O tucano vai fortalecer um possível rival no futuro, alguém que quer substitui-lo e não vai defender seu legado em 2022?

O que, exatamente, quer o ex-governador Marconi Perillo (PSDB)? Parece uma pergunta retórica, mas não é.

Perillo quer ser governador de Goiás pela quinta vez. Porém, político racional, ele está examinando as pesquisas de intenção de voto, observando com rigor a sua rejeição e está de olho também nas articulações político-partidárias. De algumas, participa diretamente; de outras, indiretamente.

Marconi Perillo: jogando em 2022 e já pensando em 2026 | Foto: divulgação

Há quem postule que, como reabriu conversações com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido), o apoiará para governador. E disputaria mandato de senador na mesma chapa, além de indicar o vice, possivelmente Lêda Borges (que teria rejeição incontornável nos principais municípios do Entorno de Brasília, como Luziânia e Valparaíso de Goiás, nos quais é brigada com os prefeitos Diego Sorgatto, do União Brasil, e Pábio Mossoro, do MDB). Há que postule que o vice tende a ser a deputada Magda Mofatto (PL) ou o deputado Major Vitor Hugo (quase no PL).

Porém, como aprecia lógica, segundo um tucano, Perillo estaria examinando o cenário político com o máximo de atenção. Porque, a rigor, de acordo com seu aliado, talvez seja contraproducente apoiar Mendanha para governador.

Marconi Perillo avalia que, para ganhar ou perder, chegou a hora de defender o seu legado político e administrativo. Ele sabe que Gustavo Mendanha quer o seu apoio, mas quer ficar distante de seu legado

Os motivos são prosaicos. Se perder para o governador Ronaldo Caiado, mas, obtendo uma boa votação, a tendência é que Mendanha seja candidato a governador em 2026, para enfrentar exatamente Daniel Vilela, com o qual rompeu e critica de maneira contundente (recentemente, puxou, duramente, as orelhas do presidente da Câmara Municipal de Aparecida de Goiás, André Fortaleza, porque o vereador, filiado ao MDB, recebeu o presidente de seu partido na cidade). Porém, se for eleito governador, fatalmente será candidato à reeleição em 2026.

Marconi Perillo e Gustavo Mendanha: aliança pode fazer água? Talvez | Foto: Reprodução

Perillo está examinando tais cenários e, por isso, pode se lançar candidato a governador. Primeiro, porque acredita que tem mais chance do que Mendanha (teria mais pegada crítica e preparo para os debates). Segundo, avalia que, para ganhar ou perder, chegou a hora de defender o seu legado político e administrativo. Ele sabe que Mendanha quer o seu apoio, mas quer ficar distante de seu legado.

No tucanato há quem postule (sempre em off the records) que, como não há sentimento de mudança, a tendência é que Ronaldo Caiado seja reeleito e que, em 2026, Daniel Vilela, do MDB, seja candidato a governador. Os tucanos avaliam que o presidente do MDB é, em comparação com o atual governador, um pese leve e que “não” será difícil derrotá-lo. Por isso Perillo gostaria de ter o campo livre, sem uma terceira força, para enfrentá-lo na eleição seguinte.

Em 2026, Perillo terá 63 anos e ainda será jovem. Porém, se adiar o projeto para 2030, irá para a disputa com 67 anos, ou seja, mais velho. E mais: poderá acabar sendo esquecido.

Pelo que se disse acima, vários políticos dizem que apostam um rim que Perillo será candidato a governador e que a eleição será polarizada entre ele e Ronaldo Caiado.

Mas há também quem avalie que, se a campanha de Mendanha ganhar consistência, Perillo poderá recuar e apoiá-lo. O ex-governador tem dito a aliados que só vai definir seu projeto — governo ou Senado (descarta a candidatura a deputado federal) — entre junho e julho. Ele, segundo as fontes, vai esperar o quadro ficar mais “claro” para “colocar-se” no processo. A única certa é que vai ser candidato a governador (plano A) ou a senador (plano B).