Operador de Carlos Cachoeira e Gim Argello estavam envolvidos com pílula do câncer

Criador da pílula do câncer, Gilberto Chierice foi procurado por Argello e Gleyb Ferreira da Cruz, braço direito de Cachoeira. Chegaram a formular contrato

Arquivo

Arquivo

A reportagem “Os obscuros negócios de Gim Argello”, de Eduardo Militão, publicada pelo “Correio Braziliense” (domingo, 12), liga a pílula do câncer, criação do químico-professor aposentado da USP Gilberto Chierice (foto abaixo, no seu laboratório), a Gleyb Ferreira da Cruz, apontado como braço direito do empresário Carlos Cachoeira (dono do laboratório de medicamento Vitapan, em Anápolis), e ao ex-senador Gim Argello (foto acima, preso pela Polícia Federal), apontado como ex-integrante da corte da presidente afastada Dilma Rousseff, do PT.

Relata Eduardo Militão: “Um contrato de direitos de propriedade intelectual reserva 3,33% dos lucros da venda da pílula do câncer para o operador do bicheiro Carlinhos Cachoeira em negócio com o ex-senador Gim Argello (PTB-DF), que ficaria com 30%”. A empresa HTS Investimentos, de um filho do político, era a ponte do negócio. Denunciado por corrupção, concussão e lavagem de dinheiro pela Operação Lava Jato, Gim Argello está preso.

Gleyb Ferreira da Cruz 1O “Correio” descobriu documentos que ligam o advogado Clodoaldo Andrade, Gleyb Ferreira da Cruz (foto abaixo, de óculos) e Gim Argello ao criador da pílula do câncer. Um contrato, de novembro de 2015, comprova a ligação. O repórter anota: “O contrato de novembro diz que a pílula será produzida pelo químico da USP e pelo ex-senador, cada um com 30%”.

O advogado de Gim Argello, Marcelo Bessa, disse ao “Correio” que “a produção da pílula não se concretizou”. Ouvidos pelo jornal, o advogado de Carlos Cachoeira — Nabor Bulhões — e o advogado de Gleyb Ferreira da Cruz — Jeovah Borges — “disseram não ter informações sobre o negócio”. O repórter não conseguiu falar com o operador de Carlos Cachoeira.

Ouvido pela Polícia Federal, Gilberto Chierice confirmou as conversações com Gim Argello. “Esse senhor [Gim Argello] me ofereceu para fazer sociedade no comércio dessas cápsulas”, relatou o químico à PF. O advogado Henrique Camacho confirmou a conversa para os policiais federais. O advogado Clodoaldo Andrade, segundo o criador da pílula do câncer, teria insistido para que assinasse o contrato com Gim Argello.

Carlos Cachoeira 3456“Em 3 de novembro” de 2015, assinala Eduardo Militão, “[Clodoaldo] Andrade encaminha e-mail a Gim com a minuta do contrato, para ser assinado em Goiânia (GO), e um pedido para serem fornecidos os documentos dos sócios. Seriam 30% para Chierice, 30% para a HTS Gestão de Investimentos, firma do filho do ex-senador, e o restante para outras pessoas. O professor disse que nunca recebeu esse contrato, embora tenha autorizado, após insistência, receber um documento da equipe do ex-senador para análise”.

Nada se informa se a pílula poderia ser produzida na empresa Vitapan, de Carlos Cachoeira. O laboratório fica em Anápolis.

Picasso por 54 milhões de dólares

Entre o material apreendido de Gim Argello, há uma história estranha, sobre a qual o “Correio” não apresenta informações esclarecedoras. “Há também negociação de obras de arte de Picasso, algumas no valor de 54 milhões de dólares. Um documento apreendido mostra a existência de 3,5 bilhões de reais em uma conta, em janeiro de 2015, e a compra de 12 toneladas de meias de adulto e de bebê na China por 125 mil dólares no primeiro semestre de 2014”.

O advogado de Gim Argello, Marcelo Bessa, disse ao jornal que as mensagens em que estão as informações são apenas “coisas malucas”, sem pertinência.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.