O vice de Ronaldo Caiado a partir de 2022 pode ser governador em 2026

Se o líder do Democratas for reeleito, seu vice tende a disputar o governo nas eleições de 2026. É cedo? Não para políticos

“Pode”. É a palavra a reter. Porque o pleito de 2022 será disputado daqui a dois anos e três meses. Mas políticos não pensam como pessoas comuns e, deste modo, começam a articular bem mais cedo. Aqueles que têm estatura estadual estão usando o processo eleitoral de 2020 para criar estruturas com o objetivo de chegarem consolidados em 2022. Ou seja, quem sair forte de 2020, com prefeitos eleitos em cidades significativas, se sentará à mesa das negociações político-eleitorais para 2022 com mais força.

Alexandre Baldy, do Progressistas, Lissauer Vieira, do PSB, Adib Elias, do Podemos, Lincoln Tejota, do Cidadania, e Glaustin da Fokus, do PSC, estão trabalhando, de maneira intensa, em todo o interior (Alexandre Baldy por intermédio do deputado federal Adriano do Baldy, do PP). Eles estão lutando para eleger o maior número de prefeitos. Veja-se o caso de Adib Elias. Embora na disputa pela reeleição em Catalão, articula em várias outras cidades, como Ipameri, Nova Aurora (checar) e Ouvidor, entre outras. Lissauer, depois de ter se tornando presidente da Assembleia Legislativa, articula não apenas no Sudoeste, sua origem, mas em praticamente todo o Estado.

Alexandre Baldy — do Progressistas

Alexandre Baldy, presidente do Progressistas: vaga no Senado é sua prioridade, mas o projeto pode mudar em 2022 | Foto: Fábio Costa / Jornal Opção

O projeto de Alexandre Baldy é, como ele diz, a disputa pelo mandato de senador. Ele está se estruturando para isso. Mas gostaria de ser vice de Ronaldo Caiado. Não vai pisar na cabeça de ninguém, porque já tem um projeto, mas, sim, gostaria de ser vice, o que, claro, não dirá agora.

Adib Elias — do Podemos

Adib Elias: aposta do Podemos para a chapa majoritária | Foto: Reprodução

O Podemos, que está se fortalecendo e bancando candidatos a prefeito em pelo menos 50% dos 246 municípios de Goiás, pretende lançar Adib Elias para vice de Ronaldo Caiado. O deputado federal José Nelto é quem articula para o prefeito de Catalão. Se não for a vice, Adib Elias tende a disputar mandato de deputado federal.

Lincoln Tejota — do Cidadania

Lincoln Tejota: planeja continuar como vice-governador em 2022 e já começou a articular | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O vice-governador Lincoln Tejota quer continuar como vice na disputa de 2022. Seus aliados dizem que se trata de um vice que não atrapalha, que colabora com o governador e que tem força eleitoral no interior. Ele tem mais um trunfo. Seu pai, Sebastião Tejota, já tem condições de se aposentar do Tribunal de Contas do Estado e a amigos confidencia que tem vontade de disputar mandato de deputado federal em 2022. A dúvida: o vice, se quiser apoio para continuar vice, vai permitir que o pai seja candidato a deputado, o que poderá prejudicar outros candidatos da base governista? Mas há outro raciocínio. Se se aposentar, Sebastião Tejota abrirá espaço para agasalhar o secretário de Governo, Ernesto Roller, no TCE. Lá, fora Tejota pai, há mais aliados do ex-governador Marconi Perillo do que aliados de Ronaldo Caiado.

Lissauer Vieira — do PSB

Lissauer Vieira, presidente da Assembleia Legislativa: prioridade é disputar mandato de deputado federal, mas, se a vice cair no seu colo, aceitará a incumbência / Foto: Alego

Lissauer Vieira está trabalhando, reforçando suas bases eleitorais, para disputar mandato de deputado federal em 2022. Em Rio Verde, deve apoiar a reeleição do prefeito Paulo do Vale, atendendo pedido do governador Ronaldo Caiado, mas também ao pragmatismo político. O candidato do Democratas no município disse que, se receber seu apoio, o bancará para deputado federal no próximo pleito. Mas o presidente da Assembleia está cada vez mais próximo do governador Ronaldo Caiado. Os dois têm uma sintonia fina — até porque são produtores rurais. Sobretudo, os dois se dão bem porque cumprem o que tratam. Portanto, não será nenhuma surpresa se Lissauer Vieira se tornar vice de Ronaldo Caiado em 2022.

Glaustin da Fokus — do PSC

Glaustin da Fokus disputa a Prefeitura de Aparecida de Goiânia de olho em projetos para a disputa de 2022 | Foto: Câmara dos Deputados

O deputado federal Glaustin da Fokus, do PSC, não queria disputar a Prefeitura de Aparecida de Goiânia. Mas, próximo do governador Ronaldo Caiado, aceitou a incumbência. Ele disse ao Jornal Opção, no Palácio das Esmeraldas, que, como político, pertence ao grupo do governador, por isso atendeu à sua convocação. Sabe que o prefeito Gustavo Mendanha (MDB) é um páreo difícil, mas sustenta que “nada é impossível na vida”. Ele admitiu que pode compor com o PSL do deputado federal Delegado Waldir Soares. O PSC está crescendo em todo o Estado e tende a eleger prefeitos em vários municípios. Em Bela Vista, Eurípedes José do Carmo é o favorito para a disputa (tanto que a prefeita Nárcia Kelly, num primeiro momento, relutou em enfrentá-lo, com receio de uma derrota acachapante, e com a máquina nas mãos). O partido tem o deputado estadual mais bem votado de 2018 — Henrique César, genro do bispo Oídes José do Carmo, um dos líderes da Assembleia de Deus mais respeitados do país. O senador Luiz Carlos do Carmo, embora filiado ao MDB, é ligado ao PSC. Ele é irmão de Eurípedes e Oídes. O PSC tem dois projetos para 2022. O primeiro talvez seja bancar Luiz Carlos do Carmo para o Senado. Para tanto, o senador certamente sairá do MDB. O segundo, se o senador não for candidato à reeleição, é bancar Glaustin da Fokus para vice.

Por que tantos querem ser vice?

Finalmente, a pergunta crucial e que não quer calar: por que tanta gente quer ser vice de Ronaldo Caiado na eleição de 2022? O título deste texto sintetiza a resposta.

Ronaldo Caiado é um governador popular, mostra-se preocupado com o ser humano, é empreendedor e tem consolidada a imagem de político decente. Portanto, é forte candidato para a reeleição. Se for reeleito, pode ficar quatro anos no governo ou pode ficar três anos e três meses e, em abril de 2026, deixar o governo com o objetivo de disputar mandato de senador (Goiás terá, então, duas vagas em jogo — a de Vanderlan Cardoso, do PSD, e a de Jorge Kajuru, do Cidadania.)

Se Ronaldo Caiado deixar o governo em abril de 2026 — insista-se: se for reeleito em 2022 —, seu vice assumirá o governo por nove meses. De cara, se torna candidato natural a governador, sobretudo se agregar as forças políticas que apoiam o atual gestor. E, sendo governador, terá chance de ser eleito — dada a força tanto da máquina quanto da aliança política, que tenderá a, depois de oito anos de poder, estar mais forte do que as oposições, que estarão oito anos fora do poder. É o que explica os cinco políticos estarem de olho grande na disputa de 2026, antes mesmo de a disputa de 2020 e 2022 acontecerem.

O jornal está registrando o movimento dos políticos, mas as circunstâncias podem mudar. Quem é fraco hoje pode ser forte amanhã. Quem é forte hoje pode ser fraco amanhã. A vida é tão escorregadia quanto imprevisível. Mas, na política, ninguém joga em cima da hora. O jogo começa bem cedo, antes de os times entrarem em campo, e mesmo antes do vestiário. Vale observar como os cinco nomes mencionados estão montando exércitos eleitorais em todo o Estado. Estão a perceber que, pós-Caiado, se abrirá uma “avenida” na política de Goiás. Por isso todos querem encorpar-se entre 2020 e 2022. Querem ficar fortes em 2022 para se tornarem fortíssimos em 2026.

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