Iris cogitou apoiar Maguito para prefeito, mas, bancado por Caiado, pode disputar reeleição

Prefeito sabe que, com Maguito, o MDB tem mais de manter o poder em Goiânia. Mas gostou de saber que tem o apoio do governador

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende, parece raciocinar pelo método confuso de Fradique Mendes. O que diz, em termos políticos, simula hieróglifos e é preciso se comportar como uma espécie de Jean-François Champollion para “decifrá-lo”. Recentemente, disse que queria terminar bem seu mandato, com obras inauguradas e contas públicas ajustadas. A aliados, chegou a sugerir uma renovação de nomes e, o que é raro, chegou a mencionar sua idade — “terei 87 anos em 2020”, frisou. Pois bem: pegue uma borracha e apague o Iris Rezende anterior porque surgiu outro — talvez o de sempre, aquele que jamais abandona a política, que, no fundo, é seu verdadeiro oxigênio. “Iris só gosta de política — não aprecia mais nada. Não viaja, não vai ao estádio, não tem apreço por leituras. Ele come e bebe política”, admite um secretário.

Iris Rezende, prefeito de Goiânia, e Maguito Vilela, ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia: aliados históricos | Fotos: Jornal Opção

Depois de conversar com alguns aliados, Iris Rezende teria decidido que era possível apoiar Maguito Vilela (MDB) para prefeito de Goiânia. Por dois motivos básicos. Primeiro, porque o ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia tem uma história de lealdade ao decano emedebista. Segundo, porque pesquisas de intenção de voto indicam que Maguito Vilela é popular em Goiânia, e exatamente por ter feito uma administração apontada como eficiente e criativa em Aparecida.

Acrescente-se que vários aliados do alcaide apostam que o apoio a Maguito Vilela seria uma maneira inteligente de recompor o MDB — unindo parte das forças que se separaram em 2018 por causa do apoio a Ronaldo Caiado e não a Daniel Vilela, o então candidato a governador pelo partido. A tese dos iristas é que Iris Rezende e Maguito Vilela juntos mantêm o MDB forte, como um partido que não precisa ser tributário de Ronaldo Caiado (DEM) para sobreviver. Noutras palavras, um partido que tem presente e terá futuro.

Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Iris Rezende, prefeito de Goiânia: aliança que fortalece o emedebista no MDB |Foto: Jornal Opção

Entretanto, de repente, Iris Rezende retomou conversações políticas com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ele teria enviado um recado: pode apoiar o candidato do MDB a prefeito de Goiânia em 2020 — desde que o candidato seja exatamente Iris Rezende. A outra “exigência” é que o vice seja do DEM — possivelmente o médico Silvio Fernandes, presidente do Ipasgo. O prefeito ficou balançado.

Por que balançado? Porque, como se disse antes, não sabe fazer outra coisa a não ser política. Iris Rezende, mais do que os iristas, acredita, depois da sondagem de Ronaldo Caiado, que, se terminar os dois últimos anos bem — com obras para mostrar, como viadutos, asfalto em bairros e recapeamento de ruas —, os eleitores poderão esquecer os dois primeiros anos, que foram muito ruins, e apostarem na sua reeleição. Um caiadista disse ao Jornal Opção: “A oposição não aproveitou os dois piores anos de Iris Rezende para fazer oposição dura e consistente e, mesmo agora, não apresenta ideias que possam mostrar que é um avanço em relação ao prefeito. Aos poucos, o emedebista está recompondo a sua base política — inclusive na Câmara Municipal”.

Quer dizer, então, que Iris Rezende voltou a ser candidato? Não é bem assim. Na verdade, ele nunca deixou de ser candidato. Mas, se perceber que pode ser derrotado — e que terminará sua participação na política de maneira melancólica —, recuará e poderá apoiar Maguito Vilela, até por racionalismo. Porque, fora Iris Rezende, do MDB só mesmo Maguito Vilela tem chance de ser eleito em Goiânia. Isto, claro, se as pesquisas estiverem certas.

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