Iris Rezende, Waldir Soares e Vanderlan Cardoso: o primeiro e o terceiro trabalham para desidratar o segundo, um franco-atirador
Iris Rezende, Waldir Soares e Vanderlan Cardoso: o primeiro e o terceiro trabalham para desidratar o segundo, um franco-atirador 

Parece que pelo menos um jornal está empenhado numa questão: torce para que Iris Rezende, do PMDB, seja eleito no primeiro turno. Trata-se de “O Popular”. Notas e reportagens insistem nesta possibilidade, que não é autorizada sequer pelo instituto de pesquisa, o Serpes, que trabalha para o jornal do Grupo Jaime Câmara. Incentivados pelo “jornalismo de apoio”, por assim dizer, os iristas começaram a espalhar que o veterano peemedebista, de 82 anos, pode ser eleito no primeiro turno. O jornal e os iristas se retroalimentam. Mas nos bastidores, que é onde se diz o que não se publica, o discurso do irismo é outro: aposta-se num primeiro turno complicado e que o segundo turno é praticamente certo.

Se a realidade é uma — o Serpes diz que Iris Rezende tem 31,9% e os demais candidatos têm 48% (16,1% a mais do que o peemedebista) —, por que tanto o jornal quanto os iristas dizem que o peemedebista pode ganhar no primeiro turno? Depois de conversar com cinco peemedebistas, com perguntas incisivas, o Jornal Opção conseguiu obter as informações que serão expostas a seguir.

Iristas afiançam que o eleitor de Waldir Delegado Soares, se abandoná-lo, corre para Iris Rezende. O peemedebista seria, nesta tese, o segundo nome dos eleitores que preferem o candidato a prefeito de Goiânia pelo PR. Então, ao frisar que Iris Rezende pode ser eleito no primeiro turno, o irismo está fazendo política, quer dizer, está trabalhando, com certa sutileza — sim, porque a imprensa parece não perceber ou não quer registrar —, para “desidratar” Waldir Soares.

O irismo aposta, especialmente nos bastidores, que o segundo turno se dará entre Iris Rezende e Vanderlan Cardoso, do PSB. Este é avaliado pelos iristas como um candidato mais complicado de derrotar, porque tem a imagem de gestor, como a do próprio peemedebista. Acredita-se que seria mais fácil derrotar Waldir Soares, porque este não é visto como gestor, e sim como meramente político, o que não é aprovado pela maioria dos eleitores. O gestor pode até ser político, na opinião do eleitorado, mas não pode ser exclusivamente político. A imagem de gestor deve sobrepujar a de político. Iris Rezende sabe, como político experiente que é, que sua frente atual é incômoda, mas, se “sugar” o eleitorado de Waldir Soares, pode ir para os segundo com uma frente um pouco mais ampla.

Há um problema, não mencionado pelos iristas. Se há eleitores de Waldir Soares que poderiam apoiar Iris Rezende, há também os que rejeitam o peemedebista e, se perceberem que o postulante do PR se tornou carta fora do baralho, podem migrar para Vanderlan Cardoso.

Por fim, pode-se dizer que uma possível desidratação de Waldir Soares serve tanto a Iris Rezende quanto a Vanderlan Cardoso. Se “puxar” votos do republicano, paradoxalmente, o peemedebista tende a “puxar” o postulante do PSB para mais perto de si. No fundo, desidratar Waldir Soares totalmente não é positivo nem para Iris Rezende nem para Vanderlan Cardoso. Todos querem desidratar o candidato de Valdemar Costa Neto e Paulo Borges unicamente para tirá-lo do páreo.