Ministério Público e Justiça precisam se manter atentos sobre pesquisas eleitorais

Em Morrinhos, um juiz decidiu proibir pesquisas de um instituto, cujas amostragens eram estranhas e levantamentos custavam apenas 1,5 mil reais

Teve um instituto que fez pesquisas e, de repente, despareceu do mapa. Havia indícios de que estava manipulando resultados em algumas cidades, como Nerópolis (um candidato aparecia muito bem na pesquisa e muito mal em todas as outras pesquisas) e Caldas Novas. Apontado o problema, o “instituto” desapareceu do mapa. Sua sede funcionava numa residência.

No momento, políticos ligam para as redações e informam que querem publicar pesquisas eleitorais. Aí dizem as palavras mágicas: “A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE)”. Repórteres costumam ficar com os dedos e o cérebro coçando, certamente pensando no aumento da audiência. Trata-se de um pacto faustiano.

Mas o problema, neste momento, são exatamente as pesquisas registradas — as únicas que, legalmente, podem ser publicadas. O fato de serem registradas não é garantia de que não foram manipuladas. Comenta-se que há “institutos” que não manipulam “muito” — dão apenas uma ajustadinha na margem de erro. Em regra, os políticos afiançam — mas sem apresentar provas cabais — que há institutos que “seguram” o crescimento do adversário de quem pagou a pesquisa e “anabolizam” os números de seu financiador.

Uma pesquisa séria, com pesquisadores nas ruas e uma equipe para avaliar os dados, com um estatístico de primeira linha, custa caro. Mas há institutos cobrando 1,5 mil reais para fazer pesquisas. Há alguma coisa errada, portanto. Talvez muito errada.

Em Morrinhos, o juiz eleitoral suspendeu levantamentos de um instituto que estava cobrando 1,5 mil reais para fazer pesquisa. Porque o valor “não condiz com a realidade de mercado e muito menos com os gastos para se realizar uma pesquisa”. A amostragem da pesquisa também foi considerada “estranha”. Se o instituto insistir, a multa será de R$ 53.205,00 e o responsável pelo instituto terá de responder a processo judicial.

Há institutos sérios (Serpes, Grupom, Fortiori, Diagnóstico, Verus, entre outros), com anos de trabalho no mercado e que não desaparecem assim que terminam as eleições. Já parte dos institutos — que, a rigor, nem institutos são, e por isso deveriam ser investigados pelo Ministério Público Eleitoral e denunciados à Justiça Eleitoral — não tem nenhuma tradição e só aparece nos períodos eleitores.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.