Morre o agrônomo Armantino Alves Pereira, coautor do mais completo livro sobre a agropecuária goiana

Determinado, Armantino solicitou reversão da aposentadoria por invalidez que auferia do INSS e retornou à ativa, poucos meses depois de se aposentar

Nilson Jaime

Especial para o Jornal Opção

Armantino Alves Pereira: um pesquisador importante para a agropecuária de Goiás e do país

Faleceu na madrugada de quarta-feira, 6, o engenheiro-agrônomo Armantino Alves Pereira. Ele foi o organizador e um dos autores do livro “Agricultura de Goiás — Análise e Dinâmica”, um compêndio de 970 páginas, publicado em 2004.

A obra, a mais completa sobre agropecuária já escrita em Goiás, conta com prefácio do ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Roberto Rodrigues. O livro retrata fatos sobre a história da agropecuária goiana, de 1722 a 2002, desde o ciclo da mineração até o início do terceiro milênio.

Dentre a quase meia centena de autores da obra, estão os professores Edward Madureira Brasil (reitor da UFG), José Xavier de Almeida Neto (primeiro doutor da EA/UFG) e Manoel Passos de Castro, fundador dessa escola; também os professores doutores da PUC Goiás Luiz Estevam e Jeferson de Castro Vieira; os pesquisadores Luiz Fernando Stone (Embrapa Arroz e Feijão), Pedro Luiz de Freitas (Embrapa Solos), Ednam Araújo Moraes (Emgopa/Embrapa) e Gil Santos (Emgopa, Emater); o extensionista Cassimiro Vaz Costa (Aeago, Emater); o agrônomo, biólogo e advogado Osmar Pires Martins Júnior; o líder classista João Bosco Umbelino dos Santos (Faef/CNA); e os engenheiros e ex-professores da UFG Irapuan Costa Junior (ex-governador de Goiás) e René Pompêo de Pina (superintendente da Sudeco por cinco anos).

Nascido no dia 24/12/1938 em Estrela do Sul, Minas Gerais, Armantino Alves Pereira graduou-se em Agronomia na Universidade Federal de Viçosa, em 15 de dezembro de 1965, vindo para Goiás quinze dias após se formar.

Contratado pela Associação de Crédito e Assistência Rural de Goiás (ACAR-Goiás) desde 1966, Armantino foi coordenador do projeto FAO/ANDA/ABCAR (em convênio com a EA/UFG, Secretaria da Agricultura de Goiás e Ministério da Agricultura), essencial para o desenvolvimento rural deste Estado. Coordenou esse projeto até janeiro de 1970, quando um acidente automobilístico, durante suas férias no Ceará, o deixou convalescente por um ano e meio e o fez dependente de cadeira de rodas para sua locomoção, até a morte.

Determinado, Armantino solicitou reversão da aposentadoria por invalidez que auferia do INSS e retornou à ativa, poucos meses depois de se aposentar. Não obstante as limitações de locomoção, foi engenheiro agrônomo da ACAR-Goiá, e Emater-Goiás, por 32 anos, até sua aposentadoria, no ano de 1998.

Foi após deixar de atuar como agrônomo que se concretizou um sonho que instigava Armantino desde seu retorno ao trabalho, em 1971, quando coordenou a biblioteca de seu órgão de origem. Já naqueles dias, desejava escrever um livro que registrasse os principais acontecimentos que alavancaram a agropecuária goiana, tornando-a uma das mais produtivas e tecnificadas do Brasil.

Assim, em 1998, coordenando um time de 41 autores, a maioria deles mestres ou doutores em suas respectivas áreas, Armantino trabalhou por cinco anos, finalizando em 2002 o livro “Agricultura de Goiás — Análise e Dinâmica” (Editora da UCG, 2004, 970 páginas), finalmente trazido a lume em 2004. Uma obra essencial aos profissionais e leitores que desejem conhecer a história da agropecuária goiana.

Faleceu por complicações pulmonares, deixando viúvaMaria Conceição de Souza e uma filha, Cíntia. O sepultamento ocorrerá às 16 horas desta quarta-feira, no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia.

Nilson Jaime, colaborador do Jornal Opção, é doutor em Agronomia.

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Cesar Castelar Queiroz

Mais que Engenheiro Agronônomo, para mim,mais que um filosofo estoico, um socrático, um Schopenhauer, um Agostinho, um Tomás de Aquino, um intelectual, um historiador, um cruzado da alta cultura; era um mestre, amigo, exemplo, santo, bodishatva, buda e eterno.
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