Hotéis têm concorrência desleal do Airbnb

Luciano Carneiro, vice-presidente da ABIH Nacional: “Além de pagarmos impostos muito altos, ainda sofremos concorrência desigual do Airbnb”

O setor hoteleiro do País pode ter imposto reduzido neste ano. A Câmara dos Deputados analisa um projeto de lei que reduz de 4,5% para 2% a contribuição sobre o valor da receita paga pelo setor. O tributo incide sobre o faturamento da empresa e substitui a contribuição patronal de 20% incidente sobre a folha de pagamento.

O goiano Luciano Carneiro, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), comemora toda e qualquer redução tributária para o setor, que, diz, está em crise há cinco anos. Mas observa que os governos estaduais e as prefeituras também deveriam estar atentos à questão e, da mesma forma, diminuir os impostos que penalizam a hotelaria.

O executivo é proprietário do Hotel Rio Vermelho, em Goiânia, e atua como representante classista há muitos anos. Ele conta que nas festas de final de ano algumas capitais, como Salvador e Rio de Janeiro, até conseguiram 100% de ocupação. “Em São Paulo tam­bém melhorou, mas o valor das diárias caiu. Como o preço foi diminuído, agora o setor não consegue aumentar, o que é problema. Depois do réveillon, os hotéis voltaram a ficar vazios”, afirma.

Segundo Luciano Carneiro, em Goiânia o setor também está passando por dificuldades. O valor das diárias estão muito baixos. “E aqui, o IPTU está subindo demais. Falei com o prefeito Iris Rezende (PMDB), que disse que a prefeitura está quebrada, mas o povo também está quebrado, não é por aí que vai resolver o problema.”

Carneiro diz que o setor imobiliário está construindo muitos hotéis em Goiânia. “Mas será que fizeram pesquisa para isso? Claro que não. O setor não comporta. Eles constroem, vendem, e o prejuízo acaba ficando com quem compra essas novas unidades.”

Além da questão tributária, o executivo aponta outro grande vilão para a hotelaria brasileira: a concorrência predatória do aplicativo Airbnb, pelo qual os imóveis são colocados diretamente em oferta para os interessados.

O problema, diz Carneiro, é que o Airbnb não paga impostos e não gera empregos, diferentemente do setor hoteleiro regular. “Não tememos concorrência, que é até salutar, força a oferta de melhores serviços por parte dos hotéis. Mas nós pagamos impostos altos, geramos empregos. Como concorrer com um sistema que não paga nada disso? É desigual.”

Ele lembra que as prefeituras reclamam de falta de dinheiro, mas não se dão conta de que poderiam ter uma arrecadação significativa com impostos do site. “O município de Caldas Nova começou a tributar o Airbnb, desde o dia 1º de janeiro. Agora, no dia 17, a ABIH vai se reunir em Brasília e debater a questão. Com todos os problemas que vivemos, a concorrência desleal do Airbnb é ainda mais danosa. E o País, os Estados e os municípios estão deixando de arrecadar um bom dinheiro. Na Europa, só no primeiro trimestre de 2017, o site de hospedagem pagou 2,5 milhões de euros de impostos.”

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