Reza a tradição que governador não se reelege em Brasília. Se for mantida, os eleitores do Distrito Federal tendem a trocar Ibaneis Rocha por Reguffe

Ibaneis Rocha e Flávia Arruda: aliança praticamente fechada | Foto: Reprodução

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB (pode sair do partido no dia 2), assumiu-se, de vez, como bolsonarista desde criancinha.

Por que, se andava “amuado” com o presidente Jair Bolsonaro, Ibaneis Rocha agora se define como “100% Bolsonaro”? Primeiro, Bolsonaro vou a crescer — ou pelo menos a não cair — nas pesquisas de intenção de voto.

Segundo, a aproximação com o pré-candidato do PT à Presidência da República, Lula da Silva, não certo. O petismo não quer se misturar com o gestor distrital por considerá-lo de direita e bolsonarista. “Ibaneis usou o nome de Lula, sugerindo que iria encontrá-lo, com o objetivo de reconquistar o apoio de Bolsonaro”, sustenta um petista.

José Antônio Reguffe: senador pelo Podemos | Foto: Reprodução

Terceiro, e mais importante: Bolsonaro, se Ibaneis continuasse se dizendo “neutro” em termos de campanha presidencial, iria lançar a ministra Flávia Arruda, do PL, para o governo. Pesquisas sugerem que, apesar de contar com menos estrutura, a deputada federal licenciada tinha chance de derrotar o governador. Ao perceber a jogada do Palácio do Planalto, Ibaneis recuou — inclusive de seu “petismo incipiente” — e retomou sua militância bolsonarista e anti-petista.

A chapa governista terá Ibaneis para governador e Flávia Arruda para senadora. A dúvida é o vice. Há quem postule que o vice, Paco Britto (Marcus Vinícius Britto Dias), seja mantido, por ser discreto, eficiente e não criar problemas para o governador. Mas o nome do presidente da Câmara Distrital, Rafael Prudente, do MDB, tem sido citado com frequência, ao menos nos bastidores, para vice.

Izalci Lucas e Leila Barros: senadores| Foto: Senado

A chapa com Flávia Arruda, que alguns chamam de “Roriz de saias de Brasília”, fortalece Ibaneis.

Mas os fatos e, até, os fados dizem que governador não se reelege em Brasília (exceto Joaquim Roriz, que era amado nas periferias, dado o seu populismo). Portanto, se em 2 de outubro se confirmar a regra histórica, é provável que o governador seja outro, possivelmente José Antônio Reguffe, senador pelo Podemos.

No momento, Reguffe ainda não desponta como favorito, até porque muitos eleitores não sabem que planeja ser candidato a governador. É provável que, assim que for lançado, encoste em Ibaneis e até o supere. Porque tem fama de político honesto, de não participar de falcatruas e de ser dinâmico.

Uma onda Reguffe, ancorada na retidão moral 100%, pode “atropelar” o poderio financeiro de Ibaneis. Os eleitores de Brasília não costumam respeitar o poder financeiro dos candidatos e vota naquele postulante que acreditam que será o melhor para o Distrito Federal.

Há um drummond no meio caminho de Reguffe. O senador Izalci Lucas, do PSDB, diz que será candidato a governador. De positivo há o fato de que, com três candidatos consistentes — Ibaneis, Izalci e Reguffe —, o segundo turno estará praticamente garantido. Mas há também a possibilidade de, com a divisão dos votos oposicionistas, Ibaneis largar em primeiro lugar em 2 de outubro. Na hipótese de segundo turno, Izalci e Reguffe se unirão contra Ibaneis? Não se sabe. Mas é provável.

Numa peleja apenas entre Ibaneis e Reguffe, há quem aposte que, se conquistar o apoio da senadora Leila Barros (Cidadania) e de Izalci — e, quem sabe, até do PT de Lula da Silva —, a oposição pode, quem saber, liquidar a fatura já no primeiro turno.

Já Flávia Arruda, se não tiver de disputar a vaga do Senado com Reguffe, talvez possa se considerar praticamente imbatível.