Lissauer deve ficar na base governista por lealdade a Ronaldo Caiado

O presidente da Assembleia está “chateado”, avalia que Daniel Vilela não cumpriu “trato”, mas deve apostar no governador em 2022

Pode-se sugerir que, nos últimos anos, quatro políticos de Goiás se firmaram como “revelações”, em ordem alfabética: Daniel Vilela (MDB), Gustavo Mendanha (de saída do MDB), Lissauer Vieira (de saída do PSB) e Roberto Naves (PP).

Lissauer Vieira foi eleito presidente da Assembleia Legislativa de Goiás em 2018 e, pouco a pouco, conquistou o apoio de todos os deputados estaduais (tanto que foi reeleito, e com extrema facilidade). Primeiro, por defender o poder. Segundo, por respeitar os compromissos acordados com os colegas. Terceiro, por lidar com a divergência com o máximo de diplomacia. Os parlamentares souberam entender que ele de fato representa todos. Quarto, fez o possível para aprovar os projetos do governo que eram positivos para os goianos.

Trata-se de um caso quiçá inédito: Lissauer soube administrador a Assembleia de maneira que, mesmo apoiando o governo, o Legislativo se manteve como poder independente. Em tempos anteriores, era uma espécie de secretaria do governo do Estado e os deputados eram praticamente “funcionários” do governador de plantão.

Lissauer Vieira, presidente da Assembleia Legislativa, com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado / Foto: Felipe Cardoso/Jornal Opção

Veja-se o caso da questão da dívida — o pagamento dos juros — do Estado. Se tivesse de pagar os juros, numa situação de crise nacional, com a economia em refluxo, o governo de Ronaldo Caiado se quedaria inviável. No entanto, com o amparo do Supremo Tribunal Federal, por intermédio do ministro Gilmar Mendes, o pagamento dos juros foi suspenso — o que viabilizou o governo. Lissauer Vieira teve papel decisivo na questão do projeto que propõe a renegociação fiscal com o governo federal. Ele convenceu os deputados que o projeto não era para beneficiar Ronaldo Caiado, e sim o Estado de Goiás, quer dizer, todos os goianos.

Mas hoje Lissauer Vieira está “magoado”. Segundo um aliado, Daniel Vilela, presidente do MDB, o teria procurado e dito que planejava disputar mandato de senador e, como o deputado pensava em ser vice de Ronaldo Caiado, decidiram que articulariam juntos. Porém, tempos depois, Daniel Vilela mudou de ideia (consta que o governador Ronaldo Caiado teria sugerido que disputasse a vice), o que desagradou profundamente o líder político do Sudoeste goiano. A palavra para defini-lo é “chateado”. Ele está muito chateado.

A divulgação de que se filiaria ao partido Progressistas, atendendo convite de Roberto Naves e do ex-ministro Alexandre Baldy, tem a ver com o fato de que não ficou satisfeito com a chapa Ronaldo Caiado-Daniel Vilela.

A insatisfação significa que Lissauer Vieira irá se bandear para o lado de Gustavo Mendanha? Tudo indica que não. Primeiro, por causa de seu vínculo com Ronaldo Caiado. O governador o respeita e vice-versa. A todos o gestor estadual fala da seriedade e do caráter republicano das ações do parlamentar. Segundo, porque as bases políticas do deputado e do governador são as mesmas — o que poderia atrapalhar, ao menos em parte, o projeto de disputar mandato de deputado federal, numa eleição altamente competitiva, como será a de 2022, sem a coligações partidárias.

(2006 está distante, mas, se for reeleito, Ronaldo Caiado tende a deixar o governo, em abril daquele ano, para disputar mandato de senador. Daniel Vilela assumirá o governo e se credenciará para a disputa da reeleição. Lissauer Vieira poderia, desde já, se credenciar para a vice do emedebista. Os dois são jovens e o futuro pertence a eles e a mais alguns, como Alexandre Baldy e Roberto Naves. O melhor para todos é manter as portas abertas. Quem arromba portas abertas, em política, acaba sendo soterrado pela História.)

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