Repetidas pesquisas estão mostrando um dado curioso, que pode ser resumido assim: os eleitores de Goiânia estão com “saudade” — se é o mote justo — do gestor que é político e do político que é gestor.

Noutras palavras, de acordo com as pesquisas qualitativas, os eleitores estão buscando novos Iris Rezende e Nion Albernaz. Os dois eram políticos e, ao mesmo tempo, eram gestores. O prefeito de Goiânia não pode ser apenas político, porque aí descuida da gestão. Mas não pode ser apenas gestor, porque lhe faltará força política (a que tinham Iris Rezende, Nion Albernaz e Maguito Vilela). O que se precisa é de uma mescla de gestor e político.

Uma pergunta é pertinente: por que um candidato que já disputou o governo do Estado e a Prefeitura de Goiânia duas vezes e é senador — está se falando de Vanderlan Cardoso, do PSD — e, mesmo assim, não deslancha? Ou seja, não passa de 25%. Ele é gestor? É. Mas falta amparo político. O presidente estadual do PSD em Goiás não conta, por exemplo, com o apoio do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), do vice-governador Daniel Vilela (MDB) — que será governador em 2026, entre abril e dezembro (ou seja, o próximo prefeito terá de conviver com ele pelo menos por nove meses) — e do presidente Lula da Silva (PT). Ou seja, terá dificuldade para se eleger. E, se for eleito, terá dificuldade política para gerir uma prefeitura complexa como a da capital. Além disso, poderá ter uma Câmara Municipal hostil — o que poderá travar a administração.

Adriana Accorsi, se eleita, terá o apoio do governo federal e não terá grandes resistências na seara estadual. Mas, na campanha, não contará com o apoio nem de Ronaldo Caiado nem de Daniel Vilela. E há o detalhe de que não tem experiência com gestão.

Vanderlan Cardoso não tem identidade com a base governista | Foto: Reprodução

A base governista não tem pressa na formatação de uma candidatura. Mas isto não significa que não tenha nome para o pleito, e não apenas um. A rigor, estão na fila, disputando o primeiro lugar, Ana Paula Rezende, do MDB, Bruno Peixoto, do União Brasil, e Jânio Darrot, do MDB.

Ana Paula Rezende (a que estaria menos disposta a disputar), Bruno Peixoto e Jânio Darrot são políticos experimentados e contam com o apoio da base governista.

Jânio Darrot foi prefeito de Trindade por dois mandatos, durante oito anos. A cidade, nas duas gestões, foi transformada — deixando de ser uma cidade-dormitório para ser uma cidade moderna, com grandes empresas e estrutura urbana transformada. Há uma Trindade antes e uma Trindade depois de Jânio Darrot. Como as duas cidades — Trindade e Goiânia — são praticamente conurbadas, o ex-prefeito e ex-deputado conhece muito bem o município-irmão.

Com sua experiência como prefeito e empresário — venceu também na iniciativa privada —, Jânio Darrot seria um prefeito com a estatura de Goiânia. Do ponto de vista político, é confiável tanto para Ronaldo Caiado quanto para Daniel Vilela — o que não se pode dizer de Vanderlan Cardoso.

Em 2018, Daniel Vilela bancou Vanderlan Cardoso para senador (tanto que seu suplente é Pedro Chaves, do MDB), convencido pelo pai, Maguito Vilela, de que era uma boa escolha. No entanto, quando Maguito Vilela decidiu disputar a Prefeitura de Goiânia, em 2020, o primeiro a se colocar contra foi o senador — que também decidiu ser candidato.

Ronaldo Caiado apoiou Vanderlan Cardoso para prefeito e, quando chegou 2022, esperou a retribuição, ou seja, que o senador apoiasse sua reeleição. Ao contrário do que o governador esperava, o líder do PSD apoiou a oposição (chegou a tentar vetar a “fala” de Ronaldo Caiado num evento-homenagem a um bispo da Assembleia de Deus). Então, parece óbvio que Vanderlan Cardoso aprecia receber apoio, mas não gosta de retribuir.

Ressalve-se, porém, que Vanderlan Cardoso tem fama de gestor eficiente.

Bruno Peixoto foi vereador em Goiânia — conhece os problemas da cidade como poucos e está estudando sobre as formas de resolvê-lo — e é deputado estadual há vários mandatos. Ele nasceu na capital. É um goianiense autêntico.

Na Assembleia Legislativa, onde é uma espécie de prefeito — poucas prefeituras têm a estrutura da Alego —, Bruno Peixoto não é apenas político. É também gestor, e dos mais eficientes.

Como político, Bruno Peixoto é um abre-portas. Ele mantém ligação estreita com o governador Ronaldo Caiado. Se ele — ou Jânio Darrot — for eleito prefeito de Goiás, as relações políticas vão facilitar a administração pública.

Em suma, a base governista tem dois grandes nomes (e, contando com Ana Paula Rezende, filha de Iris Rezende, passam a ser três): Bruno Peixoto e Jânio Darrot. Assim que o nome for definido, apresentando-se a questão da expectativa de poder — derivada da capacidade de gerir e aglutinar forças políticas benéficas —, a tendência é que se torne, de cara, favorito. (E.F.B.)