O goiano de Anápolis Henrique Meirelles deve ser o czar da economia no governo de Michel Temer

José Serra é o mais cotado para a Educação, Eliseu Padilha para a Casa Civil e Geddel Vieira para a articulação política

Michel Temer e Henrique Meirelles portalzzztemere-360x221

Formalmente, Dilma Rousseff continua presidente da República. Mas quem articula com a sociedade civil é o vice-presidente, Michel Temer — que todos já chamam de “presidente”. Mesmo demonstrando certa cautela, o líder peemedebista já está formatando seu ministério, pois, como o país, avalia que o Senado vai, seguindo a Câmara dos Deputados, optar pelo impeachment da petista. O chamado ministro número um, o da Fazenda, deve ser o goiano de Anápolis Henrique Meirelles, que presidiu o Banco Central no governo de Lula da Silva e foi eleito deputado federal por Goiás.

Depois de se encontrar com Henrique Meirelles, Michel Temer disse, numa entrevista a Jorge Bastos Moreno, de “O Globo”, edição de terça-feira, 26, que ficou “muito bem impressionado” com as ideias do ex-presidente do BankBoston. Mas, ante as críticas de que está colocando o carro adiante dos bois, frisou: “Eu me encontro numa situação muito difícil. Não posso, em respeito ao Senado, tratar da formação de um eventual governo, mas tenho que estar preparado para, conforme o rito, assumir o governo no dia seguinte, caso a decisão seja pelo afastamento temporário da senhora presidente da República. Diante dessa realidade, claro que sou obrigado a realizar sondagens. Mas não tenho assumido compromissos com ninguém. O máximo que tenho feito é dizer para a pessoa: ‘Posso, se for necessário, te procurar brevemente para uma conversa mais objetiva’”.

Michel Temer com José Serra d95219b8749e8280e54bbdfa16f59563

Em seguida, na conversa com “O Globo”, Michel Temer cometeu uma (quase) gafe: informou que “‘delegacia ao Meirelles’ o direito de indicar o presidente do Banco Central e outros integrantes da equipe”. Como o repórter notou o “deslize” (proposital?), Michel Temer “corrigiu-se”: “Falei Meirelles porque, hoje, estou com esse nome na cabeça. Repito: fiquei muito bem impressionado com a conversa que tive com ele. Então, confesso que se eu tivesse que assumir hoje, o ministro da Fazenda seria ele. Mas, nenhum de nós sabe o que vai acontecer amanhã”.

“O Globo” não diz, mas comenta-se, entre empresários, que Henrique Meirelles teria consultado o ex-presidente Lula da Silva, porque são amigos e aliados. O petista-chefe não teria colocado qualquer obstáculo à sua ida para um provável governo de Michel Temer.

O senador José Serra (acima, com Temer), sondado por Michel Temer, é cotado para assumir o Ministério da Educação — que, como se sabe, consagra ou destrói políticos. “O senador José Serra é um homem que cabe em qualquer cargo de governo. Evidentemente que eu, no caso de ter que assumir a Presidência da República, gostaria de ter o concurso do senador José Serra. Mas tudo vai depender da decisão do PSDB. A coisa que menos quero é ter qualquer tipo de desentendimento com o PSDB, partido que considero fundamental, diante da perspectiva de eu ter que assumir o governo”, afirma Temer.

O advogado Mariz de Oliveira, dono de uma das maiores e mais importantes bancas de advocacia do país e amigo de Michel Temer, deve ser escolhido para o Ministério da Justiça. Mariz de Oliveira é um dos críticos da Operação Lava-Jato, por isso o quase-presidente disse ao “Globo”: “Qualquer pessoa que venha a ocupar o Ministério da Justiça estará consciente e orientado sobre a posição do governo, no sentido de preservar a independência dos investigadores da Lava-Jato”.

A equipe de Michel Temer deverá ter no máximo 25 ministros. “Se puder, terei até um pouco menos”, declara o “presidente”.

Há outros nomes praticamente definidos. Eliseu Padilha deve ocupar a Casa Civil. “O Padilha trabalha muito e é bem organizado. O governo precisa de um perfil desses para a Casa Civil. Os ministros José Dirceu e Palocci, para citar apenas dois exemplos, não deram certo porque tentaram politizar o cargo. O estilo do Padilha é parecido ao de Pedro Parente, no governo Fernando Henrique”, sublinha Michel Temer.

Geddel Vieira é cotado para assumir a articulação política. “Ainda não decidi quem seria, caso eu assuma mesmo a Presidência. Mas o Geddel, que se dá bem com todo mundo no Congresso, poderia exercer esse papel. Mas é algo que não está decidido ainda”, assinala Michel Temer. Moreira Franco e Henrique Alves também devem compor o quadro de ministros ditos temeristas.

Detalhe: Henrique Meirelles, se indicado para a Fazenda, será na cota pessoal de Michel Temer. Portanto, não é uma indicação dos políticos de Goiás. Isto sugere que o Estado tem chance de indicar um ministro, como Thiago Peixoto, do PSD, ou Alexandre Baldy, do PTN (seria um representante dos pequenos partidos, como PTN e PHS).

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