Morre o advogado, escritor e contabilista João Asmar ou a dignidade em pessoa

João Asmar deixa a sensação de que certas pessoas deveriam ser eternas, para continuarem a fazer o bem, dar exemplos e ser o farol confiável que ilumina o futuro

João Aquino

Especial para o Jornal Opção

O mestre João Asmar, falecido na terça-feira, 17, foi uma das pessoas mais fulgurantes da vida social, cultural e política de Anápolis. Era (e é) admirado por sucessivas gerações, por seu equilíbrio, tom conciliador e respeito aos mais diversos segmentos da sociedade. Nascido em Anápolis em 1922, o ex-vereador João Asmar teve como pais Abrahão Jorge Asmar e Amina Jorge Asmar, libaneses que chegaram ao Brasil em 1910. Era casado com Maria Lúcia Rocha Asmar, já falecida, com quem teve os filhos João Asmar Júnior e José Ricardo e as filhas Miriam e Márcia Amina. Nos anos de 1950, ele entrou para a seara política, representando a colônia sírio-libanesa, sendo o quarto vereador mais votado para mandato na Câmara Municipal de Anápolis, pelo Partido Social Progressista (PSP), o mesmo de Adhemar de Barros e Alfredo Nasser.

João Asmar: advogado e escritor | Foto: Reprodução

João Asmar faleceu com 97 anos e atuou como contabilista, advogado (61 anos de dedicação), professor (mais de 5 mil alunos), escritor, político, um dos fundadores do Lyons Club de Anápolis e assíduo participante das reuniões da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia).

O eterno professor João Asmar gostava de contar histórias da política anapolina, das quais ele foi muitas vezes protagonista, pois, foi por intermédio dele que o governador José Ludovico de Almeida (PSD), mais conhecido por Juca Ludovico, reconciliou-se com o município, do qual, por algum motivo, mantinha certa distância política, o que prejudicava a ainda pequena cidade, por não receber nem os principais líderes locais.

Com suas maneiras diplomáticas, o mestre João procurou o seu amigo Alfredo Nasser, que foi ministro da Justiça e senador (e um grande jornalista), a quem relatou os acontecimentos e pediu que interviesse a favor da sua cidade. O governador Juca Ludovico se sensibilizou com a humildade do pleito e ficou ainda mais generoso no orçamento para a construção de um colégio estadual na futura Manchester goiana, que leva o seu nome: Colégio Estadual José Ludovico de Almeida. O chefe do Executivo chegou a sondar o eminente anapolino João Asmar para assumir a Secretaria da Educação, mas ele, desaconselhado pela mãe, declinou do convite.

João Asmar com o ex-prefeito de Anápolis Adhemar Santillo e a ex-deputada estadual Onaide Santillo | Foto: Reprodução

Porém, pelo empenho do líder João Asmar, Anápolis passou a receber os benefícios que merecia do governo estadual e foi assim que vieram a energia elétrica, o telefone, a pavimentação do nosso pequeno aeroporto ou campo de aviação, que, aliás foi palco privilegiando dos primeiros atos do presidente da República, Juscelino Kubitschek para a criação do Distrito Federal, onde floresceu a capital da República, Brasília.

Um homem culto e atento aos novos tempos

Como tantos outros escritores de talento reconhecidos tardiamente, o escritor João Asmar revelou-se aos 84 anos e publicou mais de 12 livros e ainda tinha projetos literários em andamento, com história dos muitos amigos e admiradores conquistados ao longo da sua profícua trajetória.

Com trânsito livre nas comunidades anapolina e goiana, João Asmar recebeu praticamente todas as homenagens que um cidadão de bem pode almejar, tais como: a Medalha Anhanguera, no grau Comendador, mais alta honraria conferida pelo Estado de Goiás; Medalha Pedro Ludovico, mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa de Goiás; Comenda Gomes de Souza Ramos, mais alta honraria do município de Anápolis; Medalha do Centenário Zeca Batista e atos de gratidão da Santa Casa de Misericórdia; Placa de Gratidão, por relevantes serviços prestados à Associação Educativa Evangélica; Pelos serviços prestados à Maçonaria; do Tiro de Guerra; Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás; da Acia, que abriga a biblioteca e o memorial com o nome do ilustre benfeitor da comunidade anapolina. Uma das últimas homenagens foi prestada pela ALA 2 (antiga Base Aérea), conferindo-lhe o título de Jaguar Honorário.

Certamente, o espaço dessa matéria é exíguo para caber tanta história, tantas homenagens e feitos relevantes do mestre João Asmar, que nos deixa com aquela sensação de que certas pessoas deveriam ser eternas, para continuarem a fazer o bem, dar exemplos e ser o farol confiável que ilumina o futuro. Descanse em paz, professor da vida João Asmar, sua missão foi cumprida com galhardia.

João Aquino é jornalista e escritor.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.