Michel Temer planeja salvar governos estaduais mas não oferece apoio às empresas privadas

Michel Temer, presidente: crise do Estado derruba empresas privadas, mas a gestão federal só se preocupa em salvar os governos estaduais  Foto: Reprodução

Michel Temer, presidente: crise do Estado derruba empresas privadas, mas a gestão federal só se preocupa em salvar os governos estaduais Foto: Reprodução

A maioria dos Estados está quebrada não por causa da crise econômica, e sim como resultado da incapacidade administrativa de seus gestores. Alguns governos estão atrasando salários dos servidores, não pagam fornecedores, não cuidam das estruturas públicas e não pagam nem o serviço da dívida. “Vão levando” — é o que se diz. Na prática, já há uma espécie de moratória informal, não declarada, mas efetiva.

O clamor para refazer o pacto federativo, com uma distribuição mais equitativa dos recursos do país, se deve, em larga escala, à quebradeira dos Estados. Como a situação tende a se agravar, o presidente da República, Michel Temer — mais político do que a presidente afastada Dilma Rousseff, ouve mais as reivindicações de governadores e prefeitos —, está disposto a negociar. Não há como escapar de uma moratória dos Estados, porque senão a falência será maior. O que o governo federal pretende é estabelecer regras de equilíbrio para que, daqui a dez anos, não se tenha de refazer o pacto, não por causa de uma crise recessiva e, até, depressiva, mas sim pela incompetência dos gestores.

Porém, na perspectiva de Temer, fica-se com a impressão de que apenas os governos estão em crise e precisam de apoio da gestão federal para escapar ao afogamento. Há outra crise, a da iniciativa privada. A crise no mercado particular está “explodindo” e suas consequências começam a ser sentidas de modo mais profundo — com recuperações judiciais, falências e fechamento puro e simples das portas. É como se, devido a uma crise de caráter quase inaudito, tal sua gravidade, os empresários estivessem desistindo não apenas de investir, mas também de manter seus negócios abertos. Em Goiás, a Votorantim fechou a unidade de Niquelândia, a Mitsubishi de Catalão demitiu parte significativa de seus trabalhadores e a Crecrisa, fabricante de pisos e azulejos em Anápolis, demitiu todos os operários e saiu do mercado.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, fala na possibilidade de recuperação da economia a partir de 2017 — economistas mais céticos avaliam que crescimento, se houver, só a partir de 2018 (avaliam que um ciclo sem crescimento tende a devastar a economia, o que impede uma recuperação rápida). Entretanto, com recuperar uma economia com empresas quebradas ou fechando as portas?

A pergunta que o mercado faz é: se está disposto a salvar os Estados, por que o governo Temer não cria incentivos — ao estilo dos proporcionados por Franklin D. Roosevelt, em maior escala, e Barack Obama, em menor escala, nos Estados Unidos — para manter as empresas abertas, recuperar algumas que vão mal das pernas e impedir que outras sejam fechadas? Nas crises geradas pelos equívocos do Estado — a crise brasileira não decorre de problemas da economia internacional —, as empresas quebram, mas raramente os governos estendem a mão. Com isso, os próprios governos arrecadam menos e demoram a sair da crise.

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