Mabel diz que responsabilidade e governabilidade devem levar PMDB e PSDB a caminharem juntos

O ex-deputado afirma que Henrique Meirelles deve ser ministro da Fazenda e vai indicar o presidente do Banco Central. Aponta Baldy como possível ministro. Sugere que Caiado deve ser o candidato a governador das oposições

Sandro Mabel junto com Michel Temer Mabel-e-Michel-Temer-300x200

O ex-deputado federal Sandro Scodro, mais conhecido como Sandro Mabel (PMDB), é um workaholic assumido. Depois de ter vendido a Mabel, amigos apostaram que, com milhões nas contas bancárias, iria tão-somente “curtir” a vida. Ele até tentou. Viajou pelo mundo, melhorou seu inglês, ficou mais próximo da família (tem cinco netos — um deles com 14 anos). Mas o “chamamento” do e ao trabalho foi mais forte. Logo abriu uma fábrica de pimenta (Pimenta Mendes) em Anápolis e tem negócios na Bahia. Mas não são apenas os negócios. A política também o reconvocou. Poderia ter sido candidato a prefeito de Aparecida de Goiânia, mas não quis. Porém, com a crise do governo da presidente Dilma Rousseff, do PT, voltou à articulação política, ao lado do vice-presidente Michel Temer, com quem mantém ligação estreita. Mais do que aliados, são amigos. Chamam-se de “Michel” e de “Sandro”. (Foto acima: Sandro Mabel, Júnior Friboi, Michel Temer e Leandro Vilela)

Nos últimos 30 dias, aqueles que visitavam o Palácio do Jaburu (chamado de o “Bunker”), em Brasília, sempre encontravam dois políticos: Michel Temer e Sandro Mabel. Não à toa, embora ele não aprecie o “apelido”, ganhou o nome de “Mr. Impeachment”. Dia e noite, o político — paulista por nascimento e goiano por adoção e devoção — articulou pelo impeachment. Mostrou-se incansável. Tanto que chegaram a perguntar: “O sr. não dorme?”. Dorme, é claro. De duas a quatro horas por noite, ao menos quando está articulando politicamente. Ele participou de uma reunião com o deputado Alexandre Baldy, do PTN, às 2 horas da madrugada. Nem parecia insone.

Entrevistado pelo Jornal Opção na terça-feira, 26, Sandro Mabel disse que, de fato, é amigo de Michel Temer e que trabalhou o “tempo todo” pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Não tem nada de pessoal. Retirá-la do poder, via impeachment, quer dizer, legalmente, fará um bem enorme ao país — vai possibilitar, aos poucos, a recuperação da economia.”

Ao que sugerem que, como articulou o impeachment com extrema eficiência, será ministro, Sandro Mabel esclarece, e de maneira enfática: “Mantenho forte ligação com o Michel. Mas, definido o impeachment, vou cuidar de outros assuntos. Não tenho interesse algum por cargos no governo federal. Na verdade, só quero ajudar, por exemplo na formatação de uma base parlamentar que seja útil à governabilidade. Mas, neste caso, decisivo mesmo é o próprio Michel, que é uma ‘fera’ na articulação política. Ele sabe ouvir e decidir, assim como sabe dizer ‘sim’ e ‘não’”.

Michel Temer e Henrique Meirelles portalzzztemere-360x221

Vai ser Meirelles

O engenheiro Henrique Meirelles, goiano de Anápolis e ex-presidente do BankBoston, nos Estados Unidos, e do Banco Central do Brasil, será mesmo ministro da Fazenda? “Michel, com sua cautela habitual e respeito às leis, está fazendo apenas sondagens. Como deve assumir o governo brevemente, confirmado o impeachment de Dilma Rousseff no Senado — algo que é praticamente certo —, Michel está conversando com políticos e técnicos da mais alta qualidade. Para o Ministério da Fazenda, exceto se não quiser, deverá ir o expert em finanças Henrique Meirelles — um homem que tem credibilidade nacional e internacional. No cargo, num governo de transição, Meirelles é a garantia de que o país pugnará por estabilidade e, ao mesmo tempo, pela recuperação e crescimento da economia. Ele sabe o que fazer e o fará, sem políticas populistas para agradar ‘a’ ou ‘b’. Ao contrário de outros gestores, Michel tem autoridade, sabe ouvir e decidir”, sustenta Sandro Mabel.

Na interpretação de Sandro Mabel, Henrique Meirelles tem visão de mundo e de economia. “Não se trata de uma pessoa limitada por ideologias. Ele sabe o que é preciso fazer e é extremamente capaz. Será o capitão do time, quer dizer, será o ministro da Fazenda e deverá indicar o presidente do Banco Central, para que seja possível trabalhar em harmonia pela recuperação do país.” Os empresários afirmam, nas conversas de bastidores e mesmo às claras, que, com Henrique Meirelles, em pouco tempo o país começa a recuperar sua capacidade de investir. “Não se deve considerar 2016 como um ano inteiramente perdido, mas é fato que medidas enérgicas e precisas deverão ser tomadas para que o país volte a crescer já em 2017.”

Sandro Mabel afirma que a iniciativa privada e o governo precisam estabelecer um pacto pelo crescimento. “O Estado está quebrado e, deste modo, não tem como ser indutor da economia. Porém, se mais enxuto e menos dispendioso para a sociedade, contribuirá para que a iniciativa privada retome o processo de crescimento da economia.”

Michel Temer com José Serra d95219b8749e8280e54bbdfa16f59563

José Serra

A aliança do PMDB com o PSDB será importante para garantir a governabilidade, na visão de Sandro Mabel. “Acredito que o senador tucano José Serra vai participar do governo e, logicamente, com o apoio do PSDB. Há momentos em que a responsabilidade é vital para que um país se recupere. Por isso mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está avalizando a aliança entre os dois partidos e, sobretudo, a participação no governo — como, aliás, ocorreu em 1992, no governo de Itamar Franco. Mais importante do que discutir as eleições de 2018, propondo nomes para uma disputa longínqua, é uma articulação para recuperar o país. Aquele que for eleito em 2018 não pode receber um país inviável. Por isso uma frente pró-Michel é fundamental. É, repito, uma questão de se ter responsabilidade com o Brasil.”

Alexandre Baldy baldi-principal

Alexandre Baldy

Na questão do processo do impeachment, Sandro Mabel frisa que Goiás apresentou dois gigantes na linha de frente — os deputados federais Alexandre Baldy e João Campos. “Baldy ajudou muito ao articular com habilidade os pequenos partidos. Ele estava sempre disponível para conversas e articulações. É um jovem infatigável, leal, firme.” Pode ser candidato a prefeito de Anápolis? “Se quiser disputar, é um ótimo candidato. Mas ele está muito bem no Congresso Nacional e está muito próximo de Michel Temer, que já o chama pelo nome. Pode até ser ministro, se obtiver o apoio dos pequenos partidos.”

Wilder Morais: "As consequências do crime de Dilma são gravíssimas" | Foto: Pedro França/Agência Senado

Wilder Morais:  pró-impeachment | Foto: Pedro França/Agência Senado

Wilder Morais

“Embora discreto, o senador Wilder Morais articula com desenvoltura pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ele tem presença firme em Brasília”, afirma Sandro Mabel. “A imprensa deveria observar com mais atenção as ações do senador do PP. Ele é eficiente e aposta no país.”

Apontado como político ligado a Renan Calheiros, na questão do impeachment, descolou-se. Ele é francamente pró-impedimento — até por ser empresário (é dono de uma construtora e de shoppings).

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Ronaldo Caiado e Daniel Vilela

O presidente do PMDB, Daniel Vilela, deve ser candidato a governador em 2018? “Não sei. Mas consta que está trabalhando, visitando todo o Estado, se apresentando. Quer dizer, está fazendo a coisa certa. Mas pesquisas apontam, porém, que o nome preferido dos eleitores goianos, ao menos no momento, é o do senador Ronaldo Caiado, filiado ao DEM e parceiro do PMDB. Até sua rejeição caiu. De qualquer maneira, está cedo para definições, e é preciso verificar como ficará o quadro político nacional.”

Há quem aposte que Ronaldo Caiado será candidato a governador e Daniel Vilela, a senador. “Não tenho informações a respeito”, resume Sandro Mabel.

Iris Rezende: o peemedebista nunca esteve tão animado

Iris Rezende deve ser candidato em Goiânia

Iris Rezende

Iris Rezende será o candidato a prefeito de Goiânia pelo PMDB? “Todos comentam que sim, mas eu, para dizer a verdade, não sei. Ele precisa dizer aos seus aliados e aos eleitores se quer governar a cidade.”

Aliados de Iris Rezende afirmam que ele define sua candidatura entre maio e junho. Eles dizem que, como favorito, o peemedebista não precisa colocar seu time em campo “antes da hora certa”.

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