Francisco Júnior e Elias Vaz: um deles deve ser o candidatão das oposições em Goiânia

Grupos políticos articulam para encontrar um candidato competitivo que derrote Iris Rezende e enfraqueça Ronaldo Caiado na disputa pela Prefeitura de Goiânia

Quando um político relevante diz que está cedo para discutir eleições municipais, que acontecerão daqui a um ano e seis meses — um pulinho —, o eleitor pode concluir duas coisas. Primeiro, está mentindo, porque, nos bastidores, está articulando furiosamente. Segundo, não entende de política. Porque quem entende sabe que as articulações começam bem cedo.

Francisco Júnior, deputado federal, pode ser o “candidatão” das oposições na disputa pela Prefeitura de Goiânia em 2020 | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Na verdade, neste momento, os políticos de vários partidos estão conversando em busca do candidato ideal para os eleitores de Goiânia. Há várias táticas e jogadas. Na oposição, a predominante é a corrente que, além de planejar arrancar Iris Rezende (MDB) da Prefeitura de Goiânia, também pretende enfraquecer o governador Ronaldo Caiado (DEM). Porque a eleição de 2020 é decisiva para reformatar as bases político-eleitorais para 2022.

Político hábil, Ronaldo Caiado tem dois caminhos possíveis. O prioritário é fortalecer sua própria base, com o lançamento de um candidato. Pesquisas sinalizam que o nome mais forte do DEM na capital é o deputado federal e médico Zacharias Calil. Ele teria a cara de Goiânia, por ser moderno e preocupado, de maneira efetiva, com os indivíduos. Enquanto pessoas morrem em hospitais de Goiânia, em parte por equívoco da “política de saúde” (uma ficção)do prefeito Iris Rezende, Zacharias Calil trabalha em Brasília para conquistar recursos federais para a construção de um moderno hospital materno-infantil (frise-se que Goiânia, com 1,4 milhão de habitantes, não tem hospital municipal. Morrinhos, cidade bem menor, tem e funciona). O ex-senador Wilder Morais, self mad man que se tornou milionário sem negociar com o setor público, é outra aposta do DEM. O segundo caminho do governador é uma aposta em Iris Rezende (leia o Editorial do Jornal Opção desta semana) — uma via que, se é boa para o prefeito, pode ser devastadora para Ronaldo Caiado.

Elias Vaz, deputado federal: espécie de candidatão, não pode ser visto apenas como o “candidato de Jorge Kajuru” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Mas a operação mais interessante que está em curso é sobre a produção de um grande candidato — com ampla estrutura — para tentar enfraquecer tanto o irismo quanto o caiadismo. São três os nomes mais cotados para ser o “candidatão”: Francisco Júnior, Elias Vaz e Maguito Vilela

Maguito Vilela quer ser candidato, mas diz que não quer porque, se Iris Rezende for para a reeleição, não tem como deixar de apoiá-lo. Em 2018, apesar dos pesares, o prefeito subiu no palanque de Daniel Vilela para governador — deixando de lado o amigo Ronaldo Caiado (que, por outro lado, ganhou o apoio dos iristas Lívio Luciano e Iris Araújo). O objeto de desejo político do PP do senador Vanderlan Cardoso é Maguito Vilela, mas o senador também poderia apoiá-lo se fosse definido candidato pelo MDB, desde que uma aliança para 2022 fosse definida desde já (Daniel Vilela poderia disputar mandato de senador e Alexandre Baldy seria candidato a governador, ou vice-versa). Se Iris Rezende for candidato, porém, o MDB perde o “aliado” PP.

No momento, Francisco Júnior, do PSD de Vilmar Rocha, é o mais cotado para obter o apoio do PP de Vanderlan Cardoso — que é quem articula pelo partido em Goiânia — na disputa pela Prefeitura de Goiânia. O deputado federal e o senador conversam com frequência e estão cada vez mais sintonizados. O vice de Francisco Júnior pode ser do PP. Mais: se o deputado quiser migrar para o PP, as portas estão permanentemente abertas.

Maguito Vilela e vanderlan Cardoso: o segundo gostaria de apoiar o primeiro, tendo em vista o projeto político de 2022, mas o ex-governador não quer desafiar Iris Rezende

O certo é que o apoio a Francisco Júnior é uma jogada que tem como pressuposto a montagem de um frentão para 2022. Se conquistar o apoio do PP e inclusive o do PSDB, o deputado federal poderá ser definido como o “candidatão” das oposições.

O deputado Elias Vaz (PSB) mantém um relacionamento positivo com Vanderlan Cardoso e dialoga com outros setores das oposições. Se deslanchar, em parte graças ao prestígio do senador Jorge Kajuru (PSB), sendo percebido pelo eleitorado como o anti-Iris Rezende e o anti-Ronaldo Caiado, pode se tornar o “candidatão” das oposições. O problema é Kajuru.

Na verdade, Kajuru é Céu e Inferno para Elias Vaz. Céu porque atrairá um grande eleitorado popular para sua campanha. A ressalva é se a transferência de votos de Kajuru será suficiente para eleger o deputado federal. Inferno porque impedir uma aliança mais ampla em torno de seu nome. Recentemente, Kajuru fez as pazes com Vanderlan Cardoso, mas trata-se de uma paz provisória, porque nenhum confia no outro (quem “bate” esquece, quem “apanha” jamais esquece). Vanderlan pode ser o operador de uma grande frente política para o candidato que apoiar — seja Francisco Júnior, no momento o ungido, ou Elias Vaz. Este precisa entender que, para ganhar uma eleição majoritária, não deve se apresentar tão-somente como “o candidato de Kajuru”. Ser “o candidato de Kajuru” ajuda, e muito, mas pode não ser suficiente para ganhar a eleição.

Portanto, do ponto de vista do jogo atual, Francisco Júnior pode ser o “candidatão” das oposições. Elias Vaz e Major Araújo (que irá para o PSL do deputado federal Delegado Waldir Soares) tendem a se apresentar como outsiders — como Kajuru para o Senado na eleição de 2018.

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