Lava Jato agora investiga negócios de um filho de Lula e de sócios

Procuradores da República querem saber por que a Andrade Gutierrez repassou 5 milhões de reais para Fábio Luiz Lula da Silva

Fábio Luis Lula da Silva: investigado pela Polícia Federal e pelo MPF | Foto: Reprodução

A Polícia Federal cumpre na terça-feira, 10, 47 mandados de busca e apreensão em três Estados, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, e em Brasília. A Procuradoria da República busca informações sobre o motivo de a empreiteira Andrade Gutierrez, de Otávio Azevedo — que está preso —, ter repassado 5 milhões de reais a uma empresa de Fábio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula da Silva. Trata-se da 69ª fase da Operação Lava Jato.

O Ministério Público Federal esclarece que a intenção é “aprofundar as investigações sobre repasses financeiros suspeitos, realizados por empresas do grupo Oi/Telamar em favor de empresas do grupo Gamecorp/Gol, controlados por Fábio Luis Lula da Silva, Fernando Bittar, Kalil Bittar e Jonas Suassuna”, informa a  revista “Veja”.

A PF informa que não há ordem de prisão para nenhum dos investigados. “A ação é um desdobramento da 24ª fase da Lava Jato, a Aletheia, em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi alvo de uma condução coercitiva para prestar depoimento”, assinala a “Veja”.

Jonas Suassuna e Fábio Luis Lula da Silva: sócios com negócios mal explicados | Foto: Reprodução

A operação desta terça tem o nome de Mapa da Mina e foi autorizada pela 13ª Vara Federal de Curitiba. O objetivo é a apuração de crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, tráfico de influência internacional e lavagem de dinheiro. A PF explica, segundo a “Veja”, que “o esquema era feito por meio de contratos de operadoras de telefonia, internet e TV por assinatura atuantes no Brasil e no exterior”.

O Ministério Público Federal revela que o grupo Oi/Telemar fez pagamentos de mais de 132 milhões de reais, de 2004 a 2016, massa sem “sem justificativa econômica ‘plausível’”. Entretanto, enquanto a empresa repassava o dinheiro, o governo federal, nos governos do PT — dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff —, beneficiava o grupo Oi/Telemar. Um decreto de Lula da Silva “autorizou a compra da Brasil Telecom pelo grup Oi/Telemar. ‘Mensagens apreendidas no curso das investigações também denotam que o grupo Oi/Telemar foi beneficiado pela nomeação de conselheiro da Anatel’”.

Fernando Bittar é sócio de um filho do ex-presidente Lula da Silva

“Provas documentais colhidas, como contratos e notas fiscais, além de dados extraídos a partir do afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, indicam que as empresas do grupo Oi/Telemar investiram e contrataram o grupo Gamecorp/Gol sem a cotação de preços com outros fornecedores, fizeram pagamentos acima dos valores contratados e praticados no mercado, assim como realizaram pagamentos por serviços não executados”, pontua o Ministério Público Federal.

Um e-mail do diretor de publicidade da Gamecorp contém o balanço da Gamecorp, mas informando que os números da Brasil Telecom [Grupo Oi] haviam sido “expurgados”. Pois, segundo o e-mail, como era uma verba política, “poderia distorcer os resultados”. “2005 e 2016 o grupo Oi/Telemar foi responsável por 74% dos recebimentos da Gamecorp”, registra “Veja”.

Kalil Bittar e Fábio Luis Lula da Silva: sócios | Fotos: Reprodução

O Ministério Público Federal apreendeu outra mensagem eletrônica, de 2009, enviada para um diretor-conselheiro da Oi/Telemar “qual consta uma planilha com um repasse de 900 mil reais, deduzido da conta corporativa da presidência do grupo Oi/Telemar e classificado como ‘“assessoria jurídica’ — algo que foge, ainda conforme o MPF, dos negócios da Gamecorp”.

“Veja” acrescenta que, “na 24ª fase da Lava Jato, que deu origem a esta nova operação, os investigadores queriam esclarecer os favores e milhões de reais que o petista recebeu de empreiteiras envolvidas no petrolão. Entraram na mira dos investigadores o tríplex no Guarujá, que a OAS reformou e mobiliou; o sítio em Atibaia, também equipado e reformado para uso de Lula; os 10 milhões de reais que empreiteiras pagaram à LILS, empresa de palestras do ex-presidente; e os 20,7 milhões de reais repassados por elas ao Instituto Lula”.

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