ao procurador da República, o mandado de prisão expedido pelo STF foi executado por dois procuradores regionais da República com o auxílio da Polícia Federal. Também foram realizadas buscas e apreensões em seus endereços residenciais e funcionais. Foi pedido ainda o afastamento do procurador de suas funções no Ministério Público Federal. Determinei também sua exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao TSE e revoguei sua designação para atuar na força-tarefa do caso Greenfield.

O membro e o citado advogado são investigados por tentativa de interferir nas investigações da referida operação, que envolve o Grupo J&F, e de atrapalhar o processo de negociação de acordo de colaboração premiada de Joesley Batista.

A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação de hoje será demonstrada no curso do processo perante os juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais.

Como Procurador-Geral da República, cumpri meu dever institucional e adotei as medidas que a Constituição e as leis me impunham.

Sigamos confiando nas instituições republicanas.

Rodrigo Janot

Procurador-geral da República

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.