Michel Temer deve bancar um Vilela para o governo de Goiás

Os Vilelas, além de terem remontado a estrutura política do PMDB em 2016, conseguiram eleger dois deputados federais e isto é o que conta em Brasília

Michel Temer, Maguito Vilela, Daniel Vilela e Iris Rezende: o PMDB de Goiás e a cúpula nacional do partido querem bancar um dos Vilelas para o governo do Estado. Já Iris pretende lançar Caiado

Michel Temer, Maguito Vilela, Daniel Vilela e Iris Rezende: o PMDB de Goiás e a cúpula nacional do partido querem bancar um dos Vilelas para o governo. Já Iris pretende lançar Caiado

Os Vilelas, notadamente o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, estão procurando manter uma coexistência pacífica com o prefeito eleito de Goiânia, Iris Rezende. Mas enganam-se os que avaliam que a civilidade de Maguito e do presidente do PMDB, deputado federal Daniel Vilela, é sinônimo de “medo” e “falta de coragem”. Não é nada disso. O que querem mesmo é o apoio do decano peemedebista, de quase 83 anos, para um deles disputar o governo em 2018.

Quem não conhece o “novo” PMDB fica com a impressão que, dada a vitória para prefeito de Goiânia, principal cidade de Goiás, Iris Rezende voltou a ser o comandante-em-chefe do partido. Na verdade, se manda mesmo na legenda em Goiânia, o veterano político praticamente não tem conexão com o interior — não articula nem mesmo em Anápolis, para citar um município nas proximidades da capital. Os Vilelas controlam o PMDB em todo o Estado. São a cara do partido. São os políticos que, na eleição de 2016, se apresentaram para colaborar com as campanhas municipais, dialogando com seus aliados. Iris Rezende em nenhum momento deu as caras, alegando, com certa razão, que era candidato em Goiânia. Ocorre que, mesmo quando não era candidato, não se apresentava no interior — mantendo-se a distância dos pleitos municipais.

Os Vilelas, portanto, têm um dos trunfos principais: o controle da máquina do partido. É fato que Iris Rezende planeja retirá-los do controle da legenda, mas é uma missão quase impossível. Porque os Vilelas têm outro trunfo: o apoio do presidente da República, Michel Temer, o chefão do PMDB.

Aliados de Temer sugerem que, embora tenha sido eleito prefeito de Goiânia, Iris Rezende não é mais capaz de participar ativamente da política nacional. Como se sabe, só é forte na corte aquele político estadual que envia deputados e senadores para Brasília. Na eleição de 2014, além de ter perdido a terceira eleição para governador de Goiás, Iris Rezende não conseguiu eleger nenhum deputado federal de seu grupo — inclusive sua mulher, Iris Araújo, não conseguiu se eleger, obtendo uma votação tida como vexatória até por seus aliados.

O grupo dos Vilelas, mesmo aos trancos e barrancos, enviou dois deputados para Brasília — Daniel Vilela e Pedro Chaves. É, lá, o que conta. Portanto, na eleição de 2018, o compromisso do presidente Michel Temer é com os Vilelas. O peemedebista-chefe vai bancar, para governador de Goiás, um dos Vilelas — que pode ser tanto Maguito quanto Daniel.

O que se comenta, no Palácio do Planalto, é que Iris Rezende pode retirar o cavalo da chuva: Michel Temer não vai avalizar a entrada de Ronaldo Caiado no PMDB se o objetivo for puxar o tapete dos Vilelas em relação à disputa eleitoral de 2018.

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