Prefeito acredita que, se subir no palanque do deputado federal no primeiro turno, o compromete, no segundo turno, com o senador do DEM

Iris Rezende parece acreditar que, jogando com inteligência, poderá levar o apoio de Daniel Vilela para Ronaldo Caiado no segundo turno

Iristas dizem que, se pudesse, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), bancaria, de cara, a candidatura do senador Ronaldo Caiado (DEM) para governador de Goiás em 2018. Porque se trata do político com o qual mais tem identidade, ao menos desde 2014.
Entretanto, como não quer ficar com a imagem de “traidor” e por outro motivo, Iris Rezende está adotando, de maneira acentuada, uma certa duplicidade. O decano peemedebista deve apoiar tanto Ronaldo Caiado quanto Daniel Vilela, do PMDB, para governador. Em troca, o postulante de seu partido deve apoiar Iris Araújo para deputada federal em Aparecida de Goiânia e, talvez, Jataí.

Numa conversa com aliados confiáveis, Iris Rezende teria sugerido que uma boa chapa incluiria Ronaldo Caiado para governador, Samuel Belchior na vice e Lúcia Vânia (PSB) e Jorge Kajuru (PRP; frise-se que não simpatiza com o vereador, que considera como o principal opositor, porque não controlável, de sua administração na Câmara Municipal, mas admite que tem votos) para o Senado.

Para apoiar Ronaldo Caiado, o ex-deputado Samuel Belchior estuda a possibilidade de se desfiliar do PMDB e se filiar a um partido menor, como PSB, PPS, PMN, PHS ou PV. No caso do PSB e do PPS, só se ficar confirmado que apoiarão o senador do partido Democratas.
Samuel Belchior significa os pés, as mãos e o cérebro de Iris Rezende na chapa de Ronaldo Caiado. A rigor, admite um irista, a “candidatura” do senador a governador só resiste dado o incisivo apoio do prefeito. Até os nanopartidos, como PMN e PV, só estão com o democrata devido o incentivo do peemedebista. Grupos evangélicos, se o prefeito disser “estou fora do barco”, abandonarão Ronaldo Caiado no dia seguinte — deixando-o sozinho nas veredas do grande sertão.

Como se sabe, Iris Rezende não é um político intelectual, desses que põem no papel suas táticas e estratégias. Mas é, sim, um estrategista (consta que admira Napoleão Bonaparte e Fouché). Por isso, no lugar de romper com Daniel Vilela, para isolá-lo, vai subir no seu palanque em 2018. Por que, se não tem qualquer interesse efetivo pelo sucesso eleitoral do jovem peemedebista, vai “apoiá-lo”? Trata-se, claro, de um apoio “cinza”, do tipo areia-movediça. O que Iris Rezende, um articulador de intuição poderosa, quer é “segurar” o apoio de Daniel Vilela no segundo turno. Se subir no seu palanque, embora sem grande empenho, acredita que, na hipótese de segundo turno entre Ronaldo Caiado e o postulante do PSDB, José Eliton, terá como influenciá-lo a não ficar com o tucano.

Iris Rezende, como se vê, é espertíssimo. Seu único equívoco é pensar, talvez, que Daniel Vilela, orientado por uma raposa como Maguito Vilela, também não é espertíssimo.