Iris Rezende mostrou a Michel Temer que manda no PMDB de Goiás

Júnior Friboi não quer apoiar candidatos a deputado para não fortalecer a estrutura de Iris Rezende

Foto: Marcello Casal Jr./ABr

Michel Temer pode até mandar no PMDB de São Paulo, mas não manda no PMDB de Goiás. Foto: Marcello Casal Jr./ABr

O vice-presidente da República, o paulista Michel Temer, decidiu, não se sabe por quê, fazer uma intervenção cinza em Goiás ao impor a filiação do empresário Júnior Friboi ao PMDB. Em nenhum momento Temer e o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp, consultaram o maior líder do partido no Estado, o ex-ministro, ex-governador, ex-senador e ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende.

Em pouco tempo, movimentando uma estrutura financeira insuperável, Friboi parecia ter se tornado dono do PMDB. Mas o bilionário não havia combinado nada com os russos, quer dizer, com os eleitores. As pesquisas de intenção de voto mostraram que, apesar da estrutura, Friboi não era popular. Mais: indicavam que o favorito do partido, do ponto de vista dos eleitores, era Iris Rezende. Mais: sugeriram que, sem Iris hipotecando-lhe apoio direito, firme e motivado, não tinha qualquer chance de derrotar pesos pesados como o governador Marconi Perillo (PSDB), o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide (PT) e o ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso (PSB).

Pesquisas e mais pesquisas mostraram que as chances de Friboi sem Iris na sua chapa, como candidato a senador, eram mínimas. Ao mesmo tempo, enquanto Friboi mesmerizava líderes e militantes do partido, Iris pressionava tais líderes (como Maguito Vilela) e militantes e cobrava o que havia feito por todos durante anos, como governador duas vezes e como líder que nunca abandonou o barco. Noutras palavras, Iris torpedeava a pré-candidatura de Friboi dia e noite. No início, Friboi interpretou mal as críticas, avaliando que os jornais refletiam mais uma suposta adesão ao governador Marconi Perillo. Não era nada disso. Havia mesmo um movimento real no PMDB, liderado por Iris Rezende — e não por José Nelto, Paulo Garcia (este do PT), deputada Iris Araújo e Ana Paula (filha de Iris) —, para derrubar sua candidatura. Quando Friboi acordou, era tarde, mas finalmente descobriu que havia sido retirado do processo. Agora, com o apoio da família Batista, do grupo JBS, decidiu que não vai criar estrutura para alavancar a candidatura de Iris Rezende. Daí sua relutância em apoiar candidatos a deputado federal e estadual. Vai apoiar alguns, mas não a maioria. Ele sabe que quem faz de fato a campanha de um candidato a governador são os candidatos a deputado estadual e federal. Portanto, se bancar um grande número de candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados, estará bancando, indiretamente, Iris.

Ao final e ao cabo, Iris mandou seu recado: Michel Temer pode até mandar no PMDB de São Paulo, mas não manda no PMDB de Goiás. Aqui, apesar da resistência de Sandro Mabel, Pedro Chaves, Marcelo Melo, quem manda no PMDB — ainda! — é o veterano Iris Rezende, de 80 anos. Ele lutou e, até agora, venceu. Os que usaram Friboi para tentar afastá-lo do processo dançaram.

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Fernando Contart

Nessa situação quem puxa votos é o Iris e não ao contrário como diz no texto em questão,os deputados é que terão que se aliarem a Iris pra ganhar votos ,ele é o #ícone da oposição,sem Iris os deputados tende a não se elegerem ,mesmo que tenham apoio financeiro,pois o povo tem como referência o cabeça de chapa,vejam que na grande maioria das eleições ,quando o cabeça de chapa é bem votado ,a coligação elege mais deputados,então,discordo da análise do referido texto de vocês.

Mario Borges

ha 12 anos Iris Rezende perde para Marconi Perillo , ganhou a prefeitura de Goiânia com um acordo com o PT , agora o mesmo PT lhe dá um chute no traseiro, o Prefeito Paulo Garcia assumiu a prefeitura de Goiânia e Iris ficou a ver navios , não deveria ter saido da Prefeitura, fazia um bom mandato e seria re-eleito normalmente. ” O punhal de um traidor nunca enferruja, sempre esta cravado nas costas de um amigo”

Joana D'Arc

Friboi não entendeu que no processo eleitoral o mais importante é o eleitor e não os milhões dos pretendentes, ele não quer subir a escada da vida política, acredita que com seus bilhões pode cair de paraquedas no último andar. Modéstia e caldo de galinha não faz mal a ninguém.