Com cuidado para não parecer um rolo compressor, apoiadores da via preferencial do palácio vai intensificar conversa com parlamentares

Cordialidade e experiência do deputado são citadas como qualidades até mesmo pelos que pensam em uma via alternativa | Foto: Divulgação

Tudo que é concreto se desmancha no ar, dizia um filósofo, e isso vale integralmente para qualquer articulação política. O desenho das nuvens, há poucos dias, indicava vitória fácil do deputado Álvaro Guimarães na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa. Mas as nuvens mudaram e o decano da Casa pode ver sua eleição cair por terra como chuva fria.

Para o Executivo, o “turnover” na candidatura de Álvaro cria alguns problemas imediatos e outros a longo prazo. No primeiro momento, a maior dificuldade é ter de redesenhar o posicionamento de todas as forças da Casa, algo que já estava previamente mapeado – com a expectativa de que funcionaria bem nas votações (inclusive nas mais difíceis).

É um jogo complexo, pois o operadores mais experientes sabem dos riscos de qualquer descontentamento, mesmo os mais pequenos (aqueles que parecem estar apaziguados, mas não estão): nos momentos mais complicados, quando o governo enviar matérias mais impopulares, essas insatisfações mínimas podem virar votos contrários e discursos críticos às proposituras.

No longo prazo, o desenho de forças inclui delicadas alianças e promessas de apoio a pretensões das mais variadas, desde espaços a serem criados na administração às vagas que vão surgir em tribunais de contas. Trata-se de um xadrez para jogadores experientes e cautelosos. Qualquer mexida pode atrapalhar anos de compromissos.

Daí o empenho redobrado que lideranças do governo prometem aplicar nesta reta final da eleição da Mesa. A semana passada já terminou com a aceleração dessas conversas. A partir de agora, a rotação será máxima. Todos os possíveis aliados passarão pela mesa de negociações novamente. Uma chamada geral.

Mas uma chamada com o cuidado de não parecer um rolo compressor. Tentarão adotar a delicadeza que pode ter faltado anteriormente nas relações entre o Executivo e os deputados, especialmente os que são da oposição ao governo, mas que podem votar em Álvaro. Pode funcionar? Na avaliação dos próprios deputados dissidentes, pode. Mas por consideração pessoal ao candidato.