Morre Tarciso Filgueiras, referência da Botânica brasileira, aos 73 anos. Tinha câncer

O engenheiro agrônomo fez mestrado nos Estados Unidos, doutorado na Unicamp e pós-doutorado no EUA. Foi funcionário da Secretaria da Agricultura de Goiás

Nilson Jaime

Especial para o Jornal Opção

Após longa luta contra o câncer, faleceu o pesquisador Tarciso Sousa Filgueiras, doutor em Botânica e um dos grandes pesquisadores de gramíneas e bambus nativos do Brasil.

Tarciso Filgueiras, pós-doutor que era uma referência em Botânica

Tarciso Filgueiras formou-se engenheiro agrônomo em 1971, na “Estrela do Cerrado” — a Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás (UFG). Funcionário da Secretaria de Agricultura do Estado de Goiás, conciliou seus estudos na faculdade pioneira em agronomia no Estado de Goiás com as atividades profissionais e um curso avulso de inglês. O conhecimento dessa língua foi determinante para sua seleção ao programa de mestrado em Corvallis, University of Oregon, nos Estados Unidos, em 1975. Com bolsa do United States Agency For International Development–USAID, tornou-se mestre em Botânica, em 1977, orientado pelo dr. K. Chambers, discorrendo sobre o gênero “Cenchrus no Brasil.

Em 1983 iniciou doutorado em Biologia Vegetal na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob orientação do dr. George J. Shepherd, defendendo sua tese em 1986, uma “Revisão de Mesosetum Steude (Graminae)”. Entre 1991 e 1993 desenvolveu trabalhos de pós-doutorado no The Missouri Botanical Garden.

Mesmo durante sua convalescença, manteve-se atuante como pesquisador e escritor. Era membro do corpo editorial dos periódicos Acta Amazonica”, “PolishJournal of Botany” e Bamboo Science & Culture”. Também membro do conselho superior da Sociedade Botânica do Brasil (SBB), professor participante da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), colaborador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professor credenciado colaborador da Universidade de Brasília (UnB). Atuou no magistério na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás) e Universidade Federal do Paraná (UFPR). Não obstante a grave doença, mantinha vínculos com a área acadêmica, por intermédio do ensino e pesquisa.

Publicou 106 artigos científicos, 25 capítulos de livros e 10 livros solo, alguns sobre temas técnicos (bambus, taquaras e tabocas) e outros de literatura ficcional. É de sua lavra, dentre outros: “O Roseiral de Henriqueta” (poesia); “Talhos & Retalhos” e dois romances — “Tempo de Tarumã” e “Encruzilhada dos Tropeiros”. Recentemente o entrevistei para biografá-lo no livro “Estrela do Cerrado — A Escola de Agronomia da UFG”, em preparação, no qual será um dos destaques.

Tinha 73 anos. Será sepultado às 17 horas do dia 19/05/2019, no Cemitério Vale do Cerrado, Rodovia GO-060, km 7, saída para Trindade. As comunidades agronômica e botânica brasileiras perdem com sua ausência.

Nilson Jaime, mestre e doutor em Agronomia, é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG) e colaborador do Jornal Opção.

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