Gustavo Mendanha diz que Caiado precisa conversar com prefeitos sobre recursos pros municípios

O prefeito de Aparecida não faz oposição ao governo, mas defende seu município e cobra apoio e atendimento funcional e sem burocracia

Gustavo Mendanha, prefeito de Aparecida de Goiânia, não faz oposição ao governo de Ronaldo Caiado; o gestor está fazendo unicamente a defesa do município que dirige | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Gestores não devem fazer oposição a gestores. Porque, no sistema federativo, o país, os Estados e os municípios são interligados. Uns precisam dos outros — alguns mais, outros menos. Mas o sistema é conectado. É provável que a crise do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul tenha contribuído para reduzir o crescimento da economia nacional. Por isso, para que o crescimento seja uniforme e mais amplo, os governos federal, estaduais e municipais têm de trabalhar com o máximo de entrosamento. Observe-se que Aparecida de Goiânia, Anápolis e Rio Verde, para citar apenas três municípios, são decisivos para encorpar o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O governo do Estado, independentemente de quem esteja no poder, depende do ICMS para ter recursos para investir e pagar a folha do funcionalismo público. Mas, em si, o governo estadual nada produz, apenas absorve aquilo que é produzido nos municípios. Portanto, os municípios — onde ocorre a vida real — devem ser tratados com extremo respeito.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB), é um diplomata por natureza. É um agregador por excelência e sua prioridade é governar bem para todos os moradores do município. Não aprecia atritos e debates barulhentos mas infrutíferos. É pragmático. Amigos avaliam, por vezes, que deveria ter estudado para ser diplomata. Por entender que governo não faz oposição a governo — porque o interesse público está acima de questiúnculas e divergências partidárias —, Gustavo Mendanha procura ter uma relação republicana com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). E, de fato, os dois políticos são modernos e republicanos.

Missão número de Gustavo Mendanha

Como prefeito, Gustavo Mendanha sabe que sua missão número um é defender sua cidade com extrema dedicação e energia. Por isso, sempre que é possível mantém contato com os dirigentes do governo, em suas várias áreas.

Incansável na defesa de Aparecida, Gustavo Mendanha às vezes vai pessoalmente dialogar com secretários do governo Caiado a questão dos recursos devidos ao município que gere. Numa conversa com a secretária da Economia, Cristiane Schmidt, chegou a ser enfático, de maneira educada — o que é de seu feitio. Mas a economista, que mal sabe distinguir a Avenida Goiás da Rua Araguaia, ficou irritada e quase pediu para que se retirasse. Ocorre que, quando Cristiane Schmidt for embora de Goiás, Gustavo Mendanha e os demais prefeitos continuarão no Estado. Não estão de passagem e vivem para seus municípios e, por isso, para Goiás (não estão aqui para ganhar experiência, para encorpar currículo, e, depois, ocupar cargos mais altos na República ou no mercado financeiro). Porém o prefeito não quer conflito, e sim entendimento. Outros prefeitos e políticos têm reclamado da “arrogância” da secretária e cobram que o governador Ronaldo Caiado precisa chamá-los para conversar — individual ou coletivamente. Os prefeitos não podem ficar nas mãos de secretários que nada resolvem, só protelam a resolução dos problemas. Gestor bem-intencionado, chegou a hora de Ronaldo Caiado chamar a responsabilidade para si e convidar os prefeitos para uma conversa franca e direta, lembrando que a recuperação das contas do governo estadual depende, largamente, da melhoria das contas dos municípios.

Aparecida tem 12 milhões de reais para receber do Goiás na Frente — que é um programa de governo, e não um programa do político “x” ou “y”. Destes recursos, 10 milhões são para pavimentação asfáltica e 2 milhões haviam sido reservados para a construção da sede própria da Câmara Municipal de Vereadores. Aparecida — o prefeito, os vereadores, os empresários; enfim, a sociedade — cobra a manutenção do convênio assinado entre a prefeitura e o governo do Estado. O secretário de Governo, Ernesto Roller — bem- intencionado —, disse a um auxiliar de Gustavo Mendanha que, para resolver o imbróglio do Goiás na Frente, deveria procurar o Conselho Jurídico da Segov. Fica a pergunta de 12 milhões de reais: Aparecida terá acesso a tais recursos? Reuniões precisam apresentar resultados, não podem ser meramente burocráticas, protocolares.

Aparecida tem dado uma contribuição imensa para o Estado, e não só com o ICMS. Tanto que, das 10 delegacias de polícia instaladas no município, nove são mantidas pela prefeitura. É uma maneira pragmática de melhorar a segurança e proteger a sociedade.

Ronaldo Caiado, Cristiane Schmidt e Ernesto Roller: o gestor estadual e os dois secretários precisam entender que o governo, para sair da crise, precisa apoiar os municípios

O governo do Estado fechou o Restaurante Cidadão em Aparecida. A prefeitura faz a sua parte e mantém um Restaurante Cidadão, com seus próprios recursos.

O governo do Estado informa que vai repassar 11 milhões de reais para todos os municípios. Ora, só para Aparecida de Goiânia o Estado teria de repassar 10 milhões de reais. Na prática, com seus parcos recursos, os municípios estão bancando o setor de saúde.

Governar não é ignorar os municípios, ou discriminá-los por questões partidárias. Governar é incluir todos os municípios, porque, insista-se, o começo da recuperação das finanças da gestão de Ronaldo Caiado pode estar muito mais nos municípios do que em Brasília.

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