Falta de dinheiro cria o “marketing” do corpo-a-corpo com os eleitores nos bairros

Giuseppe Vecci e Adriana Accorsi: mesmo candidatos de duas máquinas poderosas, o tucano e a petista fazem uma pré-campanha espartana | Fotos: André Costa e Fernando Leite / Jornal Opção

Giuseppe Vecci e Adriana Accorsi: mesmo candidatos de duas máquinas poderosas, o tucano e a petista fazem uma pré-campanha espartana | Fotos: André Costa e Fernando Leite / Jornal Opção

A pré-campanha é a campanha na qual se pode tudo — ou quase tudo. Os candidatos menos conhecidos estão se expondo ao máximo, articulando nos bairros, conversando com segmentos organizados, concedendo entrevistas em jornais e emissoras de rádio e televisão. Vale tudo para começar a ser visto e avaliado pelos eleitores. O pré-candidato mais conhecido, Iris Rezende, é o único que se move menos — optando por receber aliados e simpatizantes em seu escritório do Setor Marista. Ele alega que já é conhecido o suficiente e, aos mais íntimos, tem sugerido que, se disputar, quer fazer um campanha mais barata.

Os articuladores das pré-campanhas revelam que um dos problemas destas eleições é que falta dinheiro para projetos mais audaciosos e mais dispendiosos. Quem tem dinheiro, devido à crise e por receio de denúncias futuras, prefere recolher-se e, mesmo, manter-se distante dos pré-candidatos. Qualquer movimentação política tem custos, mas os pré-candidatos estão se comportando de modo espartano — ao menos no geral. Até o momento nenhum dos postulantes fala em contratar marqueteiros a peso de ouro, como em campanhas anteriores. Mesmo os candidatos das máquinas, como Giuseppe Vecci, do PSDB, e Adriana Accorsi, do PT, estão se mostrando bastante econômicos. Conversando mais e gastando menos — por vezes, quase nada.

A tese de todos os pré-candidatos é a mesma: como falta dinheiro, que às vezes remove e conquista montanhas, é preciso usar criatividade. O que se tem reinventado com mais atenção é o velho e eficiente corpo-a-corpo. Nos vários bairros de Goiânia — que são verdadeiras cidades, eventualmente com 100 mil e até mais habitantes —, os pré-candidatos estão se encontrando com certa frequência. No lugar de comícios, barulhentos mas ineficientes, organizam encontros comunitários com a presença de 50 a 200 pessoas. Falam o que querem, apresentam suas ideias e colhem ideias para revitalizar seus projetos. Pelo menos três pré-candidatos disseram ao Jornal Opção o que parece óbvio, mas, segundo eles, ainda é pior: a desesperança das pessoas é imensa, gigantesca. Mesmo assim, demonstram interesse pelas ideias apresentadas e discutem-nas com o máximo de atenção.

Os pré-candidatos sublinham que as pessoas, nos bairros — dos mais pobres aos de classe média — têm noção exata do que querem para si e para a cidade. Não há quem não reclame da falta de segurança, mas muitos ressaltam que, com o secretário José Eliton, a presença da polícia é mais ostensiva nos bairros. Um detalhe curioso é que, se a classe média tem dúvida sobre as organizações sociais na educação, na periferia o assunto, entre os que já ouviram falar a respeito — vários nada escutaram —, é visto como uma inovação necessária. As pessoas admitem que as organizações sociais melhoraram o atendimento na área de saúde. Mencionam que a qualidade é mais elevada.

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