PCC e CV usam cidades de Goiás, como Caldas Novas, como território livre para o crime

Antes que a cidade passe a ser conhecida como a “Rio de Janeiro do Cerrado”, é preciso cobrar providências dos governos estadual e federal

O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão atuando livremente em Goiás e não dão a mínima importância para as polícias Civil e Militar. Em Caldas Novas, cidade em que o confronto entre os dois exércitos é mais acintoso, seus integrantes estão se matando praticamente à luz do dia.

Os criminosos agem como se as cidades de Goiás fossem território livre, vendem drogas, escondem parceiros em condomínios de luxo e, segundo um ex-secretário de Segurança Pública, têm até negócios “legais” (como agência de turismo). Numa casa, de um condomínio horizontal de alto luxo, foram encontrados uma Ferrari, um Lamborghini, um Porsche, mais de 1 milhão de reais em dinheiro e até um cheque (de uma pessoa conhecida da capital).

O governo de Ronaldo Caiado (DEM) tem procurado combater o crime organizado. Entretanto, mais preocupado com denúncias de corrupção, não articula uma defesa mais firme dos cidadãos, especialmente no interior. Em Caldas Novas, o governo só agiu, enviando tropas especiais, quando o deputado estadual Thiago Albernaz (SD), refletindo o desespero dos moradores a cidade, pediu apoio diretamente a Ronaldo Caiado, que agiu prontamente.

O governo do Estado avaliou que havia retomado Caldas Novas das mãos dos narcotraficantes — que atuam em várias áreas, como roubo de cargas —, mas, logo depois, o PCC voltou a agir, em confronto direto com o CV. Teme-se que os turistas comecem a se afastar da cidade — que está cada mais perigosa. Há poucas semanas, integrantes do PCC entraram num hospital, transformaram enfermeiros, médicos e funcionários em reféns e vasculharam quartos à procura de um membro do CV que, baleado, estava internado. Percebendo a confusão, o criminoso saiu do hospital, mas foi assassinado na rua — à vista de todos os que tiveram coragem de olhar o que estava acontecendo.

A polícia de Caldas Novas não usa armas tão modernas quanto as utilizadas pelos integrantes do PCC e do CV — que portam fuzis, metralhadores e pistolas novas e potentes. O tráfico de cocaína, crack e outras drogas está cada vez mais intensificado no município. No momento, os grupos criminosos acuam a polícia e os moradores e turistas estão cada vez mais assustados. Consta que o prefeito Evandro Magal não sabe mais o que fazer e já pensou até em pedir uma audiência ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Justiça, Sergio Moro, em busca de apoio para retirar as milícias do PCC e do CV — que nem se escondem mais — da cidade. É assustador, mas pode piorar. Por causa do turismo, para continuar atraindo gente de todo o Brasil e até do exterior, políticos e empresários pisam em ovos e evitam falar sobre o assunto. Mas é preciso agir agora — antes que seja tarde. Antes que Caldas Novas passe a ser conhecida como a “Rio de Janeiro do Cerrado”.

Em Goiás, há pouco tempo, a cabeça de uma pessoa apareceu jogadas nas proximidades do shopping Passeio das Águas. Era um recado de uma facção criminosa para outra facção criminosa. Do tipo: “Nós estamos aqui e não hesitamos em matar”.

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Rubinho

“Acuam a polícia”onde? Toda vez que tentaram a sorte em confrontos a polícia,informou a receita federal sobre as baixas nos cpfs.e os donos das funerárias lucraram.

Anderson

Olha q as facções estão em caldas é fato, agora q acuam a polícia, aí é mentira, pq a polícia ainda é respeitada aqui, e os poucos q tentaram a sorte contra a polícia, hj estão com o cpf cancelado.