Time do Goiás deve cair para a Série B em 2020? A diretoria não trabalha contra tal hipótese

O time precisa de um técnico vencedor e de quatro a cinco jogadores que estejam dispostos a jogar de verdade

Cilas Gontijo

O maior time de futebol do Centro-Oeste, o Goiás Esporte Clube, tem deixado seus torcedores com dor de cabeça e envergonhados. Eles se tornaram motivo de chacota dos torcedores rivais. A razão é simples: em dois jogos, só dois, o time tomou 12 gols! Leia de novo: 12 gols! Nem a seleção brasileira de 2014 apanhou tanto. Um verdadeiro vexame. Primeiro, tomou uma tunda de 6 a 1. O surrador foi o Flamengo, do Rio de Janeiro. Em seguida, tomou uma surra do Santos, de São Paulo. Pelo elástico placar de 6 a 1. O goleiro do Goiás deixou a impressão de que não saía das redes. Consta que alemães, ao saberem dos dois resultados, fizeram pilhéria: “Ué, a seleção de Neymar voltou a jogar?!”

O Verdão, que a torcida do Vila já chama de Verdinho, começou o Campeonato Brasileiro até bem, ganhando jogos e alguns de seus jogadores chegaram a empolgar a imprensa do país. A torcida começou a se animar, avaliando que o time, se continuasse no mesmo diapasão, poderia até não ser campeão, mas ao menos iria para a Libertadores. Ledo-ledíssimo engano.

A parada em decorrência da Copa América levou os torcedores a pensarem que o Goiás voltaria com gás novo, azeitado. Deu tempo para a equipe se recuperar fisicamente e se preparar para os novos jogos. De fato, o escrete retornou, mas preparado para perder, não para ganhar.

Para se preparar para jogar às 11 horas, o Goiás fez até jogo-treino. Teoricamente, chegaria mais bem preparado para os jogos. Chegou despreparado ou preparado… para perder. Talvez seja o caso de jogar à meia-noite, porque aí, quem sabe, o time já chega dormindo e perderá só de 5 a 1.

O Periquito, que está virando pardal, terá de lutar, a partir de agora, não para se classificar entre os primeiros ou ir para a Libertadores. Na verdade, vai batalhar para continuar na série A. Mas o torcedor sabe que o Goiás está se reaproximando, isto sim, da Série B — a que aparece adequada para seu futebolzinho.

Para pensar numa Sul-Americana, o Goiás precisa de um elenco de mais qualidade, e não apenas de um bom time titular. Aliás, nem o seu time titular é bom. Os conselheiros do time deveriam buscar orientações com Adson Batista, o presidente do Atlético Goianiense, que, adotando determinadas táticas, como um time mais compacto e homogêneo, com um banco razoável, praticamente da mesma qualidade do grupo titular, consegue ir mais longe do que o Goiás.

Infelizmente, para os torcedores, a diretoria do Goiás comete sempre os mesmos erros. Parece, até, que sente prazer em fazer o torcedor sofrer. A gestão do time beira ao amadorismo. E ressalte-se que o clube conta com uma estrutura adequada — de time grande. Paga bons salários — e em dia. O que falta? Um grupo dirigente que goste mais de futebol e, sobretudo, do time. Os torcedores querem ver o Periquito voando alto, bem alto. Mas só eles parecem querer isto. A diretoria, pelo contrário, parece aceitar que, se não cair para a Série B, já está bom demais. Isto é o que se pode chamar de pensar pequeno.

O que falta ao time do Goiás? Tudo e mais um pouco. Falta, por exemplo, dirigentes ousados, não acomodados. Falta meio-campo. Falta zagueiro. Faltam laterais. Falta um bom atacante, desses que têm fome de gol. Michael, sem dúvida, é um craque, mas ninguém joga sozinho. Ele joga a bola redondinha e, quanto recebe, a bola chega quadrada. Quem recebe bolas quadradas não têm condições de fazer gols e muito menos milagres.

O técnico Claudinei, que torcedores avaliam como “Ruimdinovo”, havia sido demitido, noutra ocasião, no vestiário e por telefone. Convém lembrar que ele caiu na final de um Goianão. Por que voltar agora quando o time precisa de um técnico que seja expert em recuperação? Como disse, os dirigentes do Goiás beiram o amadorismo.

“Ruimdinovo” ou “Ruimdinei” pode até ser mais barato do que um treinador mais capacitado. Mas não tem condições de arrancar o Goiás do mau passo atual. Mas torço para que eu esteja errado e os dirigentes, os sábios da Serrinha, estejam certos. Mas insisto: a diretoria pensa pequeno e pode ser campeã em lambança, mas não em futebol.

Insisto que, apesar do técnico fraco, o problema é maior do que isto. O fato principal é que o elenco é fraco. A diretoria precisa criar coragem e fazer uma série de demissões. Que tal pegar um diretor, desses que ficam dormindo no ponto, e pedir para ligar para o Adson Batista, um mestre, e colher algumas dicas? É provável que ele poderá apontar de quatro a cinco jogadores que queiram realmente jogar futebol — até porque sabem fazê-lo — e colocar Goiás noutro patamar.

A função de um jogador de futebol, obviamente, é jogar futebol. Parece que, no Goiás, é perder, perder e perder. Preferencialmente, de 6 a 1.

Cilas Gontijo é comentarista esportivo.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.