Presidente do Einstein diz que, se convocado, aceita ser ministro da Saúde

 “O papel do ministério é levantar números e ficar apresentando diariamente esses números na televisão? O ministério tem que procurar soluções”, diz Claudio Lottenberg

Cotado para ser ministro da Saúde do governo de Jair Bolsonaro, o presidente do Conselho Deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein, Claudio Lottenberg, de 59 anos, concedeu uma entrevista ao jornal “O Globo” na quarta-feira, 15, publicada sob o título de “Vou considerar convite se for convocação de natureza técnica”.

Lottenberg disse uma coisa que é néctar para os ouvidos de Bolsonaro: “Vou considerar se for uma convocação de natureza técnica e boa para o Brasil. Se tiver política, eu não sou a pessoa”. O médico afirma, porém, que não recebeu sondagem do presidente e de auxiliares mais próximos. Foi sondado por políticos e médicos. Sua entrevista sugere que se apresentando como o oposto do ministro Luiz Henrique Mandetta. É como se estivesse enviando um recado: “Sou diferente”.

Claudio Lottenberg: presidente do Hospital Einstein | Foto: Reprodução

Perguntado sobre a modelagem do isolamento social, Lottenberg apresenta uma longa resposta: “O Brasil tem alguns Brasis. Tem regiões onde teria que ser mais radical o isolamento e outras em que talvez pudesse ter um isolamento mais verticalizado, com maior flexibilidade. Em São Paulo, os hospitais de primeira linha não estão lotados porque nessa população o achatamento já está ocorrendo. Portanto, você já percebe que tem pessoas que poderiam estar voltando ao trabalho. Uma política de testagem em massa, avaliando a capacidade instalada hospitalar, poderia mostrar um mapa (de isolamento) um pouco diferente daquele que temos hoje. Eventualmente nessas regiões flexibilizar o isolamento”.

Um professor de Israel recomenda, e Lottenberg concorda com sua tese, “um isolamento em que as pessoas alternam períodos de isolamento com períodos de trabalho. São quatro dias de trabalho e seis de isolamento. Tenho a impressão [de] que deve existir uma alternativa mais criativa”.

A repórter Silvia Amorim inquire se o médico e executivo é a favor do isolamento vertical. “Existe um caminho porque existem populações imunizadas. Tem muita gente que foi assintomático, e a maior parte é assim, e são pessoas que poderiam estar em vida normal. Minha leitura é que temos a oportunidade de ser criativo. Agora o que você irá aplicar para São Paulo não é o que será adequado para Curitiba ou Florianópolis. Agora isso dá trabalho e exige inventário de instalação, mapa epidemiológico, conhecimento de economia de saúde”. As mudanças ou não no sistema de isolamento, frisa Lottenberg, devem passar pelos secretários da Saúde dos Estados.

A OMS sugere que a flexibilização do isolamento deve ser feita só depois de testagem em massa da população. Lottenberg concorda. “O ministério precisa fazer. O papel do ministério é levantar números e ficar apresentando diariamente esses números na televisão? O ministério tem que procurar soluções”, diz o médico. O jornal não insiste sobre o assunto, mas é evidente que se trata de uma crítica ao comportamento do ministro Mandetta.

O médico sublinha que “tem de botar energia total na testagem da população para criar bolsões onde possa ter alternativas para mudar o isolamento. Agora isso dá trabalho num país com 220 milhões de habitantes em situação socioeconômica muito distinta”.

Consta que, para ser ministro da Saúde de Bolsonaro, é preciso defender o uso da hidroxicloroquina no tratamento de pessoas com Covid-19. Lottenberg apresenta sua opinião: “É uma droga que tem efeitos colaterais e tem que ser usada através de um médico que se responsabilize. Ainda precisamos aguardar os estudos para ver qual o melhor momento para ela ser utilizada. Na opinião de muitos médicos parece haver um efeito positivo contra o coronavírus. Não sou a favor de um uso em massa”.

Bolsonaro começa a receber, nesta quinta-feira, os “candidatos” a ministro da Saúde. O oncologista Nelson Teich teria largado em primeiro. É apontado como o favorito para ser ministro da Saúde.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.