Missão de Ronaldo Caiado é devolver o MDB ao comando de Iris Rezende

Uma vitória do senador para o governo enfraquece o grupo de Daniel Vilela e fortalece o grupo irista

Montagem: reprodução

Em 2014, ao perceber o desespero de Iris Rezende, candidato a governador em situação difícil, Ronaldo Caiado disse que, se o emedebista fosse eleito, seria seu secretário de Segurança Pública. Era um voto — imenso — de confiança. Não deu pé. O decano do MDB foi derrotado pela terceira vez por Marconi Perillo, do PSDB. Já o presidente do DEM foi eleito senador. Nascia ali uma aliança e uma amizade inquebrantáveis.

Em 2016, com Iris Rezende candidato a prefeito de Goiânia, o senador Ronaldo Caiado não hesitou um segundo e o apoiou. O veterano emedebista não esqueceu os gestos de 2014 e de 2016. Pas­saram a ter uma convivência de ir­mãos. Ao assumir a prefeitura, em 2017, o gestor con­vidou uma filha do líder do Democratas, Anna Vitória Caia­do, para assumir a Pro­curadoria Geral do Mu­ni­cí­pios. Tratava-se de uma nomeação tanto política quanto afetiva. A vantagem é que a jovem correspondeu em termos de eficiência e seriedade.

Em 2018, Iris Rezende operou por uma aliança entre o MDB de Daniel Vilela e o DEM de Ronaldo Caiado. Desde o início, ao perceber que o deputado federal colocava seu nome para o governo, o prefeito sugeriu aos aliados que trabalhassem para convencê-lo a aceitar a vice do senador. Não deu certo.

Insatisfeita, parte do MDB rompeu com Daniel Vilela, presidente do partido, e passou a apoiar a candidatura de Ronaldo Caiado. Os prefeitos de Catalão, Adib Elias, de Rio Verde, Paulo do Vale, de Goi­anésia, Renato de Castro, e de For­mosa, Ernesto Roller, decidiram romper com o jovem emedebista e migraram para o lado do líder do DEM, ainda na pré-campanha.

Histórico no MDB, Iris Re­zende convidou Ronaldo Caiado para uma conversa e disse, com o máximo de clareza possível, que não poderia apoiá-lo. Teria de ficar com Daniel Vilela, que é de seu partido, é forte em Brasília, com o presidente Michel Temer, e apoiaria Iris Araújo para deputada federal em Aparecida de Goiânia. O senador aceitou suas ponderações e não ficou chateado, sobretudo porque Iris Rezende patrocinou a ida de três de seus pupilos — Adib Elias, Samuel Belchior e Lívio Luciano (seu parente) — para o “palanque” do democrata.

A razão manteve Iris Rezende ao lado de Daniel Vilela. Mas o coração era e é caiadista. Até porque, afirmam seus aliados, o candidato emedebista não pertence ao seu grupo no MDB. Pelo contrário, derrotou um de seus aliados, Nailton Oliveira, na disputa pelo comando do MDB.

Ao perceber que Daniel Vilela não decolava, Iris Rezende, assim como Iris Araújo, reaproximou-se de Ronaldo Caiado — sem deixar de atuar na campanha do emedebista. Sua tese, esboçada em conversa com aliados, é racional: se o postulante do DEM tem chance de ganhar no primeiro turno, é preciso fortalecer seu potencial.

Pesa também um racionalismo de outro matiz. Aliados sugerem que Ronaldo Caiado, se eleito go­vernador, vai ajudar Iris Re­zende a retomar o controle do MDB — afastando Daniel Vilela do comando.

Dependendo do quadro político nacional, Ronaldo Caiado pode até mesmo filiar-se ao MDB. Não é certo, mas provável.

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