Manda no PSL quem tem voz em Brasília. Paulo Trabalho e Teófilo só existem em Goiás

Delegado Waldir Soares, que contribui com o tempo de TV e com o Fundo Partidário do PSL, pode excluir os dois deputados quando quiser

Delegado Waldir Soares: o deputado manda no PSL; o chefe político do partido não é o governador Ronaldo Caiado | Fotos: Jornal Opção

Por cruel que possa parecer, mas é assim: em Brasília, em termos de controle partidário, só tem força aquele político que tem mandato federal, quer dizer, se é deputado federal ou senador. Deputado estadual (e vereador) não tem força alguma. A definição do valor do fundo partidário e o horário de televisão, por exemplo, dependem do número de deputados federais. Por isso, deputados estaduais, como Paulo Trabalho e Humberto Teófilo, precisam entender o óbvio: só ficam no PSL se o deputado federal Delegado Waldir Soares permitir.

Deputado Estadual Paulo Trabalho: do DEM ou do PSL?| Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Delegado Waldir obteve quase 300 mil votos para deputado federal — foi o mais votado — e contribuiu para eleger outro deputado federal, Major Vitor Hugo, que teve apenas 30 mil votos. Em Brasília, Delegado Waldir se tornou líder do PSL na Câmara dos Deputados e abre portas nos ministérios e no Palácio do Planalto. A força do PSL em Goiás, portanto, advém do parlamentar — não dos deputados estaduais.

Então, se amanhã Delegado Waldir disser que Paulo Trabalho e Humberto Teófilo estão fora do PSL, por infidelidade partidária ou qualquer motivo, os dois poderão espernear, conceder entrevistas, mas terão de sair do partido. Eles não mandam. Quem manda é, insista-se, Delegado Waldir. Repetindo: porque tem força política em Brasília, pode ser deputado federal e por ter carregado, com sua votação extraordinária, outro parlamentar.

Humberto Teófilo: eleito pelo PSL, mas virou deputado do DEM? | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

No momento, Paulo Trabalho e Humberto Teófilo integram a base do governador Ronaldo Caiado na Assembleia Legislativa, contrariando orientação da direção do PSL estadual. No dia em que a cúpula resolver tomar posição, serão enquadrados ou terão de sair do PSL. Não há outro caminho. Delegado Waldir é presidente do PSL em Goiás, porque é um fenômeno eleitoral, e manda mesmo. Por enquanto, vai esperar. Mas, em 2020, definidas as candidaturas do partido a prefeito, quem ficar contra, atrapalhando os postulantes, serão expurgados. Olimpicamente.

Dica de um deputado experimentado para Paulo Trabalho e Humberto Teófilo: comecem a procurar outro partido ou então comecem a falar a mesma língua político-eleitoral de Delegado Waldir. O político acrescenta: “Coloquem a barba (se não tiver, serve o cabelo) de molho”.

O resto, o leitor (e o eleitor) precisa saber, é conversa para boi dormir.

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